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31 July 2008

Transistor de papel

JC e-mail 3561, de 24 de Julho de 2008.

Cientistas portugueses criam transistor de papel

Artefato é mais barato e biodegradável, e pode ter aplicações na medicina

Uma descoberta poderá tornar muito mais baratos e biodegradáveis os transistores, componentes eletrônicos que amplificam sinais elétricos. Uma pesquisa coordenada por dois cientistas portugueses conseguiu desenvolver o primeiro transistor tendo como base o papel.

"O custo do transistor em silício deve ser mil vezes maior do que do transistor em papel", diz Elviera Fortunato, da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, que, junto com Rodrigo Martins, lidera a investigação.

"Em papel, o processo ocorre à temperatura ambiente e para a bolacha de silício é necessário um processo térmico a 1.200 graus centígrados." O transistor de papel surgiu a partir da pesquisa de novos materiais. Inicialmente, o objetivo era encontrar transistores descartáveis para uso em sensores biológicos com aplicações na medicina.

Outros usos seriam em telas de papel e etiquetas inteligentes. "Normalmente, três a quatro anos é o período de transição do laboratório para a indústria", ela afirma. O pedido de registro de patente já foi feito e um artigo sobre o novo transistor será publicado na revista científica Electron Device Letters de setembro.

Vantagens e desvantagens

Elvira explica que, para o transistor, coloca-se sobre o papel uma camada de óxido semicondutor - no caso, óxido de zinco. "O papel nesse caso tem duas funções. É o isolante elétrico do transistor e também o suporte físico."

Entre as vantagens que ela aponta para o papel estão a de ser um suporte flexível para o transistor, muito mais leve e mais fino. No silício, a camada de semicondutores tem 500 micrômetros de espessura, enquanto a camada de óxido de zinco sobre o papel tem apenas alguns nanômetros.

A principal desvantagem é ser menos resistente.

"O objetivo não é competir com o silício. Quando fazemos um teste de gravidez ou de glicemia, utilizamos uma tira de papel que funcionam com uma reação química", diz Elvira. "Com um transistor descartável seria possível obter informações complementares a partir desses testes."
(BBC Brasil)
(O Estado de SP, 24/7)
http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=57540

31 July 2008

Transistor de papel

JC e-mail 3561, de 24 de Julho de 2008.

Cientistas portugueses criam transistor de papel

Artefato é mais barato e biodegradável, e pode ter aplicações na medicina

Uma descoberta poderá tornar muito mais baratos e biodegradáveis os transistores, componentes eletrônicos que amplificam sinais elétricos. Uma pesquisa coordenada por dois cientistas portugueses conseguiu desenvolver o primeiro transistor tendo como base o papel.

"O custo do transistor em silício deve ser mil vezes maior do que do transistor em papel", diz Elviera Fortunato, da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, que, junto com Rodrigo Martins, lidera a investigação.

"Em papel, o processo ocorre à temperatura ambiente e para a bolacha de silício é necessário um processo térmico a 1.200 graus centígrados." O transistor de papel surgiu a partir da pesquisa de novos materiais. Inicialmente, o objetivo era encontrar transistores descartáveis para uso em sensores biológicos com aplicações na medicina.

Outros usos seriam em telas de papel e etiquetas inteligentes. "Normalmente, três a quatro anos é o período de transição do laboratório para a indústria", ela afirma. O pedido de registro de patente já foi feito e um artigo sobre o novo transistor será publicado na revista científica Electron Device Letters de setembro.

Vantagens e desvantagens

Elvira explica que, para o transistor, coloca-se sobre o papel uma camada de óxido semicondutor - no caso, óxido de zinco. "O papel nesse caso tem duas funções. É o isolante elétrico do transistor e também o suporte físico."

Entre as vantagens que ela aponta para o papel estão a de ser um suporte flexível para o transistor, muito mais leve e mais fino. No silício, a camada de semicondutores tem 500 micrômetros de espessura, enquanto a camada de óxido de zinco sobre o papel tem apenas alguns nanômetros.

A principal desvantagem é ser menos resistente.

"O objetivo não é competir com o silício. Quando fazemos um teste de gravidez ou de glicemia, utilizamos uma tira de papel que funcionam com uma reação química", diz Elvira. "Com um transistor descartável seria possível obter informações complementares a partir desses testes."
(BBC Brasil)
(O Estado de SP, 24/7)
http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=57540

29 July 2008

Asteróide Stein

JC e-mail 3563, de 28 de Julho de 2008.

Sonda investigará o asteróide Stein, "parente" da Terra

A espaçonave-robô aproveitará a proximidade com o Stein para analisar as propriedades desse bólido espacial de composição incomum

A sonda espacial Rosetta, da Agência Espacial Européia, deve chegar a 800 km do asteróide Steins no próximo dia 5 de setembro. A espaçonave-robô, cujo objetivo principal é investigar o cometa Churyumov-Gerasimenko, entre 2014 e 2015, aproveitará a proximidade com o Stein para analisar as propriedades desse bólido espacial de composição incomum.

"Observações remotas indicam que o Stein é feito de minerais com ferro e elementos mais pesados, semelhantes aos que compõem a Terra", diz o astrônomo David Nesvorny. O asteróide pode, portanto, ser um remanescente do processo que formou nosso planeta.

O Sistema Solar surgiu de um nuvem de gás e grãos de poeira, feita do material que sobrou da formação do Sol. Esses grãos se aglutinaram até formar rochas chamadas planetesimais, que colidiam entre si. A fusão delas é que originou os planetas rochosos e os asteróides.

Dependendo da distância do Sol até o local onde se formaram, os planetesimais tinham composições diferentes. Os mais próximos da estrela eram feitos de elementos mais pesados. É por esse motivo que os planetas de órbita mais central, como Mercúrio, são mais densos que aqueles mais distantes.

Segundo Nesvorny, o Stein pode ter se formado na região onde também surgiu a Terra. Só depois ele teria migrado para o cinturão de asteróides.

(Folha de SP, 26/7)
http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=57601

27 July 2008

O Paraná no 51º Concurso CIENTISTAS DE AMANHÃ

O Paraná se destacou no concurso deste ano, com dois dentre os cinco premiados. A seguir os dados e resultados do concurso de 2008. Mais detalhes sobre o Concurso veja no site: http://www.cientistasdeamanha.org.br/

51º Concurso CIENTISTAS DE AMANHÃ
60ª Reunião Anual da SBPC
Tema: “Energia, ambiente e tecnologia”

COMISSÃO JULGADORA do Concurso
Eda Terezinha de Oliveira Tassara – Presidente do IBECC e Coordenadora do Concurso Cientistas de Amanhã
Crodowaldo Pavan – Presidente de honra da SBPC, Professor Emérito da USP e UNICAMP
Ary Mergulhão – UNESCO
Ângela Maria Pimenta – CESA – USP
José Oswaldo de Soares de Oliveira – UNITAU – SP
Emília Wanda Rutkowski – FEC – UNICAMP
Yara Vicentini – LAPSI – IP – USP
Ana Maria Blanques – Secretaria de Saúde de São Paulo
Jean Bodinaud – IEE – USP
Euclides Fontoura da Silva Júnior – UFV – Viçosa/MG

TRABALHOS PREMIADOS
51º Concurso Cientistas de Amanhã 2008

Prêmio IBECC – Instituto Brasileiro de Educação Ciência e Cultura
Viagem à Barcelona com visita ao Museu de Ciência
Trabalho: Teste para disponibilização da produção de biodiesel aos pequenos produtores de forma artesanal através de gordura animal.
FLÁVIO ARAÚJO MARQUES
Escola de Bodoquena - Fundação Bradesco
Orientador: Marcelo de C. Lorenzine
Miranda - Mato Grosso do Sul

Prêmio MMA - Ministério do Meio Ambiente
Viagem à Brasília com visita Ministério e às instituições de pesquisas
Trabalho:Microbiologia democrática.
ANA CLAUDIA CASSANTI
Colégio Dante Alighieri
Orientadora: Suzana Ursi
São Paulo - São Paulo

Prêmio MEC – Ministério da Educação
Viagem à Brasília com visita ao MEC
Trabalho:Parâmetros analisados da água de Londrina após a utilização e tratamento do seu esgoto.
JÚLIA RAIMUNDO DE CARVALHO
Colégio Interativa
Orientador: Murillo Bernardi Rodrigues
Londrina – Paraná

Prêmio FioCruz
Viagem ao Rio de Janeiro com visitas aos laboratórios da Fundação Osvaldo Cruz
Trabalho: Estudo da atividade antimicrobiana in vitro do látex de Aveloz (Euphorbia Tirucalli ).
GUILHERME HENRIQUE MARTINS
Universidade Tecnológica Federal do Paraná
Orientador: José Hilton B. de Araújo
Campo Mourão - Paraná

Prêmio Cultura
Viagem às cidades históricas
Trabalho:Estudo comparativo entre o Teste da régua e o MTR.s na medição do tempo de reação simples a estímulos visuais em adolescentes.
ALINE FRÓES DE SOUZA MORAES
Colégio Koelle
Orientador: Rui Alexandre Christofoletti
Rio Claro - São Paulo


TRABALHOS COM MENÇÃO HONROSA
51º Concurso Cientistas de Amanhã 2008

MENÇÃO HONROSA
Comércio ilegal de avifauna na região metropolitana de São Paulo.
ÀGATA COBOS SALGADO
Escola Estadual Francisco Voccio
Orientadora: Elaine Aparecida Rodrigues
São Paulo - São Paulo

MENÇÃO HONROSA
Obtenção de água destilada a partir da dessalinização da água salobra.
GABRIEL BRAGA CASTRO
Complexo Educacional Dom Bosco
Orientador: Ricardo de Sousa Ferreira Junior
Imperatriz – Maranhão

MENÇÃO HONROSA
Brinquedoteca: aprendizagem através de jogos didáticos.
MAÍRA KÉZIA FREIRE SOARES
Colégio Diocesano Santa Luzia
Orientadora: Thaisa Jorgeanne Morais de Medeiros
Mossoró - Rio Grande do Norte

MENÇÃO HONROSA
Estudo ontogênico em ratos durante período neonatal.
MARCELA D´AMBROSIO
Escola Divina Providência
Orientador: Felipe Pinheiro
Jundiaí - São Paulo

MENÇÃO HONROSA
Pesquisa de mercado das principais espécies de hortaliças consumidas no município de Formoso do Araguaia.
MICHELLY ALLYNE PEREIRA DE OLIVEIRA
Escola Dante Pazzanese de Canuanã-Fundação Bradesco Orientador: Rubian Luiz Carvalho Ribeiro
Formoso do Araguaia - Tocantins

24 July 2008

Brasileiros na 40ª Olimpíada Internacional de Química

JC e-mail 3560, de 23 de Julho de 2008.
Brasileiros são premiados na 40ª Olimpíada Internacional de Química

A equipe brasileira que representou o país na 40th International Chemistry Olympiad (IChO), realizada em Budapeste, Hungria, de 12 a 21 de julho, voltou ao Brasil com medalhas

O desempenho da equipe foi melhor do que o conseguido na IChO do ano passado, em Moscou, Rússia, na qual a equipe brasileira conquistou três medalhas. Neste ano, todos os participantes foram premiados.

O Brasil foi representado por quatro estudantes, todos do Ceará, e pelos professores José Arimatéia Lopes, da Universidade Federal do Piauí (UFPI) e Nágila Silva Ricardo, da Universidade Federal do Ceará (UFC). A estudante Thaís Macedo Bezerra Terceiro Jorge conquistou a medalha de prata, enquanto os estudantes Bruno Matos Paz, Victor Tsuneichi Chida Paiva e Walter Collyer Braga ganharam medalhas de bronze.

Apoiada pela União Internacional de Química Pura e Aplicada (IUPAC), a competição reuniu estudantes do ensino médio de 71 países. Além de um exame teórico, os estudantes foram avaliados em laboratórios com a realização de três problemas de investigação química.

Seleção

Para garantir uma vaga na equipe, os quatro estudantes percorreram a Olimpíada Brasileira de Química, participaram de seletivas realizadas em seis fases, as três primeiras iniciadas em 2007 e as fases finais no primeiro semestre deste ano. Uma delas avaliou conhecimentos de técnicas de laboratório. Os 15 estudantes mais bem colocados nessa série de avaliações se deslocaram para Teresina (PI) e, durante 15 dias, participaram de cursos e discussões com professores do Curso de Mestrado em Química da UFPI. Após essa etapa, foram escolhidos os quatro representantes brasileiros na 40th IChO, na Hungria. No próximo ano, a olimpíada internacional será realizada na Inglaterra.

O Programa Nacional Olimpíadas de Química é uma atividade realizada pela Associação Brasileira de Química (ABQ) em parceria com a Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Funcap) e com o apoio do CNPq e da Capes.

Mais informações podem ser obtidas no site http://www.icho.hu
(Com informações da Coordenação Nacional do Programa Nacional Olimpíadas de Química)
(Gestão C&T, 748)

http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=57512

23 July 2008

Brasileiros na Olimpíada Internacional de Física

JC e-mail 3559, de 22 de Julho de 2008.
Brasil participa da Olimpíada Internacional de Física, no Vietnã

Evento que ocorre nesta semana tem a participação de cinco estudantes brasileiros, do Paraná, de Pernambuco e de São Paulo

Teve início nesta segunda-feira, 21, e vai até o próximo dia 29, em Hanói, capital do Vietnã, a 39ª Olimpíada Internacional de Física (IPhO, na sigla em inglês). Cerca de 400 estudantes do ensino médio, de 90 países, disputam as medalhas mais cobiçadas dos aspirantes a físico.

O Brasil também está na disputa: cinco jovens – três de São Paulo, um do Paraná e um de Pernambuco – estão em Hanói representando o País. Medalhistas de ouro na Olimpíada Brasileira de Física, eles agora buscam as medalhas da IPhO. Isso ocorreu em apenas uma ocasião, no ano passado, quando pela primeira vez o Brasil ganhou uma medalha de bronze. Entretanto, os estudantes brasileiros que participam da competição internacional de Física podem ganhar mais do que medalhas.

De acordo com Euclydes Marega Júnior, professor do Instituto de Física de São Carlos, da USP, e coordenador de preparação dos concorrentes brasileiros, a participação do Brasil na IPhO desde 2000, além da medalha de bronze e menções honrosas, trouxe outros resultados importantes: ao menos seis estudantes receberam convites para estudar em países como Estados Unidos, França e Japão.

Alex Atsushi Takeda, do Colégio Universitário, de Londrina (PR), é um dos membros da equipe que foi ao Vietnã com o propósito de trazer um bom resultado e ganhar um convite para estudar no exterior. "Se tiver a oportunidade, vou sim", enfatiza.

O paulistano Vitor Mori, do Colégio Etapa, também tem o mesmo intuito. "Um curso no exterior é a minha primeira opção". Já André Gentil Guerra Agostinho, que estudo no Colégio Gênese, no Recife, pretende continuar seus estudos no Brasil. Sobre as Olimpíadas, ele não esperava chegar até a fase internacional. “Sei que a disputa é difícil, mas vou me esforçar para trazer uma medalha”, afirma.

Também integram a equipe os paulistanos Rafael Parpinel Carvina e Guilherme da Costa, ambos do Colégio Objetivo.

Preparação – Chegar até a IPhO não é tarefa fácil. Milhares de alunos de todo o País participam de três etapas da Olimpíada Brasileira de Física (OBF), evento organizado anualmente pela Sociedade Brasileira de Física. Dentre os melhores da OBF, alguns são escolhidos para participar da etapa preparatória à disputa internacional. Os cinco brasileiros que estão no Vietnã foram selecionados de um grupo originalmente composto por 13 estudantes.

Para esta edição da IPhO, os cinco finalistas brasileiros passaram por um processo de preparação no Instituto de Física do campus da USP em São Carlos, no interior de São Paulo. Foram oito dias de treinamento em experimentos de Física, padronização de procedimentos e discussão de provas anteriores.

Na avaliação de Marega Júnior, a cada ano o Brasil vem melhorando sua participação na IPhO e ele acredita que não será surpresa a conquista de medalhas de prata ou de ouro neste ano.
(Assessoria de Comunicação das Olimpíadas)

http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=57479

22 July 2008

Mais sobre os 60 anos da SBPC

JC e-mail 3558, de 21 de Julho de 2008.
Os 60 anos da SBPC, artigo de Marco Antonio Raupp

“Algumas décadas de luta ainda serão necessárias para colocar a ciência brasileira a serviço do desenvolvimento socioeconômico do país”

Marco Antonio Raupp, matemático, doutor pela Universidade de Chicago (EUA), é o presidente da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência). Foi diretor do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e do Laboratório Nacional de Computação Científica. Artigo publicado na “Folha de SP”:

"No dia 8 de julho de 1948, cerca de 60 pessoas, atendendo a convite dos Drs. Paulo Sawaya, José Reis e Maurício Rocha e Silva, reuniram-se no auditório da Associação Paulista de Medicina para cuidar da fundação da sociedade destinada a lutar pelo progresso e pela defesa da ciência em nosso país."

Essa foi a abertura do artigo publicado na primeira edição da revista "Ciência e Cultura", em janeiro de 1949, anunciando a criação da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, a SBPC.

Era um momento da história da humanidade marcado pelo fim da Segunda Guerra Mundial, e por todo o planeta as nações tomavam consciência da necessidade imprescindível de incentivar a ciência para promover o desenvolvimento social e econômico.

A SBPC também foi criada com a preocupação de discutir a função social da ciência, como lembrou um dos fundadores, José Reis: "Quando a fundamos, Maurício Rocha e Silva, Paulo Sawaya, Gastão Rosenfeld e eu, discutimos muito essa questão e decidimos incluir entre as funções da SBPC a necessidade de criar ou difundir essa consciência social entre os cientistas brasileiros".

Permanecemos firmes no propósito de atuar como consciência crítica da sociedade. Para tanto, devemos refletir e adotar posicionamentos sobre os desafios que a ciência brasileira tem de enfrentar nos próximos anos.

Nas últimas seis décadas, o Brasil desenvolveu um sistema forte de pós-graduação e pesquisa e, com isso, nossa ciência já tem papel de destaque no cenário internacional. No entanto, essa base científica, por peculiaridade do desenvolvimento da nossa sociedade, resultou relativamente separada das demandas da atividade econômica e do processo de inclusão de regiões como Amazônia e semi-árido.

Entendemos que os desafios atuais devem ser considerados à luz das principais características e paradigmas estabelecidos entre as duas últimas décadas do século 20 e a primeira década deste século 21: a globalização; o desenvolvimento sustentável; e a economia do conhecimento.

Os componentes ou pilares básicos desses processos, necessários a qualquer país determinado a enfrentar os desafios e inserir-se no novo cenário internacional com vantagem competitiva, são: a educação de qualidade massificada e disseminada pelo país; a fluência entre a geração de conhecimento e sua transformação em bens com valor econômico; a interdependência da sustentabilidade econômica com a ambiental e a sociopolítico-cultural; e a competitividade das empresas referenciada no mundo global.

Os desafios colocados às atividades de ciência e tecnologia no país devem ser equacionados com legislação atualizada e políticas públicas que abram caminho para uma nova fase de desenvolvimento. Eis os desafios que hoje norteiam as ações da SBPC:

- revolução educacional de grande escala e em todos os níveis, buscando qualidade, universalização, profissionalização, criatividade e flexibilidade;

- superação das desigualdades regionais, promovendo a ocupação plena, racional e bem distribuída do território, com atividades educacionais e de pesquisa e desenvolvimento, ocupação esta estratégica e preparada para a incorporação das novas fronteiras do desenvolvimento, com especial referência à Amazônia;

- promoção da inovação nas empresas, superando o fosso ainda existente entre universidade e setor produtivo;

- criação de uma rede metrológica e de padrões ampla, com base científica e capacidade de promover qualidade entre as relações da exportação/importação e produção/consumo.

Vivemos um bom momento, animados pelas iniciativas do governo federal, o Plano Quadrienal da Ciência, Tecnologia e Inovação e o Plano de Desenvolvimento da Educação, além de diversas iniciativas semelhantes nos Estados. A SBPC certamente exercerá sua capacidade de mobilização e engajamento para colocar a comunidade científica do país como protagonista desses novos tempos.

Em outubro de 1949, quando foi realizada a 1ª Reunião Anual da SBPC em Campinas (SP), apenas 104 cientistas e amigos da ciência participaram do evento. Esse primeiro encontro marcou a forma como a SBPC se pronunciaria sobre os diversos eventos científicos nacionais.

Neste mês de julho, retornamos a Campinas, onde realizamos na Unicamp a 60ª Reunião Anual da SBPC. Com um público estimado em 10 mil pessoas, sabemos que já trilhamos um bom caminho.

No entanto, algumas décadas de luta ainda serão necessárias para colocar a ciência brasileira não somente em pé de igualdade com as nações mais avançadas, mas sobretudo a serviço do desenvolvimento socioeconômico do país.
(Folha de SP, 20/7)

http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=57432

21 July 2008

Por que os jovens não querem ser cientistas?

JC e-mail 3557, de 18 de Julho de 2008.
Por que os jovens não querem ser cientistas?

Pesquisa ibero-americana de percepção social da ciência, apresentada na 60ª Reunião Anual da SBPC, busca entender por que a procura de jovens por carreiras científicas está em queda

Carla Almeida escreve de Campinas para o "JC e-mail":

Pesquisas de opinião pública realizadas na América Latina, Europa e Estados Unidos têm mostrado que a ciência é uma atividade socialmente prestigiosa e que a sociedade reconhece sua função positiva na educação, economia e bem estar.

Os cientistas, por sua vez, gozam de boa reputação, possuem credibilidade e uma profissão considerada prestigiosa. Além disso, segundo a opinião pública, gostam do que fazem.

Sendo assim, o que explica a queda na procura por cursos científicos, como química e física? Por que os jovens não querem ser cientistas?

Isto é o que um grupo de pesquisadores ibero-americanos, vinculados a distintas instituições e com experiência em estudos de percepção pública da ciência, está tentando entender.

Em 2007, o grupo entrevistou 7.700 pessoas de sete grandes centros urbanos, sendo seis na América Latina – Bogotá, Buenos Aires, Caracas, Cidade do Panamá, São Paulo e Santiago – e um na Espanha – Madri.

Considerando as diferenças de sexo, idade, educação e nível informativo sobre temas de ciência e tecnologia dos entrevistados, o estudo procurou medir especificamente o poder que a ciência tem de atrair jovens que se dediquem profissionalmente a ela e a opinião sobre a remuneração dos cientistas.

Os resultados da pesquisa foram apresentados em simpósio sobre a percepção pública da ciência, nesta quinta-feira, na Reunião Anual.

No quesito atratividade, as cidades se dividem em dois grandes grupos. Em Caracas, Santiago e Panamá, a maioria dos entrevistados considera a ciência muito atrativa para os jovens. Já em Buenos Aires, Bogotá, Madri e São Paulo, a maioria pensa o contrário, que os jovens são pouco atraídos pela ciência.

O que chamou a atenção dos pesquisadores nesse ponto é que, ao cruzarem os dados, eles perceberam que os jovens entre 16 e 24 anos são os mais avessos à idéia de que a ciência é atrativa. Em Buenos Aires, por exemplo, 70% dos entrevistados nessa faixa-etária responderam que a ciência é pouco atrativa.

"Isto mostra a necessidade premente de uma política pública de educação e comunicação da ciência", disse Carmelo Polino, da Rede de Indicadores de Ciência e Tecnologia (RICYT) e do Centro de Estudos sobre Ciência, Desenvolvimento e Educação Superior (REDES), e um dos pesquisadores que conduziu o estudo.

Quanto à remuneração salarial dos cientistas, a maior parte dos entrevistados em São Paulo, Caracas, Santiago e Cidade do Panamá afirmou que a profissão do cientista é bem remunerada, enquanto em Buenos Aires e Madri grande parte acredita que os cientistas são mal remunerados. Em Bogotá houve empate técnico: 40,1% dos entrevistados consideram a profissão bem remunerada e 38,8% pensam que o salário dos cientistas é baixo.

Dessa vez, o que chamou a atenção do grupo foi o percentual de pessoas que não souberam responder à pergunta, sendo 20% a média em todas as cidades.

"A pergunta pode ter sido mal formulada, mas não me parece que foi o caso. É possível que muitas pessoas simplesmente nunca tenham parado para pensar nisso", disse Carmelo.

Um outro dado interessante é que em algumas cidades, quanto maior o nível de informação dos entrevistados, maior a crença de que os cientistas são mal remunerados.

Embora não sejam dados conclusivos, Carmelo acredita que é possível fazer algumas considerações a partir deles. Ele aponta, por exemplo, que as carreiras científicas tendem a ser vistas como carreiras difíceis, com resultados a longo prazo, o que desestimularia os jovens a segui-la.

"Há barreiras culturais. Os jovens hoje acham que para ter êxito na vida, para ter dinheiro, não é preciso estudar muito. É possível escolher uma carreira de resultados econômicos mais rápidos. A cultura do esforço, que é a cultura da ciência, vem perdendo terreno no gosto da sociedade", apontou Carmelo.

Para ele, o papel da divulgação e da educação em ciência também é relevante na hora do jovem decidir o futuro profissional. "Há evidências que mostram que alunos que tiveram professores estimulantes, bons, têm uma visão diferente sobre as ciências".

Mas, para entender melhor o quadro atual de desinteresse pela profissão científica, os pesquisadores já estão com outras pesquisas em mente. Ainda este ano, eles irão conduzir estudo sobre como jovens entre 15 e 17 vêem a ciência, as carreiras científicas, o ensino de ciências na escola e um eventual futuro profissional orientado à pesquisa e à carreira de desenvolvimento tecnológico.

Para 2009 já está previsto um estudo com professores de ensino médio para avaliar como eles vêem a ciência e a tecnologia, sua formação profissional e o ensino de ciências.

Esses estudos estão em sintonia com as intenções do Ministério da Ciência e Tecnologia brasileiro, através do Departamento de Difusão e Popularização da Ciência, de realizar pesquisas com jovens e professores de ciência, como informou o diretor do departamento, Ildeu de Castro Moreira, participante do simpósio.

Moreira anunciou também que está em discussão uma pesquisa com cientistas sobre como vêem a relação da ciência com a cultura e disse que haverá uma nova enquête de percepção pública da ciência no Brasil em 2009, utilizando metodologia aprimorada. Em 2007, o MCT divulgou os dados de enquête realizada em todo o país sobre o assunto.

Além de Carmelo Polino e Ildeu de Castro Moreira, participou também do simpósio José Luis Luján, da Universidade de lês Illes Balears, que apresentou os dados de estudo sobre a percepção pública do princípio de precaução, no âmbito do Programa de pesquisa de percepção da Espanha.

http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=57407

17 July 2008

60 anos da Reunião Anual da SBPC

JC e-mail 3554, de 15 de Julho de 2008.
SBPC em três tempos

Presidente da entidade destaca período de fundação da SBPC, da luta durante o governo militar e o papel de reivindicação e proposição após redemocratização

O aniversário de 60 anos da Reunião Anual da SBPC foi tema de mesa-redonda nesta segunda-feira, em Campinas, reunindo o presidente da entidade, Marco Antonio Raupp, o presidente da Academia Brasileira de Ciências, Jacob Palis, e o físico Fernando Galembeck.

Para Raupp, a história e o papel da SBPC na luta pela ciência e para a melhoria da vida do povo brasileiro, pode ser dividida basicamente em três períodos, dividindo os 60 anos em três períodos de 20 anos. “Nos 20 primeiros anos, a SBPC se pautava pela valorização do trabalho do cientista e num esforço de aglutinação de pesquisadores de diversas áreas para a construção de propostas coerentes, sempre para a ciência e para o nosso desenvolvimento”.

Algumas dessas propostas, ressalta ele, foram a criação por Anísio Teixeira, que foi presidente da SBPC, e Darcy Ribeiro, da Universidade de Brasília. “A proposta de reforma universitária teve sua gestação dentro da SBPC”, disse ele.

Ele citou ainda a criação do CNPq, na década de 50, e da Fapesp, no início década de 60, como momentos de efetiva participação da SBPC em momentos decisivos da ciência nacional. “Esses casos mostram que a SBPC sempre teve focada em seu papel construtivo. Quando tínhamos que criticar, nós criticávamos, mas na hora de uma efetiva ampliação da melhoria institucional da área de C&T, também estávamos lá, com uma visão propositiva”, defendeu.

Um segundo momento, dividido por Raupp, é o governo militar. Apesar de segundo ele não ter partido da SBPC os debates pela redemocratização, os fóruns de discussão foram minguando até que restou somente as reuniões da Sociedade para a defesa da liberdade. “A ciência precisa de liberdade para pensar, para o debate, então foi um caminho natural se tornar palco para os discursos pela redemocratização”.

Mas segundo ele, mesmo durante os anos de chumbo, a SBPC continuou a debater e lutar também pela pesquisa científica, com a realização conjunta, durante a Reunião anual, de diversos congressos de sociedades científicas associadas.

Palis concordou dizendo que durante a ditadura, os militares pensaram em colocar o CNPq dentro da estrutura do Ministério da Indústria. Segundo Palis, esse seria um terrível revés para a já combalida área.

“Fomos à Casa Civil eu e outros representantes do Conselho Deliberativo do CNPq e Ennio Candotti e Carolina Bori, pela SBPC. Assim que chegamos, o então ministro da Casa Civil nos disse: ‘A SBPC mudou, veio buscar o diálogo!’. Na hora, Ennio respondeu: ‘E vice-versa!’”, contou. Palis disse que, após a conversa, o plano não se concretizou.

O terceiro momento, enxerga o presidente da SBPC, teve como pontos iniciais a redemocratização e a criação do Ministério da C&T, em 1985. “A partir desse momento, entramos num ciclo de críticas, mas também num momento de efetiva participação na construção da política e novos mecanismos de apoio à C&T”, diz Raupp.

Ele lembra de quando o primeiro ministro Renato Archer organizou num Auditório da Fapesp uma reunião com cientistas para saber qual a melhor forma de se montar o ministério. “Ele foi publicamente pedir ajuda e dicas para compor o ministério. Neste momento, houve uma clara colaboração, mas alguns anos depois já houve novos problemas”.

Raupp cita a entrada no poder de Fernando Collor. “Foi um momento pouco propício, mas nos esforçamos para propor melhorias, mas a ciência não era encarada como um programa de médio e longo prazo, algo essencial para o seu desenvolvimento”. O momento presente, diz ele, é de total colaboração com o governo. Segundo Raupp, tanto a Sociedade como a Academia Brasileira de Ciências são chamadas a participar e debater os rumos da área.

“Voltamos a ter um planejamento, uma ligação da política de C&T com a política industrial e de desenvolvimento do país, com o foco na inovação. Esta é uma oportunidade para a SBPC propor e participar de atividades que levem o Brasil a um novo patamar”, finalizou.

Palis disse que o pensamento da Academia. Defendendo que a SBPC e ABC sempre tiveram papéis complementares, “desde quando o presidente da Capes era Anísio Teixeira (ex-presidente da SBPC) e o do CNPq era Álvaro Alberto (ex-presidente da ABC), há um entendimento que vem se estreitando cada vez mais”.

Ele destacou lutas contemporâneas, como a defesa da C&T para o desenvolvimento da Amazônia, acesso ao patrimônio genético, valorização da carreira de C&T, melhora da Educação em todos os níveis e integração nacional.

Galembeck não se ateve apenas aos 60 anos passados, mas defendeu um papel preponderante da SBPC na defesa da inovação, incitando os pesquisadores a terem maio contato com o setor produtivo. Ele cita como exemplo o caso do etanol. A seu ver, o programa brasileiro na área é um exemplo sem comparação em todo o mundo e se desenvolveu com muita pesquisa, mas sem a participação das Universidades e institutos de pesquisa.

Ele acredita que o petróleo, a nanotecnologia e outros combustíveis renováveis podem marcar o futuro do país e de todo o mundo, mas para o seu desenvolvimento ele defende como necessária uma maior inserção dos pesquisadores em empresas e projetos inovadores. A SBPC, acredita ele, pode fazer uma ponte entre o mundo acadêmico e empresarial.

Concordando com Galembeck, Raupp, diz que desde a Reunião Anual de Florianópolis, há dois anos, está é uma grande preocupação da entidade. “Inclusive nesta Reunião, estamos promovendo mesas-redondas e conferências com empresários inovadores, como do laboratório farmacêutico Aché e da empresa de carrocerias para ônibus e caminhões Marcopolo”, citou.
(Luís Amorim)

http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=57326

16 July 2008

Reunião Anual da SBPC de 2008

JC e-mail 3553, de 14 de Julho de 2008.
Maior evento de C&T do país volta a Campinas

Foi aberta neste domingo a 60ª Reunião Anual da SBPC, no campus da Unicamp

Daniela Oliveira e Luís Amorim escrevem de Campinas para o "JC e-mail":

O orgulho e a emoção de retornar à cidade de Campinas, palco da primeira Reunião Anual da SBPC, marcaram a cerimônia de abertura da 60a edição do evento, realizada na noite deste domingo.

Ao abrir a reunião, o reitor da Unicamp, José Tadeu Jorge, resumiu o sentimento geral da mesa: “Há 60 anos, quando foi criada a SBPC, eram apenas uma centena de cientistas, hoje esperamos mais de 15 mil pessoas neste evento. Isso mostra o crescimento da importância da C&T no país, mas também o enorme esforço de muitos brasileiros pesquisadores para atingirmos esse patamar”.

Ele citou que o momento é oportuno para o debate do tema central do evento: Energia, Ambiente e Tecnologia. “Este tema está em sintonia com o debate nacional e internacional e esperamos que com as discussões saiam propostas para o desenvolvimento brasileiro numa perspectiva sustentável e de levar maior igualdade social ao nosso povo”, finalizou.

Concordando com Tadeu Jorge, o presidente da SBPC, Marco Antonio Raupp, destacou a importância da união de pesquisadores para o sucesso da instituição: “A 60ª Reunião Anual já é um sucesso pelo significado próprio que abriga o crescimento, fortalecimento e continuidade do trabalho de milhares de cientistas, pesquisadores, professores e estudantes que têm se reunido na SBPC ao longo das últimas seis décadas”. (leia na matéria abaixo a íntegra do discurso de Raupp).

Vogt, ex-vice-presidente por duas vezes da SBPC e atual Secretário de Ensino Superior de SP, disse que a força da SBPC reside na fé no conhecimento e que a realização desta terceira reunião anual em Campinas é um esforço continuado dos atores participantes das duas anteriores, em 1949 e 1982.

O ministro da C&T, Sergio Rezende, que já foi conselheiro e secretário regional da SBPC por diversas vezes, foi mais um a exaltar o papel da entidade no desenvolvimento da C&T no país. Segundo Rezende, a SBPC tem levantado a bandeira da inovação, ponto que agora tem ganhado força nas políticas do governo. Ele citou ainda mais dois exemplos: a cooperação internacional e a divulgação científica. “A SBPC tem levado as Ciências aos mais distantes rincões deste país e também para a América do Sul. Ela foi responsável direta pela criação da revista Ciencia Hoy na Argentina, ajudando na integração dos dois países. E essa aproximação é uma prioridade do Governo Lula”.

Ele anunciou que será lançado neste segundo semestre de uma edição conjunta das revistas Ciencia Hoy e Ciência Hoje para aproximar ainda mais os dois países. “Essas linhas de atuação da SBPC têm norteado a ação do Ministério”, disse.

Presente na mesa de abertura, o presidente da Capes, Jorge Guimarães, enumerou os desafios que, a seu ver, devem ser enfrentados pelo país na área científico-tecnológica: a melhoria da educação básica, a capacitação de recursos humanos para a Amazônia e o avanço na transferência do conhecimento produzido pela comunidade científica para o setor industrial.

“Não estamos sós em nenhum desses desafios”, disse Guimarães, referindo-se especialmente à contribuição da SBPC e da Academia Brasileira de Ciências (ABC) nas questões da educação e da Amazônia, e à colaboração entre agências do MCT e do MEC. Raupp disse que a entidade está junto com o MEC na luta pelo aumento de oportunidades de educação, buscando atender aos anseios de inclusão social e econômica da sociedade. E também com relação ao desenvolvimento da região amazônica, “apoiado com toda força pela SBPC”.

“Grandes questões, como a Amazônia e a educação, são também desafios da SBPC. Esses são pontos de fundamental importância para o desenvolvimento da Ciência no país”, ressaltou Raupp.

Hugo Valadares, presidente recém-eleito da Associação Nacional de Pós-graduandos (ANPG), afirmou que a nova diretoria está aberta ao diálogo com a SBPC, demais entidades científicas e com órgãos de governo. “Tenho certeza que, juntos, vamos colocar o Brasil no patamar científico e tecnológico que o país precisa e merece”, disse.

O mesmo discurso de apoio veio da presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Lúcia Stumpf. “É necessária a união de pesquisadores e estudantes para mudar o rumo da Educação Superior no país, para enfrentarmos o problema da falta de vagas e da formação deficiente. Vamos parar de formar advogados e administradores e cobrir a demanda por professores de matemática e Ciência”, disse.

Também participaram da mesa de abertura o presidente da ABC, Jacob Palis; o diretor científico da Fapesp, Carlos Henrique de Brito Cruz, representando o presidente da fundação, Celso Lafer; e os coordenadores locais da Reunião, Eduardo Guimarães, que falou em nome da organização, e Marcelo Knobel.

Homenagens

Durante a cerimônia de abertura, foram homenageados o geneticista Crodowaldo Pavan e o físico Sérgio Mascarenhas. A jornalista Alicia Ivanissevich, editora da revista Ciência Hoje, recebeu o Prêmio José Reis de Divulgação Científica das mãos do presidente do CNPq, Marco Antonio Zago. Ele aproveitou a ocasião para homenagear a SBPC pelos 60 anos.

Também foram anunciados os finalistas do concurso ‘Cientistas do Amanhã’. Encerrou a cerimônia o Trio Carcoarco, com um concerto de rabecas.

http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=57290

13 July 2008

Universidade na próxima década

JC e-mail 3552, de 11 de Julho de 2008.
As universidades na década vindoura, artigo de Jacques Marcovitch

Espera-se que o Brasil acadêmico aprofunde a análise do fenômeno da internacionalização e faça as melhores escolhas

Jacques Marcovitch é professor titular da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP. Foi reitor da USP (1997-2001) e secretário de Economia e Planejamento do Estado de São Paulo (2002, gestão Alckmin). É autor de livros "Universidade Viva", entre outros livros. Artigo publicado na “Folha de SP”:

A universidade é uma instituição-chave para que a próxima década venha a ser mais próspera e mais justa. Nenhuma outra instância pode contribuir de forma tão direta para o avanço científico-tecnológico, a emergência de bons quadros profissionais e a formação de novas mentalidades.

Essa constatação nos leva à expectativa de que universidades brasileiras, especialmente as bem situadas na área de pesquisa, mirem o ano de 2020 como horizonte para a sua integração no seleto grupo das cem melhores do mundo, periodicamente identificadas no Academic Ranking of World Universities.

Além dessa prova de reconhecimento externo, cabe-lhes avaliar outras tendências de internacionalização adotadas no mundo desenvolvido. Importantes academias européias, como a Sorbonne, ou americanas, como a New York University, vêm expandindo suas atividades de ensino e pesquisa no exterior, sobretudo no mundo árabe, com expressivo financiamento de governos locais.

Cremos não haver, na história recente, exemplo mais impactante de ousadia em matéria de internacionalização e competição no ensino superior. E há outras referências. A China, por exemplo, já explicitou a determinação de incluir duas de suas universidades (Pequim e Tsinghua) no grupo das cem melhores do mundo, hoje constituído em sua maioria por instituições dos Estados Unidos e do Reino Unido.

As universidades americanas há muito se preocupam com a classificação no US News & World Report, as européias visam o suplemento de ensino superior do "Times". Mas todas, em todo o mundo, miram os levantamentos por critério de desempenho feitos pelos pesquisadores do Instituto de Educação Superior da Universidade de Jiao Tong, de Xangai.

A iniciativa chinesa do Academic Ranking of World Universities reflete o interesse daquela potência emergente em conhecer as universidades capazes de receber seus jovens e inspirar o desenvolvimento interno do ensino superior. É nesse processo que o governo daquele país investe cerca de 80 milhões de dólares por ano como recursos adicionais em duas instituições já referidas.

Além dos Estados Unidos e do Reino Unido, que lideram a classificação geral no ranking, outros países, cujo idioma nacional não é a língua inglesa, possuem universidades que apresentam desempenho considerável em áreas específicas.

Um quadro divulgado em 2008 revela que Japão, Suíça, Suécia, Alemanha, Holanda, Israel e China têm dez ou mais universidades ocupando um dos lugares entre as cem melhores universidades em áreas de ensino/ pesquisa estudadas pelo Academic Ranking of World Universities. Entre as universidades brasileiras, a USP ocupa, em 2008, o 92º lugar no grupo de cem melhores universidades nas áreas de medicina e farmácia.

Como entender as instituições que participam de um seleto grupo de cem melhores no amplo universo de mais de 4.000 universidades espalhadas pelo mundo? Os fatores apontados por especialistas que estudam as universidades de destaque global incluem concentração de talentos, destaque mundial em pesquisa, fluxos financeiros previsíveis e elevada capacidade de articulação com a sociedade.

Uma articulação entre os fatores acima citados pode gerar uma sinergia, por enquanto insuficientemente explorada no Brasil, e que vem obtendo aceleração inédita em outros países, aproximando a universidade e o corpo social. Projetos nessa direção terão o país como principal beneficiário e o desenvolvimento social como desfecho -o que interessa a todos os cidadãos.

A academia é por si mesma uma revolução permanente, com etapas que se antecipam ou retardam, conforme decisões exigidas pelos contextos históricos. Os gestores universitários, em todo o mundo, defrontam-se agora com um cenário de mudanças jamais verificado na longa história do ensino e da pesquisa.

Trata-se de um processo em plena evolução e que deve ser cuidadosamente observado. Essas mudanças não ocorrem somente no exercício da profissão acadêmica, mas também na estrutura administrativa das instituições.
As universidades devem olhar para longe, entender o que acontece além dos limites nacionais, para reduzir cada vez mais as margens do desconhecimento. Tendo por horizonte o novo período que começa em 2010, espera-se que o Brasil acadêmico aprofunde, nos próximos 20 meses, a análise do fenômeno da internacionalização e faça as melhores escolhas.
(Folha de SP, 11/7)
http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=57279

12 July 2008

Vidro especial aumenta a eficiência da energia solar

JC e-mail 3552, de 11 de Julho de 2008.
Vidro especial "turbina" a energia solar

Criado por cientistas dos EUA, "concentrador de luz" multiplica por dez a eficiência de painéis para gerar eletricidade. Grupo já criou empresa para vender a invenção; tecnologia vai baratear custo do megawatt solar, diz engenheiro do MIT

Igor Zolnerkevic escreve para a “Folha de SP”:

Um futuro em que edifícios serão catedrais repletas de vitrais coloridos -capazes de captar a luz do Sol e concentrá-la para gerar eletricidade- começa a ser pintado por um grupo de pesquisadores do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts). Os cientistas apresentam hoje sua nova invenção, o OSC (concentrador solar orgânico, em inglês), capaz de ampliar em dez vezes a eficiência de painéis solares.

Sobre uma placa de vidro, uma película fina de corantes especiais funciona como uma armadilha que prende a luz. As moléculas dos corantes absorvem raios do Sol e os reemitem dentro do vidro. "Uma vez dentro do vidro, ela não pode sair", disse Jonathan Mapel, que desenvolveu a tecnologia com mais quatro colegas do MIT. A invenção está descrita na edição de hoje da revista "Science" (http://www.sciencemag.org).

Segundo Mapel, o funcionamento do vidro colorido lembra o da fibra óptica. "Quando você dispara laser numa ponta da fibra, essa luz reflete dentro dela até alcançar a outra ponta", disse. Do mesmo jeito, a luz coletada por toda a superfície do vidro viaja para as bordas. Ali, a luz concentrada pode ser captada por qualquer painel solar, mas com um ganho de eficiência.

Hoje, painéis solares são caros demais para cobrir, digamos, uma planície deserta inteira com eles. Daí o interesse em concentrar a luz do Sol incidindo sobre uma grande superfície em uma pequena área. Atualmente, as usinas de energia solar usam grandes espelhos curvos em série para redirecionar luz aos painéis. Como girassóis, esses espelhos se movem ao longo do dia, evitando fazer sombra um no outro.

Sem a ajuda desses espelhos, um painel solar convencional converte apenas 14% da energia da luz solar em eletricidade. Usando os espelhos gigantes, a eficiência chega a no máximo 40%, mas a estratégia é cara. "Até agora, ninguém conseguiu fazer esses espelhos mais baratos que os painéis solares comuns de telhado", disse Mapel.

Além do preço, outra desvantagem dos espelhos é que eles não concentram só luz, mas também calor. Os painéis solares precisam, então, ser esfriados para funcionar direito.

Carbono e silício

A idéia de usar películas com corantes para concentrar luz solar já tinha sido explorada nos anos 1970, mas foi descartada porque os corantes da época não transportavam luz por distâncias suficientes. Mapel e seus colegas ressuscitaram a idéia quando pesquisavam painéis solares "orgânicos", feitos de compostos de carbono -usado em lugar do silício, material mais comum dos painéis.

"As propriedades ópticas dos orgânicos são superiores, mas as propriedades eletrônicas do silício são drasticamente melhores", explicou Mapel. Eles resolveram, portanto, "dividir para conquistar": usar corantes orgânicos para concentrar a luz e o silício para convertê-la em eletricidade.

Prepararam então vários tipos de misturas de corantes para aplicar nos OSCs. Cada uma delas absorve melhor uma certa cor -freqüência, para os físicos-, que compõe a luz branca do Sol. O OSC mais eficiente construído pelos pesquisadores é composto de uma placa que absorve luz azul e verde, posicionada sobre outra, que absorve luz vermelha.

Mapel acredita, porém, que o uso mais interessante dos OSCs será simplesmente "turbinar" os painéis solares já em uso. Com melhorias no protótipo descrito na "Science", ele espera que um painel convencional acoplado a um OSC ultrapasse a eficiência dos painéis acoplados a espelhos, chegando a aproveitar mais de 50% dos quase 5 megawatts-horas que atingem em média cada metro quadrado da Terra.

Mapel e seus colegas já abriram uma empresa para comercializar a nova tecnologia, a Covalent Solar. A produção pode começar em três anos. O engenheiro diz apostar em um futuro onde a geração distribuída e descentralizada de energia solar reduzirá custos. Numa utopia solar não haveria grandes usinas. Cada edifício teria seu próprio painel para evitar o desperdício que ocorre na transmissão com cabos.
(Folha de SP, 11/7)
http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=57285

11 July 2008

Últimas missões do ônibus espacial da NASA

JC e-mail 3550, de 09 de Julho de 2008.
Nasa anuncia aposentadoria de ônibus espaciais em maio de 2010

Nova geração de naves substituirá as atuais depois da montagem da ISS

O último lançamento de um ônibus espacial da Nasa está marcado para o dia 31 de maio de 2010. A agência espacial dos EUA anunciou ontem (8/7) que as três espaçonaves que restam da frota original de cinco terão apenas mais dois vôos neste ano, cinco em 2009 e três em 2010, antes de se aposentarem.

As datas anunciadas podem ser alteradas, em caso de problemas técnicos, e uma missão extra pode acontecer. O mais provável, porem, é que até 2011 o veículo que foi o "burro de carga" da Nasa durante duas décadas se transforme em peça de museu. A missão ainda não confirmada é a que levaria à ISS (Estação Espacial Internacional) o experimento AMS que vai investigar a existência da chamada matéria escura, que não emite luz nem nenhum outro tipo de radiação.

O vôo que levaria o AMS ao espaço foi suspenso, junto com outras missões, devido ao acidente com o ônibus espacial Columbia, em 2003. O orçamento para que ele entre no cronograma de novo teria de ser aprovado pelo Senado dos EUA. Se o financiamento da missão for rejeitado, o AMS, que custou mais de US$ 1,5 bilhão -não só dinheiro dos EUA- pode nunca decolar.

No próximo dia 8 de outubro, a espaçonave Atlantis parte para a última missão de reparos no Telescópio Espacial Hubble. No dia 10 de novembro, o ônibus espacial Endeavour entra em órbita para dar continuidade à montagem da ISS. O objetivo de todas as missões seguintes previstas pelo cronograma é completar a construção da estação espacial.

A Nasa quer substituir sua frota de ônibus espaciais na próxima década pelos foguetes Ares e pelos módulos tripulados Orion, ainda em projeto. Até os novos veículos ficarem prontos, os astronautas dos EUA pegarão carona em espaçonaves russas Soyuz.
(Com Associated Press e Efe)
(Folha de SP, 9/7)
http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=57212

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JC e-mail 3551, de 10 de Julho de 2008.
Últimas missões do ônibus espacial

Nasa divulga cronograma dos dez vôos programados para o ônibus espacial até 2010. Veículo será usado para reparos no Hubble e na construção da ISS antes de se aposentar, após quase 30 anos de atividade

Serão somente mais dez viagens. As últimas depois de 122 missões desde 12 de abril de 1981, quando ocorreu o lançamento da Colúmbia, marco na história da exploração espacial.

A Nasa, agência espacial norte-americana, anunciou nesta segunda-feira (7/7) as missões derradeiras do ônibus espacial, que deixará de ir ao espaço em 2010, sendo substituído por novos veículos como o projetado Órion.

Os dez lançamentos daquele que é atualmente o único programa norte-americano de vôos tripulados estão marcados. O próximo está previsto para 8 de outubro, com a Atlantis, com duração de 11 dias. O objetivo será levar astronautas para realizar reparos no Hubble, de modo que o telescópio espacial possa continuar funcionando bem pelo menos até 2013, quando seu sucessor, o James Webb, deverá entrar em operação

No mês seguinte será a vez da Endeavour, que levará equipamentos e alimentos para que mais astronautas possam permanecer simultaneamente na Estação Espacial Internacional (ISS). As demais missões estão previstas também para a ISS, projeto ao qual a Nasa foi acusada de não dar a devida importância. Segundo a agência, os nove vôos à ISS “refletem o comprometimento com a construção da estação”.

Em 2009, estão previstas cinco missões, dos veículos Discovery (fevereiro), Endeavour (maio), Atlantis (julho) e, novamente, Discovery (outubro) e Endeavour (dezembro).

No ano seguinte, serão outras três: Atlantis (fevereiro), Discovery (abril) e Endeavour (maio). A última missão, quatro meses antes do que havia sido previsto anteriormente, levará componentes que serão instalados no exterior da ISS, entre os quais duas antenas para comunicação em banda S e escudos para proteção contra micrometeoróides.

O primeiro vôo tripulado do programa levou o comandante John Young e o piloto Robert Crippen para 36 voltas em torno da Terra em um pouco menos de 55 horas. Antes foram feitos quatro vôos de testes com a Enterprise.

Até hoje, os veículos com mais missões são a Discovery, com 34, seguida pela Atlantis, com 29. A Challenger fez apenas dez, explodindo em 1986 apenas 73 segundos após o lançamento, em tragédia que matou os sete tripulantes.

O outro desastre do programa ocorreu em 2003, quando a Colúmbia, em seu 28º vôo, desintegrou durante a reentrada na atmosfera, matando outros sete astronautas. Apesar do notável sucesso do programa, a tragédia levou o governo norte-americano a programar a aposentadoria do ônibus espacial.

Outro motivo é que o space shuttle, como é conhecido em inglês, é capaz apenas de atingir a órbita baixa da Terra, o suficiente para ir ao Hubble ou à ISS, que estão, respectivamente, a 590 e a 350 quilômetros da superfície. Mas, para levar o homem de volta à Lua e pela primeira vez a Marte, como está previsto pelo programa espacial norte-americano, serão necessários outros veículos.

Mais informações: http://www.nasa.gov/shuttle
(Agência Fapesp, 10/7)
http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=57245

10 July 2008

Produção científica brasileira

JC e-mail 3551, de 10 de Julho de 2008.
USP lidera ranking da ciência nacional

Maioria dos artigos científicos publicados é de instituições públicas

Demétrio Weber escreve para “O Globo”:

A Universidade de São Paulo (USP) foi a instituição brasileira que mais publicou artigos científicos — 4.804 — no ano passado, segundo balanço divulgado ontem pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). Em segundo lugar, ficou a Unicamp, com 1.743, seguida pela UFRJ, com 1.516.

O balanço usa dados do Instituto para a Informação Científica (ISI, na sigla em inglês), dos Estados Unidos, que monitora dez mil revistas especializadas.

Em 2007, o Brasil publicou 19.428 artigos, o equivalente a 2,02% da produção mundial. Com isso, manteve a 15º posição entre 178 países, à frente de Suíça, Suécia e Israel. As 23 instituições brasileiras mais produtivas são públicas.

Em 24º lugar, com 180 artigos, aparece a PUC-RJ. As universidades estaduais de São Paulo responderam por mais de um terço da produção científica nacional. Além da USP e da Unicamp, a Universidade Estadual Paulista (Unesp) ficou em quarto lugar, com 1.378 publicações.

A Fiocruz, ligada ao Ministério da Saúde, aparece na 8º posição, com 530 artigos, mesmo número da Universidade Federal do Paraná. A UFF ficou em 15º, com 374; a Uerj em 18º , com 322; a Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) em 36º, com 93.

Segundo o presidente da Capes, Jorge Guimarães, a produção científica segue o ritmo da formação de doutores. No Brasil, a distribuição é desigual. Em 2006, a média no país era de 20,9 professores doutores para cada cem mil habitantes.

O Distrito Federal, porém, tinha a maior taxa — 50,5 —, seguido pelo Rio, com 36, e São Paulo, com 31,3. Na ponta de baixo, as taxas de 12 estados das Regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste eram inferior a dez. O Brasil forma atualmente cerca de dez mil doutores por ano. A meta, em 2010, é chegar a 16 mil.
(O Globo, 10/7)
http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=57233

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JC e-mail 3550, de 09 de Julho de 2008.
Produção científica brasileira é a 15ª em todo o mundo

Com 19.428 artigos publicados em 2007, o país responde por 2,02% do total da produção científica no mundo, superando a Suíça (1,89%) e a Suécia (1,81%) e aproximando-se da Holanda (2,55%) e da Rússia (2,66%)

Os números foram divulgados nesta terça-feira, 8, pelo ministro da Educação, Fernando Haddad, e pelo presidente da Capes, Jorge Guimarães.

Entre os países latino-americanos, o Brasil é destaque. Em segundo lugar no continente vem o México, na 28ª posição mundial, com 7.469 artigos publicados no mesmo período, o que corresponde a 0,78% da produção no mundo. Quando combinados os fatores território (países com mais de quatro milhões de quilômetros quadrados), população (países com mais de 100 milhões de habitantes) e economia (países com PIB maior do que 400 milhões de dólares), o Brasil figura entre os quatro primeiros produtores científicos do mundo, junto com a Rússia, os Estados Unidos e a China.

No quesito qualidade, medido pela porcentagem de citações - quantidade de artigos citados em outras publicações - o Brasil está em 25º lugar na lista mundial, com 57,6% de artigos citados no período de 2003 a 2007. Em primeiro, está a Dinamarca, seguida pela Suíça. Nesse ranking, China e Rússia ficam atrás do Brasil.

"Continuamos uma trajetória consistente no aumento da produção científica brasileira", afirma Haddad. "Nossa grande tarefa, agora, é traduzir esse acúmulo de conhecimento para a área do magistério, formando professores para a educação básica." Segundo o ministro, outro passo importante a ser dado é transformar o potencial de produção científica em aplicação no trabalho. "A Lei de Incentivo à Pesquisa começa a sair do papel. Começam a chegar os primeiros projetos de pesquisa aplicada", relata.

Para Jorge Guimarães, entre os motivos para a boa colocação do país estão os programas de iniciação científica, o fortalecimento da pós-graduação, a formação de grupos de pesquisa, as cooperações internacionais e, mais recentemente, o Portal de Periódicos da Capes. "O mundo dobrou a produção científica de 1981 a 2006. O Brasil aumentou em nove vezes", exemplifica.

A área brasileira que se destaca no âmbito mundial em produção científica é a agricultura, com 4.139 artigos produzidos entre 2003 e 2007 - 4% da produção total em todo o mundo. Já dentro do país, o destaque vai para a medicina: 3.745 artigos publicados em 2007. Entre os artigos brasileiros citados nos últimos quatro anos, 71% são da área de neurociências.

"Os artigos brasileiros sobre agricultura são pouco citados mundialmente porque a nossa agricultura é tropical; não interessa tanto para países com outro clima", explica Guimarães.

Para o presidente da Capes, a expectativa para a produção científica brasileira em 2008 é grande. Até agora, o número de publicações é de 18.390. Destas, 14.961 são de artigos científicos. "É quase certo que ultrapassemos a marca de 2007", comemora.
(Assessoria de Comunicação do MEC)

Capes retifica informação

A Capes havia dito anteontem (7/7) à Folha que o Brasil está em 16º lugar no ranking de produção científica, atrás de Taiwan (15ª), mas emitiu retificação. O Brasil, com 19.428 artigos publicados em 2007, é quem está em 15º.
(Folha de SP, 9/7)
http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=57202

06 July 2008

Missão Messenger em Mercúrio

JC e-mail 3547, de 04 de Julho de 2008.

Ciência Hoje On-line: Mercúrio revisitado

Análise de imagens captadas pela sonda Messenger revela nova face do planeta mais próximo do Sol

O sobrevôo recente do planeta Mercúrio por uma sonda pode ajudar os especialistas a conhecer melhor esse planeta. A missão Messenger, lançada pela agência espacial norte-americana (Nasa) em agosto de 2004, produziu uma série de imagens em janeiro deste ano, durante um primeiro vôo feito a cerca de 200 km da superfície. Ao todo, serão realizados mais dois sobrevôos antes que a sonda entre na órbita de Mercúrio, em 2011.

A análise das imagens obtidas pela Messenger acaba de vir a público, em um pacote de 11 artigos publicados esta semana na Science. Os estudos foram realizados por uma equipe da Nasa e de diversas entidades norte-americanas, liderada por Sean Solomon, da Instituição Carnegie de Washigton (EUA). Os primeiros resultados permitiram traçar um panorama mais preciso da dinâmica do interior, da superfície, da atmosfera e do campo magnético do planeta, um dos menores do sistema solar, com apenas 4,8 mil km de diâmetro.

Leia a matéria completa na “CH On-line”, que tem conteúdo exclusivo atualizado diariamente: http://cienciahoje.uol.com.br/122977

http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=57136

05 July 2008

Produção científica brasileira cresceu 133% em 10 anos

JC e-mail 3547, de 04 de Julho de 2008.
Produção científica cresce 133% em 10 anos no país

Número de artigos em 2007, no entanto, caiu em relação a 2006, mostra ranking. Levantamento foi feito pela Capes, ligada ao Ministério da Educação, e pela editora científica Scopus; chineses quadruplicaram publicações

Marta Salomon escreve para a “Folha de SP”:

Medida em número de artigos publicados em periódicos internacionais, a produção científica brasileira cresceu 133% nos últimos dez anos, só perdendo da China, entre os países emergentes, no ritmo de crescimento na década. Os chineses mais do que quadruplicaram a publicação de artigos.

Em 2007, cientistas brasileiros publicaram 26.369 artigos em publicações estrangeiras. Isso representa 1,75% da produção mundial. O número é inferior ao registrado em 2006 (26.661). O presidente da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), Jorge Guimarães, não se manifestou ontem sobre os motivos da queda.

Segundo o biomédico Rogério Meneghini, especialista em cienciometria (que estuda a produtividade em pesquisa), o movimento seria apenas uma "oscilação". Ele chamou a atenção para o fato de o indicador aferir mais quantidade do que qualidade das pesquisas.

Nesse período de dez anos, os EUA mantiveram a liderança do ranking, no qual o Brasil ocupa o 15º lugar desde 2006, cinco postos acima da posição ocupada em 1998. Os números têm como base o indicador SCImago, que usa o banco de dados Scopus, mantido pela editora científica homônima. O ranking lista 233 países.

O resultado brasileiro em 2007 representou mais da metade de toda a produção científica da América Latina. Na região, o México, segundo colocado, ocupa a 30ª posição no ranking mundial.

Medicina foi a área de pesquisa que concentrou o maior número de artigos brasileiros publicados no ano passado, com quase 20% do total. Na seqüência, vêm agricultura e ciências biológicas, bioquímica, genética e biologia molecular, física e astronomia.

Cinco instituições se destacaram na produção de artigos científicos: USP, Unicamp e as universidades federais de Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Minas Gerais, nessa ordem. Integram os quadros dessas universidades 11 dos 16 pesquisadores apontados como destaques da produção científica da década. Eles receberão na próxima quinta-feira um prêmio da Capes em parceria com a editora holandesa Elsevier.

O chefe do departamento de Farmacologia da USP, Fernando de Queiroz Cunha, disse que a concentração de artigos na área médica vem dos investimentos dirigidos ao tema: "É a área que mais profissionalizou a produção científica".

Pesquisador da Embrapa e outro dos escolhidos para receber o prêmio, Elibio Rech é mais conhecido por participar do desenvolvimento da primeira patente de transgênico da estatal, uma variedade de soja tolerante a herbicida. Rech também publicou trabalhos sobre o genoma da teia de aranha, com o objetivo de produzir polímero biodegradável e sobre a produção de fármacos biotecnológicos contra o vírus da Aids.

"O avanço da pesquisa científica no Brasil fica evidente quando comparamos os resultados com o restante da América Latina e com outros países emergentes", observou Dante Cid, diretor para a América Latina da Elsevier.
(Folha de SP, 4/7)
http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=57111

04 July 2008

Brasil nas Olimpíadas Internacionais: Prata na Física e Bronze na Biologia

JC e-mail 3566, de 31 de Julho de 2008.
Conquista inédita: estudante brasileiro ganha medalha de prata na Olimpíada Internacional de Física

Brasileiros conquistaram também uma medalha de bronze e duas menções honrosas, no melhor desempenho do país

Pela primeira vez um estudante brasileiro conquistou uma medalha de prata na Olimpíada Internacional de Física (IPhO, na sigla em inglês), evento que se realizou em Hanói, capital do Vietnã, de 21 a 29 de julho.

O autor do feito é Guilherme Victal Alves da Costa, de 16 anos, aluno do terceiro ano do ensino médio no Colégio Objetivo-Cantareira, em São Paulo (SP). Até então, o melhor desempenho de estudantes brasileiros na IPhO havia sido a conquista da medalha de bronze, no ano passado. A Olimpíada Internacional de Física alcançou neste ano a sua 39ª edição; o Brasil participa desde o ano 2000, por iniciativa da Sociedade Brasileira de Física.

O êxito dos estudantes brasileiros em 2008 não tem precedente: dos cinco que foram ao Vietnã, quatro tiveram seu desempenho reconhecido. Além da prata de Guilherme, o paranaense Alex Atsushi Takeda, do Colégio Universitário, de Londrina (PR), ganhou a medalha de bronze.

Já André Gentil Guerra Agostinho, que estuda no Colégio Gênese, no Recife (PE), e Rafael Parpinel Carvina, do Colégio Objetivo, de São Paulo (SP), foram reconhecidos com menções honrosas. Também representou o País o paulistano Vitor Mori, do Colégio Etapa. A equipe brasileira foi chefiada pelo professor Euclydes Marega Júnior, do Instituto de Física de São Carlos, da USP, que também coordenou os trabalhos de preparação dos estudantes.

Participaram da 39ª IPhO cerca de 400 alunos do ensino médio, de 90 países. A medalha de ouro foi entregue a 46 estudantes; 47 ganharam a de prata e 78, a de bronze. O diploma de menção honrosa foi atribuído a 87 participantes.

Dentre os países da América Latina, o Brasil teve o melhor desempenho. Em seguida veio Cuba, com uma medalha de bronze. Dois estudantes argentinos, dois colombianos e um mexicano ganharam menção honrosa.

Os integrantes da equipe brasileira retornam do Vietnã na noite desta quarta-feira, dia 30, no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos.
(Assessoria de Imprensa da Sociedade Brasileira de Física)
http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=57669

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JC e-mail 3566, de 31 de Julho de 2008.
Brasil ganha sua primeira medalha na Olimpíada Internacional de Biologia - (IBO)

Entre os dias de 14 e 21 de julho foi realizada em Mumbai (Índia) a XIX International Biology Olympiad (IBO)

A delegação brasileira deste ano foi formada pelos alunos Pedro Carvalho Bessa (CE), Pedro Rogério (CE), Pedro Sabino (CE) e Daniel Carvalho Zen (ES), e os professores Claudia Russo (UFRJ) e Rubens Oda (ANBio). Os quatro alunos foram selecionados na Olimpíada Brasileira de Biologia (OBB) que já está se encaminhando para a sua quinta edição.

Neste ano, a IV OBB foi aplicada na maioria dos estados brasileiros contando com mais do que 25.000 alunos de ensino médio participantes. Pedro Bessa, já medalhista de ouro na última Olimpíada Iberoamericana de Biologia (México), conseguiu a primeira medalha brasileira em uma Olimpíada Internacional de Biologia (Índia), alcançando uma medalha de bronze entre 215 estudantes de 55 países.

Entre os dias 31 de agosto e 7 de setembro será promovida pela UFRJ a II Olimpíada Iberoamericana de Biologia. Os alunos, também selecionados pela OBB, participarão de provas práticas e teóricas realizadas na Universidade Federal do Rio de Janeiro competindo com alunos de países como Espanha, México, Bolívia, Argentina, Peru, Costa Rica e Chile.

Para mais informações sobre a Olimpíada Brasileira de Biologia (OBB) visite o site http://www.anbiojovem.org.br ou escreva para o e-mail olimpiadas@anbio.org.br
(Com informações da ANBio)
http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=57670

04 July 2008

Novos resultados das sondas Voyager-1 e 2

JC e-mail 3546, de 03 de Julho de 2008.
Sonda mostra Sistema Solar "amassado"

Espaçonave Voyager-2 cruza a primeira fronteira em direção ao espaço interestelar e descobre que ela é torta e se mexe. Partículas emitidas pelo Sol penetram o espaço de modo diferente dependendo da direção que seguem; sonda transmitirá dados até 2025

Rafael Garcia escreve para a “Folha de SP”:

A sondas Voyager-1 e 2, os objetos humanos mais distantes da Terra, acabam de render uma descoberta inesperada: o Sistema Solar não é tão redondo quanto se pensava. Em uma série de estudos publicados hoje (3/7) sobre as análises conduzidas pela Voyager-2, cientistas mostram que a heliosfera -a zona de influência exclusiva do Sol- não é bem uma esfera, como sugere seu nome, mas tem uma forma mais oval no sul, como se tivesse sido amassada.

Os trabalhos que comparam os resultados obtidos pelas sondas -a Voyager-1 seguiu para o norte- estão na edição de hoje da revista "Nature" (http://www.nature.com). Os estudos são os primeiros publicados depois de as duas terem cruzado o "choque de terminação", zona em que o vento solar -as partículas eletricamente carregadas emitidas pelo Sol- começa a colidir com o vento interestelar até ser desviado e parar.

Esse fenômeno ocorre muito longe, a mais de cem vezes a distância entre a Terra e o Sol. Literalmente, é onde o vento solar faz a curva. "O choque é mais perto do Sol no sul do que no norte", explicou à Folha Edward Stone, físico do Caltech (Instituto de Tecnologia da Califórnia) que liderou o principal estudo.

"Isso significa que a matéria interestelar ao redor exerce uma pressão maior no sul. Provavelmente isso ocorre porque há um campo magnético interestelar no sul posicionado de modo a causar esse desequilíbrio."

Segundo o cientista, esse campo magnético que distorce a heliosfera é criado pelo próprio plasma interestelar, mas a assimetria não era prevista em teoria. Em média, esse magnetismo corre em harmonia com a galáxia, mas antigas explosões de estrelas podem ter causado uma perturbação local que afeta o Sistema Solar.

Os dados da Voyager-2 também indicam que a fronteira da heliosfera é instável e se movimenta o tempo todo. Em sua viagem rumo ao infinito, a nave cruzou várias vezes o choque de terminação, para dentro e para fora, porque ele se mexe.

A baterias das sondas, lançadas em 1977, devem durar até 2025. Em 2013, a Voyager-1 deve atingir a heliopausa, a área onde o vento solar pára.
(Folha de SP, 3/7)
http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=57100

04 July 2008

Novos resultados das sondas Voyager-1 e 2

JC e-mail 3546, de 03 de Julho de 2008.

19. Sonda mostra Sistema Solar "amassado"

Espaçonave Voyager-2 cruza a primeira fronteira em direção ao espaço interestelar e descobre que ela é torta e se mexe. Partículas emitidas pelo Sol penetram o espaço de modo diferente dependendo da direção que seguem; sonda transmitirá dados até 2025

Rafael Garcia escreve para a “Folha de SP”:

A sondas Voyager-1 e 2, os objetos humanos mais distantes da Terra, acabam de render uma descoberta inesperada: o Sistema Solar não é tão redondo quanto se pensava. Em uma série de estudos publicados hoje (3/7) sobre as análises conduzidas pela Voyager-2, cientistas mostram que a heliosfera -a zona de influência exclusiva do Sol- não é bem uma esfera, como sugere seu nome, mas tem uma forma mais oval no sul, como se tivesse sido amassada.

Os trabalhos que comparam os resultados obtidos pelas sondas -a Voyager-1 seguiu para o norte- estão na edição de hoje da revista "Nature" (http://www.nature.com). Os estudos são os primeiros publicados depois de as duas terem cruzado o "choque de terminação", zona em que o vento solar -as partículas eletricamente carregadas emitidas pelo Sol- começa a colidir com o vento interestelar até ser desviado e parar.

Esse fenômeno ocorre muito longe, a mais de cem vezes a distância entre a Terra e o Sol. Literalmente, é onde o vento solar faz a curva. "O choque é mais perto do Sol no sul do que no norte", explicou à Folha Edward Stone, físico do Caltech (Instituto de Tecnologia da Califórnia) que liderou o principal estudo.

"Isso significa que a matéria interestelar ao redor exerce uma pressão maior no sul. Provavelmente isso ocorre porque há um campo magnético interestelar no sul posicionado de modo a causar esse desequilíbrio."

Segundo o cientista, esse campo magnético que distorce a heliosfera é criado pelo próprio plasma interestelar, mas a assimetria não era prevista em teoria. Em média, esse magnetismo corre em harmonia com a galáxia, mas antigas explosões de estrelas podem ter causado uma perturbação local que afeta o Sistema Solar.

Os dados da Voyager-2 também indicam que a fronteira da heliosfera é instável e se movimenta o tempo todo. Em sua viagem rumo ao infinito, a nave cruzou várias vezes o choque de terminação, para dentro e para fora, porque ele se mexe.

A baterias das sondas, lançadas em 1977, devem durar até 2025. Em 2013, a Voyager-1 deve atingir a heliopausa, a área onde o vento solar pára.
(Folha de SP, 3/7)
http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=57100

02 July 2008

Tomografia dos Stradivarius

JC e-mail 3545, de 02 de Julho de 2008.
Densidade é o segredo do Stradivarius, diz pesquisa

Pesquisador holandês pôs violinos raros em tomógrafo computadorizado. Os dois tipos de madeira usados nos instrumentos do séc. 18 tinham peso similar; hoje, as mesmas árvores são muito diferentes entre si

Eduardo Geraque escreve para a “Folha de SP”:

Mais uma tentativa de resolver o contra-senso tecnológico dos violinos -os mais antigos são melhores que os atuais. Desta vez, segundo pesquisa publicada hoje (2/7) na revista científica "PLoS One", o grande segredo da qualidade de som dos Stradivarius e dos Del Gesù pode estar na densidade dos dois tipos de madeira usados, respectivamente, por Antonio Stradivari e Giuseppe Guarnieri del Gesù, ambos luthiers de Cremona, cidade da Itália.

A idéia do radiologista Berend Stoel, da Universidade de Leiden (Holanda), foi colocar sete violinos e uma viola (construídos recentemente) em um tomógrafo computadorizado. Ele fez o mesmo com dois Stradivarius e três Del Gesù, todos fabricados entre 1715 e 1735. Hoje, o preço desses instrumentos vai de US$ 1 milhão a US$ 3,5 milhões. Não só pela grife, mas por causa da extrema qualidade do som que emitem.

A principal diferença obtida pelas medições feitas pelo cientista holandês - ele assina o trabalho ao lado do luthier americano Terry Borman- está na densidade das madeiras dos instrumentos antigos.

Em comparação com os atuais violinos, tanto o pinheiro-da-noruega (Picea abies) quanto o bordo (Acer platanoides) -ambos usados na construção de um violino, mas em partes diferentes-, apresentavam no século 18 um grau de dureza parecido. As madeiras usadas em Cremona não eram nem muito duras, nem muito moles -diferentemente do que ocorre nos dias de hoje.

Os instrumentos contemporâneos apresentam uma diferença de densidade entre as madeiras. O pinheiro usado no espelho (parte da frente de um violino) é mais duro do que antes. Enquanto o bordo, usado na parte de trás, não apresenta muita diferença. "Esse é apenas um item que pode explicar a diferença entre os violinos do passado e os de agora", diz a Folha a física Maria Lúcia Grillo, professora da Uerj (Universidade Estadual do Rio de Janeiro).

Segundo a cientista, que estuda acústica musical, vários outros segredos já foram especulados. "Posso elencar uma lista deles. E os próprios autores fazem isso agora. Um, por exemplo, é o tipo de tratamento utilizado para a madeira. O verniz poderia ser importante, assim como a aplicação de amônia ou o fato de a madeira ter sido colocada sobre o vapor d"água também".

O próprio pesquisador da Holanda, em seu estudo, diz que a densidade pode ser apenas um fator importante para explicar a diferença na vibração do violino ou na modificação da irradiação do som. "Ele apenas ajuda a entender o som superior dos instrumentos antigos", escreve ele.

Para o maestro brasileiro Luís Roberto Perez, formado na USP, mas hoje também ligado ao departamento de Física da Uerj, não adianta querer ficar "redescobrindo a pólvora". Ele afirma que o segredo dos Stradivarus e dos Del Gesù está definitivamente perdido.

"Tem até um outro fator, [além dos mais científicos]. Esses violinos sempre foram tocados por grandes músicos. Isso, inclusive, acaba melhorando o próprio instrumento ao longo do tempo", afirma o músico. Para Perez, seria melhor tentar melhorar os violinos de hoje e ponto final. "Existe o problema do lobo [vibração irregular que ocorre entre algumas notas], que me incomoda bastante quando estou tocando", diz o também violonista.
(Folha de SP, 2/7)
http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=57072