Ciência, Tecnologia e outros papos

Gelo em Marte

JC e-mail 3538, de 23 de Junho de 2008.
Sonda americana escavou gelo em Marte

Material, que parecia sal, desapareceu do solo; água congelada pode ter se transformado em vapor

Felipe Maia escreve para a “Folha de SP”:

Técnicos da missão da sonda Phoenix estão convictos de que o material brilhante encontrado na superfície de Marte é gelo e não sal. Eles chegaram a essa conclusão porque quantidades do material que haviam sido fotografadas pela sonda desapareceram do solo -indicando que a água congelada se transformou em vapor após ter sido exposta ao ar rarefeito.

A Phoenix está em Marte desde o dia 25 de maio, com a missão de investigar as características da água e de outros materiais existentes no pólo Norte do planeta -procurando por condições propícias para a vida, como compostos orgânicos. Os cientistas querem saber se o gelo, que abunda no pólo Norte, já derreteu no passado, tornando Marte propício à vida.

"Tudo o que nós vimos nos espectros é consistente com [a existência de] gelo nas valas. As últimas imagens da vala mostram que o material brilhante está desaparecendo. Isso pode ser gelo sublimando, mas não sal", disse Nilton Rennó, cientista da Universidade do Arizona que participa da missão.

Segundo ele, os pesquisadores ainda analisam o assunto, mas "quase não há mais dúvidas" de que o material seja gelo. "Um dos nossos grandes medos na missão era cavar e não achar nada", disse Peter Smith, cientista-chefe da Phoenix.

Para confirmar a informação, a Phoenix vai colocar amostras da superfície em um instrumento chamado Tega (sigla em inglês para Analisador de Gás Térmico e Expandido).

Outra evidência de que o material é gelo é a dureza do solo encontrado próximo ao local em que a Phoenix está. Eles apostam que a sonda está fixada sobre um bloco de gelo. Outro buraco feito anteontem pela sonda achou material da mesma consistência, na mesma profundidade.

Falta de memória

Nesta semana, a Phoenix enfrentou problemas de memória e perdeu alguns dados. Rennó reconhece que o problema atrasou "um pouco" as pesquisas. Mas outras atividades foram mantidas, como cavar o solo e testar técnicas para colocar amostras nos experimentos.
(Folha de SP, 21/6)

http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=56866

Publicado em 24 de junho de 2008 às 19:00 por appoloni

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