reproduzido de
JC e-mail 3402, de 03 de Dezembro de 2007.
Na contramão da pesquisa, artigo de Telma Gimenez
Parece desnecessário mencionar o constrangimento a que os professores das universidades estaduais estão submetidos com essa situação e os enormes prejuízos que tais medidas burocráticas trazem para as universidades e para o próprio Estado do Paraná
Telma Gimenez é professora universitária em Londrina. Artigo publicado na “Folha de Londrina”:
No momento em que é anunciado o PAC da Ciência pelo governo federal, com maior aporte de recursos para bolsas e pesquisadores brasileiros, professores universitários do Paraná ainda sofrem o drama de não poderem participar de eventos no exterior para divulgação de suas pesquisas e intercâmbio com outros pesquisadores.
Isto é fruto de dois decretos do governo do Paraná (3498/2004 e 5098/2005) que requerem permissão prévia do governador Roberto Requião em processos burocráticos que podem durar até noventa dias.
Enquanto em outras universidades como a Unicamp, por exemplo, há incentivo a esse tipo de participação, no Paraná prevalece a visão pessoal do governador de que professores viajam ao exterior para ‘‘passear’’, ainda que seus projetos tenham passado por crivo de agências de fomento externas e dos comitês científicos dos eventos. Mais ainda, que as próprias administrações das universidades não têm competência para julgar se os pedidos de licença têm mérito ou não.
O curioso é que o pressuposto só se aplica se a viagem for para fora do país. Assim, pesquisadores renomados, com convites freqüentes de organizações internacionais, que obtiveram apoio de agências de fomento nacionais ou internacionais e até mesmo da Fundação Araucária (que financia pesquisas no Paraná) têm seus pedidos negados, com incontáveis prejuízos para a produção científica.
Parece desnecessário mencionar o constrangimento a que os professores das universidades estaduais estão submetidos com essa situação e os enormes prejuízos que tais medidas burocráticas trazem para as universidades e para o próprio Estado do Paraná.
A internacionalização dos programas de pós-graduação, por exemplo, que é um requisito para que a instituição receba mais recursos, é sensivelmente prejudicada pela falta de laços com a comunidade internacional.
Se cada viagem ao exterior requer a avaliação pessoal do governador sobre o mérito, sem que fiquem claros quais critérios norteiam suas decisões, será cada vez mais difícil, senão impossível, elevar o patamar das pesquisas e da pós-graduação em nosso estado.
Como garantir a excelência das pesquisas e dos programas de pós-graduação - doutorado e mestrado - do Estado do Paraná se os professores são impedidos e/ou desestimulados a saírem do país para apresentarem suas pesquisas em eventos ou para se capacitarem? É, no mínimo, um contra-senso que a política nacional aponte para um incentivo à pesquisa e nosso governador trafegue na direção contrária.
(Folha de Londrina, 2/12)
http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=52762
Publicado em 03 de dezembro de 2007 às 16:07 por appoloni