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30 November 2007

Censo dos grupos de pesquisa no Brasil

reproduzido de
JC e-mail 3400, de 29 de Novembro de 2007.

CNPq divulga novo censo de grupos de pesquisa no Brasil

Responderam ao Censo 2006 mais de 21 mil grupos de pesquisa de 403 instituições, englobando 90.320 pesquisadores e 128.969 estudantes

O CNPq divulga os resultados do novo censo do Diretório dos Grupos de Pesquisa no Brasil. Realizado durante o ano de 2006, o censo apresenta o cenário atualizado da ciência brasileira a partir de informações dos grupos de pesquisa, sua distribuição geográfica, as linhas de pesquisa, bem como a produção científica, tecnológica e artística dos pesquisadores e estudantes.

Grupos de pesquisa e pessoal envolvido

Responderam ao Censo 2006 mais de 21 mil grupos de pesquisa de 403 instituições, englobando 90.320 pesquisadores e 128.969 estudantes. Estes números representam um importante crescimento em relação ao censo anterior, de 2004, quando foram registrados 19 mil grupos e 77 mil pesquisadores.

Dentre os pesquisadores registrados, 57,5 mil são doutores, representando 64% do total. São cerca de 10 mil doutores a mais que os registrados no censo de 2004.

Distribuição geográfica

Os novos dados obtidos mostram que vem ocorrendo uma pequena, mas constante, descentralização regional da pesquisa. Só nos últimos dois anos, enquanto o Sul e Sudeste, juntos, registraram um crescimento de 5% no número de grupos, as regiões Centro-Oeste, Nordeste e Norte cresceram cerca de 17%, destacando-se ainda mais a região Norte, com 21%.

Como conseqüência, a participação percentual dessas três regiões (CO, NE, NO) em relação ao Brasil cresceu de 24% para 26%.

Linhas de pesquisa

Foram registradas 76.719 linhas de pesquisa, sendo as áreas com maior concentração a: Medicina, com 4.928 linhas; Agronomia, com 4.363; Educação, com 3.897; Química, contando com 3.606; e 2.794 linhas na Física.

Mulheres na pesquisa

Do total de pesquisadores do Censo 2006, 48% são mulheres e 52% homens. Essa relação percentual tem se alterado sempre em favor das mulheres, ou seja, a participação percentual delas vem crescendo em todos os Censos.

Um crescimento contínuo - em média quase dois pontos percentuais a cada censo - e sólido. E isto se verifica também em relação à condição de liderança. Assim, embora os grupos, em sua maioria (57%) sejam liderados por homens, as mulheres estão cada vez mais ocupando a condição de líder de grupo.

O diretório

O Diretório dos Grupos de Pesquisa é uma importante fonte de informação sobre a pesquisa realizada no Brasil. Suas bases contêm dados sobre os recursos humanos constituintes dos grupos, as linhas de pesquisa, as especialidades do conhecimento, os setores de atividade envolvidos, a produção C&T dos participantes e os padrões de interação dos grupos com o setor produtivo.

Criado em 1992 pelo CNPq, suas informações são atualizadas permanentemente e, a cada dois anos, um censo é realizado. A cada censo, toda a comunidade representada no Diretório é convocada a atualizar as informações dos grupos. Essas são processadas e apresentadas à comunidade científica e ao público em geral, oferecendo a todos um panorama da capacidade instalada de pesquisa no país.

As informações completas de todos os censos já realizados, com séries históricas, súmulas estatísticas e buscas podem ser acessadas pelo endereço http://dgp.cnpq.br/censos/index.htm.
(Assessoria de Comunicação Social do CNPq)

http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=52654

29 November 2007

Teste genético identifica melhor uva para vinhos

reproduzido de JC e-mail 3399, de 28 de Novembro de 2007.

Teste genético identifica melhor uva para vinhos

Genoma da planta rende primeiras ferramentas

Ricardo Bonalume Neto escreve para a “Folha de SP”:

Cientistas dos EUA e da Itália identificaram os "genes do amadurecimento" em uvas e criaram um novo método para selecionar frutos. Não só os genes, mas os principais processos bioquímicos envolvidos na maturação, foram decifrados.

Isso permitirá que em breve seja possível detectar com mais precisão qual uva, ou qual cultivar, produzirá bons vinhos. Em dois novos estudos na revista "BMC Genomics", os cientistas mostram ferramentas derivadas do genoma da uva (Vitis vinifera), divulgado em agosto.

"O amadurecimento da uva implica em muitos processos biológicos e moleculares. Até agora, é monitorado por meio de métodos triviais que calculam o teor de açúcar, de acidez, que permitem estimar o estado de amadurecimento", disse à Folha o líder do estudo americano, Laurent Deluc, da Universidade de Nevada, em Reno.

Segundo ele, essas técnicas não permitem saber com precisão se o amadurecimento chegou ao auge. Seria preciso ter outros "indicadores" e a expressão (ativação) dos genes pode cumprir esse papel. "Se existir um gene cuja expressão seja muito alta na época da colheita, você pode usá-lo como um bom marcador", diz. A tecnologia de chips de DNA permite saber ao mesmo tempo como se ativam 16 mil genes.

A equipe americana pesquisou sete estágios do desenvolvimento de uvas Cabernet Sauvignon. "A análise identificou um conjunto de genes desconhecidos potencialmente envolvidos em estágios críticos associados ao desenvolvimento da fruta que podem agora ser sujeitados a testes", escreveram os cientistas.

Além de descobrir detalhes do funcionamento de genes fundamentais, ligados à fotossíntese ou à resistência a doenças, eles puderam ver outros relacionados à produção de compostos aromáticos e à regulação dos flavonóides, substâncias essenciais para o sabor dos vinhos.

"Os flavonóides são críticos para a estabilidade do vinho através do tempo", diz Deluc. Saber quais genes são importantes para o acúmulo desses compostos pode permitir aos pesquisadores "gerenciar melhor" a uva, ou até criar variedades transgênicas, diz Deluc.

Os estudo italiano, que usou uvas Pinot Noir, achou cerca de 1.400 genes específicos do amadurecimento e viu como sua expressão flutuava de modo semelhante durante o processo em três estações de colheita. Foi possível ver que um grupo menor de genes foi fortemente influenciado por condições climáticas, provando que a boa safra requer uma combinação de uva, solo e clima.

"A produção de vinho ainda pode ser considerada uma arte, mas uma alta qualidade da uva é sempre um pré-requisito para fazer vinhos de alta qualidade." diz Stefania Pilati, uma das autoras do estudo italiano. Deluc vai além. "A produção de vinho deixou de ser uma arte, está se tornando uma ciência com um propósito econômico real."
(Folha de SP, 28/11)

http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=52632

27 November 2007

Maria Julieta Ormastroni e os 50 Anos do Concurso Cientistas de Amanhã

Maria Julieta Ormastroni e os 50 Anos do Concurso Cientistas de Amanhã

Dia 28 de novembro, das 14 às 18 horas acontecerá o Colóquio de Comemoração ao Cinquentenário do Concurso Cientistas de Amanhã, promovido pelo IBECC, SPBC e UNESCO. Será no Auditório Lupe Cotrim, na ECA / USP, Cidade Universitária, São Paulo. Na ocasião haverá uma merecida homenagem à Professora Maria Julieta Ormastroni.
Veja mais sobre o importante concurso, que há meio século ajuda a formar importantes pesquisadores no Brasil, no site: http://www.cientistasdeamanha.org.br

Sobre minha amiga Maria Julieta, transcrevo o que publiquei em 2003 na minha Coluna C&T ( http://www.fisica.uel.br/c&t/ ):

"Neste momento, em que o trabalho de despertar os jovens pelo gosto da pesquisa e iniciá-los na metodologia científica é reconhecido formalmente pelas agências de fomento como parte fundamental da política de formação de recursos humanos para a C&T, não posso deixar de escrever algumas linhas sobre quem batalhou para abrir este caminho juntamente com José Reis, Oscar Sala e Carolina Bori, sobre uma mulher que desde o início e durante quarenta anos esteve à frente da coordenação do Concurso Cientistas de Amanhã - CCA. Trata-se de Maria Julieta Ormastroni. No livro “Idealistas Isolados”, volume 2, 1999, editado pelo Núcleo José Reis de Divulgação Científica da ECA/USP, foi publicado um precioso artigo de Maria Julieta, com o título de “Concursos Cientistas de Amanhã – das origens à atualidade”, onde em 15 páginas está resumida toda uma história de vida dedicada à educação científica. Coordenação de 40 CCA’s até 1998, os clubes de ciência e cultura, a direção do IBECC/UNESCO, as feiras de ciências, artigos de divulgação científica para crianças na Folhinha de São Paulo, escritora de livros de ficção para crianças e estudiosa incansável até hoje, Maria Julieta merece ser lembrada e homenageada, pois seu legado frutificou em todas as frentes em que atuou. Maria Julieta foi a ganhadora de 1985 do Prêmio José Reis de Divulgação Científica, concedido pelo CNPq".

26 November 2007

USP, Unicamp e o ranking das Universidades

reproduzido de:
JC e-mail 3397, de 26 de Novembro de 2007.

USP, Unicamp e o ranking das Universidades, artigo de José Tadeu Jorge

É relevante saber quais qualidades levaram as duas instituições brasileiras a figurar num círculo restrito de universidades de 1ª linha

José Tadeu Jorge, doutor em ciências de alimentos, é reitor da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e presidente do Cruesp (Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas). Artigo publicado na “Folha de SP”:

A inclusão da USP (Universidade de São Paulo) e da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) no ranking das 200 melhores instituições de ensino superior do mundo, conforme divulgado pelo "The Times Higher Education Supplement" no início de novembro, é fato que merece atenção e análise. Se não pela posição que ambas ocupam entre milhares de universidades espalhadas pelo mundo, já em si honrosa, seguramente pelo salto que deram desde o surgimento dessa avaliação comparativa, há quatro anos.

A USP, que, na lista anterior, aparecia em 284º lugar, surge neste ano no 175º posto, uma evolução de nada menos que 109 posições. Já a Unicamp saltou do 448º lugar para o 177º, um avanço tão notável a ponto de situá-la ao lado da Universidade de Dublin e à frente de instituições prestigiosas como as universidades de Leicester, Antuérpia, Canterbury, Oslo, Barcelona e Kobe.

A Universidade Autônoma do México (192º colocada) é a única outra instituição latino-americana a constar do ranking. Para compor a lista, os organizadores ouviram 5.101 especialistas em todo o mundo, sobretudo acadêmicos, mas também empregadores e estudantes internacionais. E confrontaram publicações relevantes, visando detectar, no período, os textos científicos de maior impacto e influência.

Não chega a ser novidade que os dez primeiros lugares sejam dominados por universidades norte-americanas e inglesas, com Harvard na ponta, e que, fora desse âmbito, apenas quatro instituições -uma canadense, uma australiana, uma japonesa e outra de Hong Kong- apareçam entre as 20 melhores.

Outros rankings têm sistematicamente confirmado essa polarização. A primeira universidade européia não anglófona a aparecer é a École Normale Supérieure, da França, no 26º posto. A lista completa se fecha em torno de 28 países, círculo do qual surpreendentemente se excluem, ao menos nessa edição do ranking, sistemas universitários tradicionais como os de Rússia, Índia e Argentina.

Ponto importante a ser considerado, no contexto de levantamentos comparativos dessa natureza, é que, se na Europa a idade das universidades se conta por séculos, no Brasil, ela ainda se conta por décadas. Embora o país tenha instalado suas primeiras escolas superiores isoladas a partir de 1808, com a chegada da corte portuguesa, somente no século 20 passou a haver aqui universidades congruentes, integradoras e capazes de traduzir a "unidade na diversidade".

As primeiras universidades norte-americanas, Harvard, Yale e Filadélfia, surgiram respectivamente em 1636, 1701 e 1755. Quando foi criada a antiga Universidade do RJ, em 1920, já havia 78 universidades espalhadas pelos Estados Unidos e 20 pela América Latina, como as de São Domingos, fundada em 1538, São Marcos, no Peru (1551), México (1553), Bogotá (1662), Cusco (1692), Havana (1728) e Santiago (1738). Em contrapartida, a USP, alma mater da universidade pública brasileira, surgiu apenas em 1934, e a Unicamp nem bem terminou de comemorar seu quadragésimo aniversário.

Por certo é relevante saber quais qualidades levaram as duas instituições brasileiras a figurar num círculo restrito de universidades de primeira linha. Os próprios critérios de avaliação dão pistas nesse sentido, bem como o processo de ausculta utilizado.

Pesaram fortemente na indicação, não há dúvida, a densidade de seus programas de pesquisa, a inserção internacional de seus pesquisadores, o impacto de seus "papers" no mundo científico, a capacidade de inovação e o cultivo de um modelo que faz da pesquisa e da extensão elementos qualificadores do ensino, com influxo na formação dos estudantes e na preparação de profissionais capazes de intervir nas frentes de desenvolvimento social, industrial, cultural etc.

Tem também seu significado o fato de que as duas instituições sejam de São Paulo, único Estado brasileiro em que as universidades públicas -USP, Unicamp e Unesp- contam com a prerrogativa da autonomia plena, inclusive de gestão financeira. Gerindo a si mesmas desde 1989 graças à vinculação de seus orçamentos à arrecadação do ICMS estadual, essas universidades puderam refinar suas escolhas de prioridades, estabelecer metas e acelerar a qualificação acadêmica de docentes e de gerações sucessivas de alunos.

Os resultados não tardaram a aparecer, com reflexos em praticamente todos os indicadores, como demonstrado em diversas ocasiões. Era natural que, cedo ou tarde, fossem percebidos aqui e além, para estímulo não só da USP e da Unicamp, mas da universidade brasileira como um todo.
(Folha de SP, 25/11)

http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=52532

09 November 2007

"Berçário" de raios cósmicos

JC e-mail 3387, de 09 de Novembro de 2007.
Jornal da Ciência

Grupo vê "berçário" de raios cósmicos

Observatório Pierre Auger identifica de onde partem os raros petardos ultra-energéticos que chegam até a Terra. Consórcio de 17 países, que inclui o Brasil, resolve um mistério que atormenta a física há 25 anos

Eduardo Geraque escreve para a “Folha de SP”:

A fotografia de Albert Einstein (sem a manjada língua de fora) na sala do físico Carlos Escobar, da Unicamp, serve como aviso: o trabalho feito ali não tem nada de trivial, nem envolve escalas triviais de grandeza.

Escobar passou mais de uma década estudando os raros raios cósmicos ultra-energéticos, misteriosos disparos naturais de partículas que fustigam a Terra de tempos em tempos. Agora, ele acaba de ajudar um consórcio internacional formado por cientistas de 17 países a decifrar de onde eles vêm.

A descoberta, que pode ser considerada uma das mais importantes da cosmologia neste início de século, está publicada na revista "Science" de hoje. "Agora sabemos que os raios cósmicos de alta energia são originários de galáxias próximas à nossa", explica Escobar.

Para se enquadrarem na categoria "alta energia", as partículas precisam ter pelo menos 16 joules, o que pode parecer pouco, mas não é. Se partículas com essa energia pesassem 1 miligrama, cada uma delas causaria um impacto sobre a Terra semelhante ao de um monte Everest viajando a 200 km/h. Para nossa sorte, elas têm menos de um bilionésimo da massa de um grão de areia.

O que os cientistas fizeram, a partir do Observatório Pierre Auger, na Argentina, foi seguir o trajeto contrário dos raios de alta energia, compostos de prótons e outros núcleos atômicos que viajam pelo Universo a uma velocidade próxima à da luz.

Os petardos minúsculos perdem energia quando se chocam com a radiação cósmica de fundo, um resquício do Big Bang que banha todo o Universo, e aterrissam como uma chuveirada. "A direção desses raios a partir da fonte não é muito distorcida, o que permite segui-los", diz Escobar.

Todos os 27 disparos estudados e captados pelos tanques (que medem a energia) e telescópios (que seguem a luz dos raios) do Pierre Auger começaram, lá fora da galáxia, a uma distância menor que centenas de milhões de anos-luz (algo próximo dos 9,5 trilhões de quilômetros) da Terra.

Batalha naval

A forma de saber de onde partiu um raio cósmico é semelhante ao trivial jogo de batalha naval. Os cientistas usam uma espécie de mapa do céu, um catálogo sofisticado que contém galáxias já estudadas.

Quando não dá "água!" é possível saber de onde vêm os raios. "A galáxia Centauro A é uma fonte, por exemplo", explica Escobar. "Todas elas estão em núcleos ativos de galáxias". Essas regiões são alimentadas por buracos negros supermaciços, os glutões energéticos.

A origem da energia extrema, lembra Escobar, sempre foi alvo de polêmica, além de ser considerada um grande mistério científico. Alguns grupos achavam que só seria possível explicar o fenômeno, se uma nova teoria física fosse feita.

Porém, para alegria do próprio Escobar, as fontes, como se vê agora, não são obra de extraterrestres. "A origem pode ser perfeitamente explicada. Ela não viola, por exemplo, a relatividade de Einstein."

Observatório registra só 30 raios por ano

Por serem raros e de difícil detecção, apenas 30 raios cósmicos de alta energia, em média, podem ser estudados por ano no observatório montado no sul da Argentina.

Depois de identificada a origem da alta energia cósmica, será possível entender como ela se forma. Numa especulação científica, em um futuro distante, talvez seja possível usar essa energia extrema em laboratórios especiais.
(Folha de SP, 9/11)

06 November 2007

16% dos cientistas do Brasil estão em empresas

JC e-mail 3383, de 05 de Novembro de 2007.

Inovação: Apenas 16% dos cientistas do país estão em empresas

O número ajuda a explicar a baixa inovação no setor produtivo nacional; Nos EUA, porcentual é de 80%

Fernando Dantas escreve para “O Estado de SP”:

As empresas brasileiras têm poucos cientistas, e não sabem utilizar o potencial de pesquisa e inovação proporcionado pela interação com as universidades e institutos de pesquisa. Este é um importante fator para explicar por que as atividades de pesquisa e desenvolvimento no Brasil ainda são fortemente dominadas pelo setor público.

A negligência das empresas em construir pontes com o mundo da ciência também está na raiz do baixo nível de inovação do setor produtivo nacional, apesar do razoável desempenho científico do país - em 2005, o Brasil foi o 17º maior produtor de ciência no mundo, medindo-se pela publicação de trabalhos em publicações especializadas.

Segundo um trabalho recente de Carlos Henrique Brito Cruz, diretor científico da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), apenas 16% dos cientistas brasileiros trabalham em empresas, comparado com porcentuais próximos a 80% em países com os EUA e a Coréia do Sul.

Apesar da visão tradicional de que a universidade brasileira não está preparada para ir além da pesquisa pura e para dar suporte à inovação no mundo dos negócios, Brito Cruz aponta que as empresas também têm a sua responsabilidade pelas falhas de comunicação.

“O Brasil trabalhou muitos anos com a idéia errada de que a pesquisa feita na universidade poderia substituir a pesquisa feitas nas empresa, e hoje uma das principais restrições que nós temos à inovação e ao desenvolvimento tecnológico é o fato de que nas empresas há um nível muito reduzido de cientistas”, ele diz.

Mudanças

O presidente da Fapesp, porém, já vê alguns sinais de mudança nesta mentalidade, em empresas que se organizaram para acessar o potencial de cooperação com a universidade, criando comitês científicos ou até mesmo o cargo de diretor científico.

Ele também atribui esta melhora à evolução da legislação de incentivo à pesquisa, como a Lei de Inovação, apesar de ainda ver diversos problemas nelas, e uma certa falta de confiança das empresas na estabilidade das regras do jogo.

Os números do trabalho de Brito Cruz mostram que a atividade científica no Brasil ainda é basicamente exercida pelo setor público. O país investe anualmente cerca de 1% do Produto Interno Bruto (PIB) em pesquisa e desenvolvimento (P&D), o que o coloca muito longe da média de 2,24% dos países da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que reúne os países desenvolvidos e alguns emergentes. Na América Latina, porém, o Brasil é o líder em P&D, com Cuba em um distante segundo lugar, investindo 0,6% do PIB.

Do total investido pelo Brasil, 60% provém de financiamento público, como financiamento direto do governo ou despesas com o ensino superior.

A presença dominante do setor público na P&D brasileiro fica evidente quando se leva em consideração que, apesar de o total gasto no país na atividade ser um terço ou menos do que é despendido pelos países líderes (como a Finlândia, com 3,5% do PIB, ou a Suécia, com quase 4%), a diferença cai muito quando se compara apenas a despesa pública na atividade.

Enquanto o setor público brasileiro gasta pouco menos de 0,6% do PIB em P&D, nos dois países líderes, os EUA e a Suécia, aquele indicador fica entre 0,8% e 1%.

No setor privado, em compensação, a distância é enorme. O Brasil gasta menos de 0,4% do PIB, enquanto a Suécia e o Japão, respectivamente o líder e o vice, gastam entre 2,4% e 2,6% do PIB. No caso do setor público, portanto, os líderes investem menos do que o dobro do Brasil, como porcentual do PIB, enquanto que, no setor privado, os líderes investem cerca de cinco vezes mais em pesquisa e desenvolvimento.
(O Estado de SP, 5/11)

Notícia Curta (e boa):

JC e-mail 3383, de 05 de Novembro de 2007.

Ranking da revista "The Scientist" coloca Brasil entre os 15 melhores países para se fazer pesquisa

Outro estreante na lista é o México

A revista publica este mês uma pesquisa sobre os melhores lugares e países para se fazer pesquisa.

Neste ano, a lista, na ordem, é formada pelos seguintes países: Bélgica, EUA, Canadá, Suíça, Austrália, Índia, Holanda, Reino Unido, Israel, Suécia, Brasil, Alemanha, França, México e Itália.
(Com informações de Carlos Morel)

jciencia@jornaldaciencia.org.br