Aqui na Terra o ano de 2007 começou com a continuidade das péssimas notícias de sempre: na esfera tupiniquim a cratera do metrô em São Paulo, a “cratera ética” em Brasília, as “crateras” do crime organizado e do “caos aéreo” em todo o país, e no mundo, dentre outras barbaridades, nenhum sinal dos conflitos diminuírem, pelo contrário, se acirraram, em especial no Oriente Médio que, do terrorismo passou para a guerra civil. Para compensar um pouco, o ano também começou com um inesperado cometa, o mais brilhante dos últimos 42 anos, que embelezou os céus e desviou a atenção das desgraças correntes, para pensarmos um pouco sobre o que acontece além deste planetinha na periferia da Via Láctea. Batizado com o nome de seu descobridor, o escocês radicado na Austrália Robert McNaught, o cometa McNaught tem uma órbita enorme, quase aberta, vindo provavelmente da Nuvem de Oort, nos confins do Sistema Solar, com um período de cerca de 100.000 anos! Robert, que se dedica a um projeto de procura de asteróides e cometas com risco de colisão com a Terra, não se considera um pesquisador, mas um astrônomo amador. Começou o curso de física, mas o deixou porque suas notas eram péssimas, acabou por fazer psicologia, outro assunto de que gostava, mas logo depois de formado conseguiu um emprego em astronomia, sua paixão de sempre. Robert já descobriu 32 cometas, 29 deles no Observatório Siding Spring, perto de Sydney. O período de 100 mil anos deste cometa nos leva a pensar sobre outros importantes fatos correlacionados.
Há 100.000 anos atrás
Com uma órbita tão grande, a cada revolução sujeito aos “puxões e empurrões” gravitacionais dos outros corpos do sistema solar ao longo do percurso, além da perda de massa ao passar mais próximo do sol, não é possível afirmar que a última vez que o cometa McNaught passou por aqui foi exatamente há 100.000 anos, mas provavelmente foi próximo desta data. Foi nesta época, segundo os indícios descobertos até o momento, que se deu o aparecimento do Homo sapiens anatômicamente moderno! Os primeiros enterramentos conhecidos de Neandertais também datam desta época. Os Neandertais já estavam presentes desde cerca de 200.000 mil anos antes do presente e iriam ainda conviver com o Homo sapiens até serem extintos por volta de 25 mil anos atrás. Também estavam presentes os Homo Erectus, que existiam desde cerca de 1,8 milhão de anos atrás e seriam extintos um pouco antes dos Neandertais, cerca de 32 mil anos atrás. A humanidade desta época remota, além destas três espécies, talvez também tivesse ainda uma quarta espécie, o Homo Floresiensis, que teria sido extinto por volta de 12 mil anos atrás e cujo período de abrangência não é conhecido. Os indícios desta espécie foram encontrados em 2004 e sua existência ainda está sob grande controvérsia na academia. Segundo as pesquisas, também foi neste período, de cerca de 100 mil anos antes do presente, que aconteceram grandes movimentos de populações dos homens modernos primitivos da África Central para o Oriente Médio. A pesquisadora Johana Nichols, da Universidade da Califórnia, em Berkeley, EUA, depois de estudar cerca de 200 famílias de línguas, concluiu que “a mãe de todas as línguas”, existiu em algum lugar da África Central há pelo menos 100 mil anos. Nichols levantou a hipótese de que a “língua mãe” teria saído da África para o sudeste da Ásia e daí para o resto do mundo, num processo que teria tido início há 50 mil anos. O estudo indica que quando esta dispersão começou, já não era mais uma, mas várias línguas. Já o trabalho da equipe chefiada por Christopher Henshilwood, das Universidades de Bergen (Noruega) e Estadual de Nova York (EUA), publicado na Science (www.sciencemag.org) em 23/06/06, demonstra que as “jóias” mais antigas conhecidas de nossa civilização são 3 conchas, da espécie Nassarius gibbosulus, cada uma delas uma conta de um colar, com furos no mesmo lugar, dos sítios arqueológicos de Skhul, em Israel, e de Oued Djebbana, na Argélia, datadas de cerca de 100 mil anos atrás. Ou seja, muitíssimo antes das pinturas nas cavernas, como as famosas pinturas na caverna francesa de Chauvet, descobertas em 1994 e datadas de 32 mil anos atrás, o Homo sapiens já se guiava pela estética, observando e usando objetos especialmente bonitos da natureza. Assim, quando, provavelmente, o cometa McNaught passou por aqui, o Homo sapiens dava seus primeiros passos rumo à civilização que temos hoje.
Daqui a 100.000 anos
Daqui a cerca de 100 mil anos, um piscar de olhos na escala de tempo dos acontecimentos no Universo, quando, e se, o cometa McNaught passar novamente perto de nosso planeta, o que estará acontecendo por aqui? Estaremos viajando pelo Universo, usando “buracos de minhoca” no espaço-tempo? Estaremos em contato com civilizações extraterrestres? Teremos resolvido os problemas da “agonia do homem”, da miséria humana, física e espiritual, em todos os sentidos? Toda nossa civilização documentada, digamos de uns 5 a 6 mil anos até o presente, a partir da invenção cerâmica, é apenas 1/20 de 100 mil anos! Podemos afirmar que há cem mil anos o homem era irrelevante como força transformadora da natureza, coisa que hoje, com base nos dados do recente relatório da ONU sobre o aquecimento global, podemos dizer que somos a maior força danificadora do planeta, superando tempestades, furacões e terremotos. A civilização do Homo sapiens (êta nome pretensioso) conseguirá superar suas limitações, que tem causado todos estes problemas? Será que nos próximos anos, e terá que ser em muito menos de 5 mil anos, o Homem conseguirá se superar espiritualmente e harmonizar-se com sua própria espécie e com o planeta, aceitando que faz parte e não é proprietário plenipotenciário de Gaia? O século corrente será fundamental para responder a esta questão. Afinal, em cerca de cem anos, mantido o atual desmedido crescimento populacional e a exploração irracional dos recursos do planeta (promovida pela espécie que se autodenomina como a única racional da biosfera), as mudanças climáticas, e não só elas, serão catastróficas e poderão exterminar nossa civilização atual. Bem, não será a primeira civilização destruída pela estupidez humana. Só que desta vez, diferentemente de todas as outras que já acorreram na história, poderá ser um acontecimento global. Quando o cometa McNaught passar por aqui novamente, para o bem ou para o mal, a “agonia do homem” terá sido “resolvida” há muito tempo. Que planeta Terra será que ele vai encontrar?
Publicado em 06 de fevereiro de 2007 às 18:29 por appoloni