Vira e mexe a mídia apresenta fotos espetaculares e resultados científicos inéditos decorrentes das medidas realizadas pelo telescópio espacial Hubble. Várias delas já comentadas nesta coluna. Muito gente até se habituou, sem sequer saber do que se trata tal telescópio. Como tudo na área de ciência, foram necessários muitos anos e muito esforço de pesquisadores, para a construção deste observatório espacial. Depois de pronto, principalmente depois de resultados de grande impacto, muita gente tem conseguido os holofotes para si, sem uma única palavra sequer sobre quem de direito também merece créditos. Em 1969 (isto mesmo, final da década de sessenta!), o astrofísico Lyman Sptizer encabeçou uma vitoriosa campanha de apoio à construção de um telescópio espacial. Lembre-se que a atmosfera da Terra é um tormento para os astrônomos, atrapalhando ou impedindo totalmente uma grande gama de observações. Só em 1977 o Congresso Americano aprovou o financiamento para o projeto, que já recebeu o nome de Telescópio Espacial Hubble, em homenagem a Edwin Hubble. Mas, somente em 1981 o Instituto de Ciências do Telescópio Espacial começa suas atividades em Maryland, focando pesquisas sobre o projeto. Em 24 de abril de 1990, 13 anos depois, o telescópio enfim é colocado em órbita, mas, em junho foi descoberto que seu espelho principal estava fora de foco, borrando as imagens. Em 1993 os astronautas do ônibus espacial Endeavour realizam missão para corrigir os problemas com a ótica de focalização do Hubble. A partir daí o mundo começou a tomar conhecimento das novas maravilhas do espaço observadas pelo telescópio. Em 1997 uma outra missão espacial trocou o espectrógrafo especializado em analisar as componentes de luz fraca por um instrumento novo. Foi também trocado o espectrógrafo de alta resolução (instrumento que separa as componentes da luz com comprimento de onda muito próximos entre si). Em 1999 nova missão espacial, desta vez com a nave Discovery, substitui os giroscópios (instrumentos que estabilizam o posicionamento do telescópio) e instala novo computador. Em novembro um dos giroscópios novos falha. Em 2002 a tripulação do ônibus espacial Columbia resolve este problema, instala uma câmara de varredura óptica e substitui parte dos painéis solares do telescópio. Mas, em 2004 um dos espectrógrafos parou de funcionar, além das baterias já estarem próximas do final de sua vida útil. Em 2003 acontece o terrível acidente com o Columbia, em que morreram todos os astronautas da missão, a Nasa suspende os vôos dos ônibus espaciais e só os retoma depois de reforçar as normas de segurança, entre outras decisões, fazendo com que as viagens dos ônibus espaciais permitam que os astronautas possam buscar abrigo na Estação Espacial Internacional (ISS), caso ocorram problemas na decolagem. O problema é que a ISS fica inacessível na órbita no Hubble. Para prolongar a vida útil do Hubble é necessário trocar suas baterias velhas, instalar dois novos equipamentos ópticos e trocar seu antigo sistema de direcionamento do foco. Em função do exposto acima, a NASA já havia anunciado em 2003 que nada poderia fazer pelo Hubble. Mas, em novembro deste ano, o novo administrador da Nasa, Michael Griffin, reverteu a decisão de seu antecessor e anunciou que enviará uma missão em 2008 para prolongar a vida do Hubble até 2013. Será uma missão arriscada, já que o socorro da ISS estará fora de alcance, mas um outro ônibus espacial ficará de reserva pronto para decolar, caso os astronautas tenham que ser socorridos em órbita. Toda a comunidade científica comemorou a decisão. O substituto do Hubble, o Telescópio Espacial James Webb, cujo projeto já está em andamento, deverá ser lançado em 2013. Para saber mais sobre o Hubble veja o site http://hubblesite.org ou http://hubble.nasa.gov.
Publicado em 03 de dezembro de 2006 às 11:58 por appoloni