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17 December 2006

Humilhação dos professores universitários do PR

 

Terminamos o ano de 2006 com uma das maiores humilhações já infligidas aos professores universitários do sistema estadual paranaense realizada pelo governo estadual. Neste ano as Instituições de Ensino Superior (IEES) do Paraná têm professores com contrato de pouco mais de um salário mínimo local. Faço minhas as palavras das associações e sindicatos dos professores do estado: "O que é uma vergonha para a Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (SETI), é humilhante para os professores das IEES, representantes da Comunidade Científica do Paraná. (...) No Paraná os profissionais responsáveis pela capacitação e qualificação profissional das demais categorias apresentam o pior piso salarial. Por quê? Como? Que governo é esse? Que humilha professores?" Desde o início do ano vários segmentos têm se movimentado para resolver a questão. Agora, no final do ano, a oposição conseguiu aprovar um projeto de lei na Assembléia Legislativa, equiparando o piso dos professores com o dos técnicos das universidades. Será que o governador vai sancionar? Se ele tivesse vontade política de fazer isto já poderia tê-lo feito durante o ano, muito antes das eleições. Ele nem se preocupou em perder os votos dos professores. Para quem não sabe, nas IEES / PR o piso salarial inicial dos professores universitários é de R$ 960,00 , enquanto que o piso inicial dos técnicos das mesmas IEES é de R$ 1.856,00. Uma diferença de 93%!!! O piso salarial final dos professores é de R$ 2.416,00 e o dos técnicos é de R$ 5.837,00. Veja os pisos salariais iniciais de outros segmentos / instituições do Paraná e as respectivas diferenças percentuais em relação aos professores universitários: IAPAR, R$ 3.800,00, 295%; Quadro Próprio do Poder Executivo do Paraná, R$ 2.088,00, 117%; Polícia Militar do Paraná, R$ 1.770,00, 84,4%. Quem sabe agora, o presente de Natal do aumento de 91% que os parlamentares deram para si próprios, possa sensibilizar nosso executivo estadual em relação ao salário dos professores. . .que pouca vergonha, que falta de respeito!

11 December 2006

Parlamentares e a C&T

O jornal Gestão C&T (número 537) selecionou os principais parlamentares que têm se destacado na defesa da área de C&T e que cumprirão mandatos a partir de 2007. São 16 deputados federais (um deles do Paraná) e dois senadores com atuação e afinidade com a área de C&T. Deputados federais:  Ariosto Holanda (PSB-CE), Armando Monteiro Neto (PTB-PE), Bilac Pinto Neto (PL-MG), Dr. Damião (PL-PB), Gastão Vieira (PMDB-MA), João Maia (PL-RN), Jorge Bittar (PT-RJ), Ivan Valente (PSOL-SP), Julio Semeghini (PSDB-SP), Luiza Erundina (PSB-SP), Marcondes Gadelha (PTB-PB), Raquel Teixeira (PSDB-GO), Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), Walter Pinheiro (PT-BA). Senadores: Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR) e Renato Casagrande (PSB-ES). O Jornal da Ciência e-mail (www.jornaldaciencia.org.br), de 11/10/06, publicou uma síntese da biografia de atuação na área de C&T de cada um deles. Mais informações sobre os parlamentares nos sites www.camara.gov.br e www.senado.gov.br.

Se faz necessário fazer uma correção e um adendo. A correção é que o pessoal que escreveu a matéria no JC e-mail colocou a biografia do pai do Rodrigo Rocha Loures ao falar do filho, recém eleito. O adendo é que, segundo muitas pessoas da região de Londrina, dois nomes com grande atuação e apoio para a área de C&T foram esquecidos: os Deputados Federais Alex Canziani e Luiz Carlos Hauly.

Como pode-se comprovar pelo número destes parlamentares, o tal “bloco da C&T” no Legislativo Federal é muito pequeno, apenas cerca de 2% do total de parlamentares. Por isso é necessário que seja prestigiado com muitas demandas da comunidade de C,T&I, para que demonstre sua importância e cresça, cresça muito. Por outro lado, já passou da hora de todas as agências de fomento federais montarem, de forma  integrada, um programa permanente atividades conjuntas visando a informação e o engajamento dos parlamentares em relação às atividades de C,T&I. As sociedades científicas também poderiam articular tal tipo de programa e incorporá-lo nas suas atividades regulares. Para os parlamentares, objetos e sujeitos de tantos interesses, digamos, mais atraentes, claramente não bastam atividades pontuais e de envolvimento voluntário, mesmo que de grande magnitude, como, por exemplo, a Semana Nacional da C&T ou a Reunião Anual da SBPC. Se faz preciso uma ação educativa permanente, que promova uma mudança cultural nesta classe tão pouco apegada a valores culturais e educacionais, sem grande interesse em projetos nacionais de médio e longo prazos.

03 December 2006

Hubble: boas notícias para 2008

 

Vira e mexe a mídia apresenta fotos espetaculares e resultados científicos inéditos decorrentes das medidas realizadas pelo telescópio espacial Hubble. Várias delas já comentadas nesta coluna. Muito gente até se habituou, sem sequer saber do que se trata tal telescópio. Como tudo na área de ciência, foram necessários muitos anos e muito esforço de pesquisadores, para a construção deste observatório espacial. Depois de pronto, principalmente depois de resultados de grande impacto, muita gente tem conseguido os holofotes para si, sem uma única palavra sequer sobre quem de direito também merece créditos. Em 1969 (isto mesmo, final da década de sessenta!), o astrofísico Lyman Sptizer encabeçou uma vitoriosa campanha de apoio à construção de um telescópio espacial. Lembre-se que a atmosfera da Terra é um tormento para os astrônomos, atrapalhando ou impedindo totalmente uma grande gama de observações. Só em 1977 o Congresso Americano aprovou o financiamento para o projeto, que já recebeu o nome de Telescópio Espacial Hubble, em homenagem a Edwin Hubble. Mas, somente em 1981 o Instituto de Ciências do Telescópio Espacial começa suas atividades em Maryland, focando pesquisas sobre o projeto. Em 24 de abril de 1990, 13 anos depois, o telescópio enfim é colocado em órbita, mas, em junho foi descoberto que seu espelho principal estava fora de foco, borrando as imagens. Em 1993 os astronautas do ônibus espacial Endeavour realizam missão para corrigir os problemas com a ótica de focalização do Hubble. A partir daí o mundo começou a tomar conhecimento das novas maravilhas do espaço observadas pelo telescópio. Em 1997 uma outra missão espacial trocou o espectrógrafo especializado em analisar as componentes de luz fraca por um instrumento novo. Foi também trocado o espectrógrafo de alta resolução (instrumento que separa as componentes da luz com comprimento de onda muito próximos entre si). Em 1999 nova missão espacial, desta vez com a nave Discovery, substitui os giroscópios (instrumentos que estabilizam o posicionamento do telescópio) e instala novo computador. Em novembro um dos giroscópios novos falha. Em 2002 a tripulação do ônibus espacial Columbia resolve este problema, instala uma câmara de varredura óptica e substitui parte dos painéis solares do telescópio. Mas, em 2004 um dos espectrógrafos parou de funcionar, além das baterias já estarem próximas do final de sua vida útil. Em 2003 acontece o terrível acidente com o Columbia, em que morreram todos os astronautas da missão, a Nasa suspende os vôos dos ônibus espaciais e só os retoma depois de reforçar as normas de segurança, entre outras decisões, fazendo com que as viagens dos ônibus espaciais permitam que os astronautas possam buscar abrigo na Estação Espacial Internacional (ISS), caso ocorram problemas na decolagem. O problema é que a ISS fica inacessível na órbita no Hubble. Para prolongar a vida útil do Hubble é necessário trocar suas baterias velhas, instalar dois novos equipamentos ópticos e trocar seu antigo sistema de direcionamento do foco. Em função do exposto acima, a NASA já havia anunciado em 2003 que nada poderia fazer pelo Hubble. Mas, em novembro deste ano, o novo administrador da Nasa, Michael Griffin, reverteu a decisão de seu antecessor e anunciou que enviará uma missão em 2008 para prolongar a vida do Hubble até 2013. Será uma missão arriscada, já que o socorro da ISS estará fora de alcance, mas um outro ônibus espacial ficará de reserva pronto para decolar, caso os astronautas tenham que ser socorridos em órbita. Toda a comunidade científica comemorou a decisão. O substituto do Hubble, o Telescópio Espacial James Webb, cujo projeto já está em andamento, deverá ser lançado em 2013. Para saber mais sobre o Hubble veja o site http://hubblesite.org ou http://hubble.nasa.gov.