Ciência, Tecnologia e outros papos

Loteamento do MCT? Novamente?

Toda vez que um novo ministério é montado a comunidade de C&T passa pelo mesmo terrível pesadelo: “valha-me Deus, quem vão colocar no Ministério da Ciência e Tecnologia desta vez ?”.  Da mesma maneira que FHC só “acertou a mão” com o segundo ministro de C&T, Lula melhorou muito com sua  segunda escolha, mas acertou mesmo, por unanimidade, com o terceiro, o atual ministro Sergio Rezende. Especula-se que o PSB pretende manter a pasta de C&T, mas substituindo Rezende, de perfil técnico, por um político. Em primeiro lugar, dizer isto, para quem conhece Rezende, é subestimá-lo - ele reúne o técnico com o político de forma rara neste país. Três nomes já estão sendo cogitados: o deputado federal Alexandre Cardoso (RJ), o deputado gaúcho Beto Albuquerque e o senador eleito Renato Casagrande (ES). Todos que conheço da área de C&T entendem que  Rezende deveria ser mantido. A comunidade científica teme uma possível descontinuidade na política de CT&I adotada nos últimos anos. A seguir, algumas das pertinentes observações do Presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) a respeito, publicadas no Jornal da Ciência e-mail (www.jornaldaciencia.org.br) em 17/11/06: “A SBPC tem defendido que a política de C&T deve ser uma política de Estado. Isto significa que deve ser orientada por critérios técnicos e políticos, mas  os critérios políticos devem refletir políticas governamentais de consenso e sobretudo atentas ao longo prazo. Não vemos com simpatia a possibilidade do MCT ser incluído entre os ministérios disputados partidariamente. O ministro da C&T deve manter um diálogo suprapartidário  com os diferentes ministérios, afinal  C&T interessa a muitos deles. O MCT responde por apenas um terço dos recurso da área. Saúde, Educação, Cultura, Comunicações, Meio Ambiente, Agricultura, Energia, respondem pelos outros dois terços do orçamento em C&T do governo. (...) A partidarização do MCT deve ser evitada. Isto não significa que o ministro não possa estar filiado a um partido, mas deve também ser pessoa com amplo transito na comunidade científica e tecnológica, além de contar com a confiança do Presidente da República”. Eu acrescentaria que o nome para ministro da C&T precisa também ser respeitado dentro da comunidade científica, qualidade que Rezende possui.

Publicado em 20 de novembro de 2006 às 11:10 por appoloni

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