História da destruição de livros
Para todos aqueles que amam os livros, a cultura e o conhecimento, sugiro a leitura do livro “História universal da destruição dos livros – das tábuas sumérias à guerra do Iraque”, de Fernando Báez (438 páginas, Ediouro, 2006). Tenho que admitir que a sua leitura é muitas vezes dolorosa, tal a magnitude, as razões e a forma da destruição dos livros ao longo da história da humanidade. Báez levou 12 anos para realizar esta obra. A destruição voluntária foi responsável por 60% dos volumes desaparecidos, enquanto que os restantes 40% devem ser atribuídos a várias causas, dentre as quais se destacam desastres naturais, acidentes, animais, mudanças culturais e os próprios materiais com os quais se fabricou o livro. Na Introdução, entre outros itens, Báez trata da invenção da escrita e seu suporte, a tradição da eliminação da memória e a cultura da destruição – já que muitos supõem que a destruição de livros seria feita por ignorantes, o que não é verdade, muito pelo contrário: “(...) concluí que quanto mais culto é um povo ou um homem, mais disposto se mostra a eliminar livros sob a pressão de mitos apocalípticos”. A Primeira Parte, com dez capítulos, trata do Mundo Antigo: Oriente Médio, Egito, Grécia, Apogeu e fim da biblioteca de Alexandria, Outras antigas bibliotecas gregas destruídas, Israel, China, Roma, As origens radicais do cristianismo, O esquecimento e a fragilidade dos livros. A Segunda Parte, com 14 capítulos, aborda da era de Bizâncio ao século XIX: Os livros perdidos de Constantinopla, Entre monges e bárbaros, O mundo árabe, Um confuso fervor medieval, Espanha muçulmana e outras histórias, Os códices queimados no México, Em pleno Renascimento, A Inquisição, A condenação dos astrólogos, A censura inglesa, Entre incêndios, guerras e erros, De revoluções e provocações, Em busca da pureza, Alguns estudos sobre a destruição de livros. A Terceira Parte, com 11 capítulos, trata do século XX e início do século XXI: Os livros destruídos durante a Guerra Civil Espanhola, O bibliocausto nazista, As bibliotecas bombardeadas na Segunda Guerra Mundial, Censura e autocensura literárias modernas, Um século de desastres, Os regimes de terror, O ódio étnico, Religião - ideologia - sexo, Entre inimigos naturais e legais, O terrorismo e a guerra eletrônica, Os livros destruídos no Iraque. Creio que esta listagem dos títulos dos capítulos tenha propiciado uma boa idéia da abrangência da obra e despertado o interesse pela sua leitura. Por fim, vale a pena recordar três frases famosas relacionadas com o assunto:
“os homens nunca agem mal de maneira tão perfeita e aplaudida como quando o fazem movidos pela convicção religiosa”
Pascal – que também pode ser aplicada à queima de seu próprio livro “Cartas provinciais”, em 1657.
“(...) Tão grave como matar um homem é matar um bom livro. Quem mata um homem mata uma criatura racional, imagem de Deus; mas quem destrói um bom livro mata a própria razão, mata a imagem de Deus (...)”.
John Milton, num dos capítulos sobre a destruição de livros de seu livro Aeropagitica (Londres, 1644), primeiro texto no Ocidente contra a censura.
“(...) Onde queimam livros, acabam queimando homens (...)”.
Heinrich Heine, em seu livro Almansor, 1821 - dispensável comentar as inúmeras vezes na história em que isto aconteceu. . .