Como oportunamente me chamou a atenção Gilberto Sanzovo, astrofísico do Depto. de Física da UEL, a reunião da União Astrofísica Internacional realizada em agosto, assim como as manchetes de toda a mídia, se dedicaram ao debate sobre aumentar o número de planetas para doze ou reduzi-lo para oito, perdendo de vista algo mais importante do que esta questão de nomenclatura: comemorar os 160 anos da previsão e descoberta do planeta Netuno, que é agora o oitavo e último planeta do sistema solar, depois do rebaixamento de Plutão para a categoria geral de planeta anão.
Planeta anunciado
A descoberta de Netuno foi um marco histórico para a Astronomia pois foi a primeira vez que os astrônomos realizaram cálculos e a partir deles previram a existência de um planeta, que depois foi observado na órbita prevista. Os cálculos, realizados independentemente por Leverrier e Adams, se basearam em perturbações observadas na órbita do planeta Urano. Perturbações estas que só poderiam ser explicadas se houvesse um outro planeta, cuja influência gravitacional produzisse os efeitos medidos. Feitas as previsões, Netuno foi observado pela primeira vez pelos astrônomos alemães Johann Galle e Heinrich d’Arrest em 23 de setembro de 1846. Portanto, no próximo dia 23, se completará 160 anos de sua descoberta observacional.
Netuno
Netuno foi o segundo planeta a ser descoberto através de telescópios. O primeiro foi Urano. O nome foi sugerido pelo astrônomo francês U. Leverrier (1811-1977), que o previu, em virtude de sua coloração esverdeada que lembrava Netuno, o deus romano do Mar Verde, equivalente ao deus grego Poseidon. Com um diâmetro de 49.000 km, a uma distância média do Sol de 4.500 milhões de km, Netuno possui vários anéis e 11 satélites naturais confirmados até o momento, dos quais os maiores são Tritão e Nereida. Todos os gigantes jovianos (Júpiter, Saturno, Urano e Netuno) tem anéis. Netuno tem uma composição atmosférica de cerca de 89% de Hidrogênio, 11% de Hélio, traços de metano, água e amônia. Netuno emite 2,7 vezes mais energia do que recebe do Sol, um interessante desafio para os estudiosos do sistema solar.
“Novo” Sistema Solar
Xena (objeto 2003UB313) detonou a questão. Descoberto num órbita solar bastante excêntrica, fora do plano das órbitas dos outros planetas (da mesma forma que Plutão), com diâmetro de cerca de 3.000 km e a uma distância média do Sol de 16 bilhões de km, era candidato a décimo planeta. Dadas suas características, se fosse catalogado como planeta, poderia acarretar a mesma “promoção” para Ceres (fica entre Marte e Júpiter, tem 930 km de diâmetro) e para Caronte (com diâmetro de 1.200 km e considerado um satélite de Plutão, que tem diâmetro de 2.300 km). Chegou-se a noticiar um Sistema Solar de doze planetas. Mas, o resultado da reunião da União Astrofísica Internacional foi alterar a definição de planeta verdadeiro para: (1) gira em torno do Sol; (2) tem massa suficiente para assumir a forma de um esferóide; (3) é o corpo dominante em tamanho na sua órbita. Com base nesta definição, o Sistema Solar ficou com oito planetas (de Mercúrio até Netuno), três planetas anões, Ceres, Plutão e Xena (que atendem aos critérios 1 e 2, mas não ao 3 e não são satélites), além dos outros objetos que orbitam em torno do Sol, como asteróides, cometas, etc, que ficam enquadrados na categoria de “pequenos corpos do Sistema Solar”.
Homenagem celeste
Aproveitando que estou falando de "astros", a Profa. Dra. Rosa Scorzelli (66), do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF, RJ), recebeu uma homenagem inusitada: um asteróide foi batizado com seu nome. O asteróide metálico batizado de 7735 Scorzelli está no cinturão de asteróides que orbitam entre os planetas Marte e Júpiter, possui um diâmetro de 10 a 21 km e é composto quase que totalmente de ferro e níquel. A Dra. Scorzelli, dentre outras pesquisas, estuda a composição química de meteoritos e identificou dois minerais que não ocorrem em nenhum outro lugar e não podem ser produzidos em laboratório. A direção do CBPF declarou que se trata de homenagem “à Dra. Scorzelli, por seus trabalhos pioneiros, junto com o prof. Jacques Danon (seu orientador), sobre análise de meteoros metálicos, utilizando o efeito Mossbauer. Esses estudos permitiram compreender o complexo histórico de resfriamento durante a formação do núcleo de planetas minoritários. A Dra. Scorzelli é pesquisadora titular do CBPF e tem se destacado em vários temas de pesquisa interdisciplinar, em particular Meteorítica e Arqueometria. Em agosto de 2004, ela presidiu o 670 Encontro Anual da Sociedade Meteorítica, realizado no RJ. Essa é uma sociedade internacional dedicada ao ensino e pesquisa sobre meteoros e outros materiais extraterrestres”. Os interessados sem saber mais sobre o 7735 Scorzelli podem acessar o site <neo.jpl.nasa.gov/orbits>.
Publicado em 13 de setembro de 2006 às 09:51 por appoloni
mas fica a piada de mau gosto:
"bastou um brasileiro ir para o espaço e já sumiu um planeta"
hihihi.