Ciência, Tecnologia e outros papos

Prós e contras da “febre” de publicações

A CAPES (Coordenadoria de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) comemorou os números apresentados no blog anterior, referente ao record de publicações científicas brasileiras, já que  praticamente toda produção científica brasileira está vinculada aos programas de pós-graduação eficazmente acompanhados e avaliados por esta instituição. A CAPES realmente tem incentivado com sucesso que as dissertações e teses também virem artigos de nível internacional, dando divulgação e transparência ao que se faz no país. A produção brasileira cresce de maneira consistente desde os anos 1980. Impulsionados (e premidos) pelos critérios de avaliação da CAPES para os cursos de pós-graduação e pelos critérios de atribuição das Bolsa de Produtividade em Pesquisa  do CNPq, os   pesquisadores brasileiros estão cada vez mais conscientes da importância de divulgar sua produção intelectual. No entanto, estas agências não estão levando em conta que a infra-estrutura de pessoal e recursos para isto é bastante diferente entre as instituições dos estados brasileiros. Chegamos a um nível de exigência de publicação que está levando um número crescente de pesquisadores a um permanente estado de alto stress e focando todas as suas energias em “resultados e papers”. Além dos já documentados problemas de saúde decorrentes desta situação, isto tem feito com que estes pesquisadores não tenham tempo para se dedicar a outros aspectos importantes da vida acadêmica e inclusive de cidadania, num momento crucial em que o país precisa intensamente que cabeças independentes, pensantes e críticas se manifestem e atuem na sociedade. É bastante alto o custo desta festejada 17a  colocação!

Publicado em 28 de agosto de 2006 às 12:35 por appoloni

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