A produção científica brasileira registrou uma marca inédita em 2005: foi responsável por 1,8% de todos os artigos publicados em periódicos científicos indexados na base de dados ISI (Instituto de Informação Científica). Este índice mede a atividade de pesquisa em todo o mundo. A quantidade de artigos brasileiros pulou de 13.313 em 2004 para 15.777 em 2005, mas o país manteve a 17a posição. Nos últimos cinco anos o Brasil avançou 49%. Continuando neste ritmo, poderá chegar em três anos à 15a posição, ultrapassando a Suíça e a Suécia. Vamos aos números. A seguir a lista com a colocação e nome do país, número de artigos publicados em 2005 da base ISI e a respectiva participação percentual na produção científica mundial: 10 Estados Unidos, 288.714, 32,7%; 20 Japão, 75.328, 8,5%; 30 Alemanha, 73.734, 8,4%; 40 Reino Unido, 64.913, 7,4%; 50 China, 59.361, 6,7%; 60 França, 52.236, 5,9%; 70 Canadá, 41.957, 4,8%; 80 Itália, 39.112, 4,4%; 90 Espanha, 29.038, 3,3%; 100 Austrália, 26.170, 3,0%; 170 Brasil, 15,777, 1,8%. Por outro lado, estes números enfatizam o descompasso entre a produção científica e a aplicação tecnológica do conhecimento, que é medida pelo número de patentes registradas. O Brasil continua estagnado na 27a posição entre os países que mais registram patentes, sem fazer jus à participação do país no PIB mundial – o Brasil é a 14a economia do mundo. Claro que uma das razões (e forte) para isso é que o país vem investindo de forma crescentemente consistente na pesquisa acadêmica e na pós-graduação nos últimos 50 anos, enquanto que políticas para a inovação tecnológica são muito recentes. Entendo que ao invés de uma classificação pelo número absoluto de artigos seria muito mais interessante duas outras formas de classificação: pelo número de publicações por habitante e pelo número de publicações dividido pela renda per capita do país. Isso forneceria um índice com uma certa medida quantitativa do real esforço para a produção científica de cada país, que a classificação divulgada não mostra. Veja mais dados sobre o assunto no artigo “Mais um degrau”, Revista Pesquisa Fapesp, agosto 2006, número 126, página 28.
Publicado em 24 de agosto de 2006 às 14:38 por appoloni