Solicitei à Profa Rossana Lott Rodrigues, do Departamento de Economia da UEL, para escrever sobre a reunião de um projeto internacional que estuda o impacto das universidades no desenvolvimento econômico regional, recentemente realizada em Londrina. Meus agradecimentos à Profa. Rossana, que integra a equipe do referido projeto, pelo texto a seguir.
“Foi realizado no último dia 20 de junho, na Universidade Estadual de Londrina, o II Workshop vinculado ao projeto ‘Impacto Econômico das Universidades Estaduais do Paraná’, parte integrante do projeto da OCDE Supporting the Contribution of Higher Education Institutions to Regional Development (2004/2006). O Paraná é o único estado de um país não membro da OCDE a participar do projeto, do qual fazem parte 12 universidades de dez regiões em diversos países. Fruto de um convênio entre a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Paraná (SETI) e a Fundação da Universidade Federal do Paraná (FUNPAR), tendo como entidade parceira a UFPR (Departamento de Economia), o projeto tem objetivos de curto e longo prazo. Os primeiros se referem aos impactos sobre a demanda agregada regional, concretizados sob a forma de aumentos do emprego, da renda e dos impostos decorrentes dos gastos vinculados às Universidades, com consumo, investimento, salários, etc. Esses gastos geram o chamado de efeito multiplicador. Os impactos de longo prazo estão relacionados ao lado da oferta e se constituem da contribuição das universidades para o conhecimento, a inovação e o desenvolvimento científico e tecnológico. Partindo de metodologia consagrada para estudos de impacto econômico e usando dados brutos obtidos na SETI, os primeiros resultados relativos aos impactos de curto prazo envolvendo as IES (seis universidades estaduais e as isoladas), para o ano de 2004, apontam para: a) o multiplicador total da renda de 2,34, o multiplicador total de emprego de 2,53, e o multiplicador de impostos de 2,95. Para uma idéia do que isto significa, tomando, como exemplo, o multiplicador total de renda (2,34), para cada real gasto em decorrência da existência das IES é gerada uma renda adicional de R$ 1,34. Quando se consideram os multiplicadores para cada componente da despesa separadamente, tem-se que a fonte geradora de maior impacto sobre a renda e o emprego é o gasto decorrente da renda de professores e funcionários (salários), com cerca de 75% e 62%, respectivamente, em 2004. Também, como esperado, as universidades de Londrina e Maringá, juntas, foram responsáveis por cerca de 65% desses impactos. Dentro de mais algum tempo, e tomando como referência a Universidade Estadual de Londrina e a Universidade Estadual de Londrina Maringá, deverá estar disponível o dimensionamento do impacto no longo prazo. Este permitirá, não somente estabelecer a contribuição do aprendizado e das Universidades, como, também, delinear as potencialidades, os problemas, as oportunidades e as ameaças que as mesmas apresentam/enfrentam para a constituição de um Sistema Regional de Inovação e a contribuição para o desenvolvimento de suas regiões sócio-econômicas.”
Publicado em 17 de julho de 2006 às 10:05 por appoloni