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31 July 2006

Genética Humana

O número 73 da revista mensal eletrônica de jornalismo científico ComCiência tratou do tema “Genética Humana”. Este edição da revista traz: 5 artigos (“Do holocausto nazista à nova eugenia do século XXI”, “Engenharia genética – significados ocultos”, “A clonagem das notícias da ciência”, “O investimento nos genes”, “Está nos genes – barreiras de patentes na pesquisa genética”); 6 reportagens ( “Banalização de testes preocupa pesquisadores”, “Usos de dados genéticos é polêmico”, “Nova genética desestabiliza idéia de “raça” e coloca dilemas políticos”, “Genes e a compreensão de ser humano”, “Expectativas comerciais e científicas com farmacogenética”, “Indústria pode ganhar mais que pacientes com farmacogenômica”); entrevista com o genetecista Bernardo Beiguelman sobre os estudos com gêmeos e suas contribuições para a genética, que também apresenta um histórico da evolução das pesquisas no Brasil; e a resenha do livro “A guerra contra os fracos” (Edwin Black, 2003), o qual mostra que a idéia de eugenia nasceu na Inglaterra, prosperou nos EUA e teve seu ponto alto na Alemanha nazista, mas, com nova roupagem e outros nomes, sobrevive até hoje. O site da revista, publicada pelo Labjor e SBPC, é www.comciencia.br. Imperdível, tanto para especialistas como leigos.

27 July 2006

A Pós-Universidade

Cristovam Buarque, ex-reitor da Universidade de Brasília e ex-Ministro da Educação, lançou, há dois meses, o livro “Ensino Superior: Conceito e Dinâmica” (co-edição IEA e Edusp). Por ocasião do lançamento do livro, Buarque realizou a conferência “A Pós-Universidade”, cuja gravação está disponível no site do IEA, Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo, www.iea.usp.br. Segundo Buarque, “precisando mudar, mas impedida de fazê-lo, a universidade será provavelmente substituída por outro tipo de instituição, que preencherá o papel de vanguarda do saber, desempenhado por ela nos últimos mil anos”. “Diversas universidades estão fazendo essa evolução, isoladamente. O que vai definir se a universidade evoluirá ou se a pós-universidade tomará seu lugar vai depender do resultado do processo entre as universidades–evolucionistas, que se transformam, e as universidades-convento, que reagem à mudança”. Para Buarque, caso as universidades sejam suplantadas pela pós-universidade, esta será uma instituição em rede eletrônica, sem endereço, sem nacionalidade, da qual todos poderão participar pelo prazo que lhes for conveniente, mas não terão direito a diploma, pois no ano seguinte o saber adquirido já terá sido superado. O diálogo substituirá as aulas, não havendo fronteira nítida entre professores e alunos. Haverá dirigentes, mas que não poderão exercer um poder hegemônico, sendo também vedada a predominância de uma área sobre a outra. Buarque prevê que será abandonada a divisão do saber em disciplinas e não haverá neutralidade na geração do conhecimento, o qual deverá ser pautado pelo controle ético da pesquisa e por um método capaz de casar racionalidade com valoers morais. A pós-universidade deverá “lutar para que o destino da humanidadenão seja a ruptura, e sim o encontro”. Ela será integrada não só por centros específicos de ensino e pesquisa, mas também por todos os outros ambientes que geram saber: indústrias, consultorias, laboratórios, escritórios domésticos. Os artigos de Buarque “A Pós-Universidade” e “A Refundação da Universidade” estão no site www.iea.usp.br/ensinosuperior.

21 July 2006

A Ciência Mundial e o G-8

As Academias de Ciência dos sete países mais ricos e da Rússia (que compõe o chamado Grupo das 8 nações mais influentes do mundo ou G-8), além das Academias do Brasil, Índia, China e África do Sul, reunidas em Moscou, nos dias 19 e 20 de abril, lançaram uma Declaração Conjunta, contendo recomendações sobre sustentabilidade e segurança energéticas, gripe aviária e doenças infecciosas, que serão apreciadas na Reunião de Cúpula do G-8 que acontecerá no dia 18 de julho. O documento foi encaminhado ao presidente Vladimir Putin, que presidirá a reunião do G-8 em San Petersburgo, Rússia. A seguir alguns trechos do importante documento.

Gripe Aviária e pandemias

“No momento o mundo se depara com o problema ocasionado pela disseminação da gripe aviária. É possível que o processo evolua para uma pandemia de gripe humana. Pandemias são raras, mas podem ter conseqüências devastadoras para a saúde pública mundial. A SARS (Síndrome Respiratória Aguda Severa) provocou elevadas perdas econômicas, com estimativas de cerca de trinta bilhões de dólares americanos. As conseqüências sociais e econômicas de uma pandemia de gripe poderiam ser consideravelmente maiores. A gripe aviária é uma das muitas doenças infecciosas com as quais nos deparamos. É, por enquanto, uma preocupação para a saúde animal e para o comércio avícola, tendo potencial para iniciar uma pandemia humana. Atualmente, contudo, não é de forma alguma a preocupação mais relevante para a humanidade como um todo. Enquanto algumas providências que estão sendo tomadas são de relevância apenas para a gripe aviária, outras (por exemplo, o estabelecimento de redes de monitoração nacionais e internacionais de doenças) também serão de utilidade para outras doenças infecciosas. Será de importância crucial para a comunidade mundial não esquecer essas outras doenças enquanto aborda os problemas da gripe aviária. Por outro lado, a gripe aviária poderia se transformar numa catalisadora para melhorar a investigação e a capacidade de resposta à ameaça de doenças emergentes ou re-emergentes. A experiência mais recente tem demonstrado que medidas de controle de zoonoses emergentes, tanto para reduzir sua disseminação, como para diminuir perdas econômicas, têm que ser coordenadas internacionalmente, a fim de prevenir riscos de longo prazo para a saúde humana. Todos os paises do mundo deveriam cooperar na abordagem dos problemas envolvendo a gripe aviária, assim como nas estratégias mundiais de longo prazo quanto a outras doenças infecciosas e emergentes importantes. Isso irá demandar ações coordenadas numa escala mundial de partes interessadas, que incluem governos, cientistas, especialistas em saúde pública, veterinários, economistas, representantes da comunidade empresarial e do público em geral. Apelamos, pois, aos lideres mundiais, em particular aos que participarão da reunião do G8 em julho de 2006, em São Petersburgo, a implementar as recomendações abaixo. Da nossa parte, nós nos comprometemos a trabalhar com os governos e outros parceiros apropriados para atingir essas metas”. Na continuidade o documento detalha as 10 recomendações fundamentais para enfrentar esta questão e depois passa a tratar da questão de sustentabilidade e segurança energéticas.

Sustentabilidade e segurança energéticas

“Um amplo consenso internacional reconhece três componentes principais e inter-relacionados relativos ao desenvolvimento sustentável: a prosperidade econômica , o desenvolvimento social e a proteção ambiental. O suprimento sustentável e confiável de energia é uma das principais condições para atingir três objetivos para todos os países do mundo: se a sustentabilidade e a segurança energética falharem, os objetivos principais do desenvolvimento humano não serão atingidos. No ano passado as Academias de Ciência abordaram os grandes desafios das mudanças globais. Esses desafios estão predominantemente relacionados aos sistemas e uso da energia. (...)
Tornou-se crescentemente claro que existem várias dificuldades sérias relacionadas à sustentabilidade e segurança energéticas. Essas incluem:

· Significativos impactos globais e regionais sobre o ambiente, sobre as mudanças climáticas e sobre a saúde baseada na extrapolação do uso das atuais fontes e sistemas de energia;
· Uma clara percepção de que a demanda por fontes de energia limpa e de custo razoável crescerá progressivamente, requerendo investimentos para criar um eficiente sistema de suprimento de energia;
· Tensões, especialmente no suprimento de energia para os sistemas de transporte;
· Correlações geográficas progressivamente piores entre fontes e usuários de energia;
· Uso ineficiente e desperdício de recursos energéticos;
· Aumento acelerado e flutuação nos preços do gás e do petróleo;
· Provimento de combustíveis e eletricidade para uma parcela significativa da população mundial para ajuda-la a melhorar sua qualidade de vida;
· Impactos dos desastres naturais, colapso de sistemas e atos humanos na infra-estrutura energética.

Encontrar soluções para a sustentabilidade e segurança energéticas exigirá muitas vigorosas ações a nível nacional e considerável cooperação internacional. Essas ações e medidas cooperativas necessitarão ser baseadas em apoio público de amplo espectro, especialmente na exploração de caminhos em direção ao uso eficiente de energia. Em segundo lugar, será necessário desenvolver e disponibilizar novas fontes e sistemas para o suprimento de energia, incluindo o uso limpo de carvão e de recursos fósseis não convencionais, sistemas nucleares avançados e energia renovável. A diversificação de combustíveis para motores, o uso crescente de tecnologias de baixa emissão no transporte pessoal e maior ênfase na oferta de transporte urbano de massa poderia introduzir a tão necessária flexibilidade e economia num mundo com rápida urbanização crescente. As mudanças necessárias e as transições nos sistemas de energia e seus paradigmas não serão possíveis sem atingir muitos objetivos desafiadores no campo científico, técnico e econômico e irão requerer o investimento de uma enorme soma de recursos de maneira sustentada ao longo de décadas. Elas irão igualmente exigir uma grande abertura e transferência de conhecimento, tecnologia e capital. Atingir um nível aceitável de sustentabilidade e segurança energéticas a nível global demandará, portanto, o foco governamental e a cooperação internacional no sentido de identificar prioridades estratégicas nas políticas de energia e a implementação sustentada das políticas, ações e investimentos nacionais. Será igualmente crítico envolver o púbico e as lideranças industriais para que estabeleçam e atinjam as prioridades chave, se quisermos coletivamente lidar com as ameaças à sustentabilidade e segurança energéticas a tempo de evitar enormes danos econômicos, ambientais e políticos. (...) Conclamamos os lideres mundiais, especialmente aqueles que se reunirão na Cúpula do G8 em julho de 2006 a:

· Articular a realidade e urgência das preocupações com a segurança energética global;
· Planejar investimentos maciços em infra-estrutura e a estabelecer prazos necessários para a transição para sistemas sustentáveis de energia limpa, a custos aceitáveis e sustentáveis;
· Intensificar a cooperação com os países em desenvolvimento a fim de desenvolver sua capacidade doméstica para usar sistemas energéticos existentes e inovadores, incluindo a transferência de tecnologia;
· Promover, através de políticas e instrumentos econômicos adequados o desenvolvimento e a implementação de tecnologias de combustíveis fósseis, nucleares e renováveis a custos competitivos, ambientalmente benéficas e aceitáveis pelo mercado;
· Assegurar , em cooperação com a indústria, que tecnologias sejam desenvolvidas e implementadas e que ações sejam tomadas para proteger a infra-estrutura energética, de desastres naturais, falhas tecnológicas e ações humanas;
· Enfrentar a séria inadequação do financiamento em P&D e prover incentivos para acelerar P&D avançados relacionados à energia, também em cooperação com companhias privadas;
· Implementar programas de educação para aumentar a compreensão do publico sobre os desafios energéticos e prover capacitação e competência na engenharia relacionada.
· Focalizar os esforços governamentais em pesquisa e tecnologia em eficiência energética, hidrocarbonetos não convencionais e carvão “limpo” com seqüestro de CO2 , energia nuclear inovadora, sistemas de distribuição de potência, fontes renováveis de energia, produção de biomassa e conversão de biomassa em gás para combustíveis”.

Espero que os líderes de todos os países do mundo, em especial aqueles que compõe o G-8, sejam sensíveis às propostas apresentadas pelas Academias de Ciência. O documento completo está disponível no site da Academia Brasileira de Ciências (ABC), www.abc.org.br, assim como foi publicado na íntegra no número 578 do Jornal da Ciência (versão impressa), de 30/06/06.

18 July 2006

58a Reunião Anual da SBPC

Durante toda esta semana, de 17 a 21 de julho, acontece a 58a Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), no campus da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em Florianópolis, SC. A abertura da maior reunião científica do hemisfério sul foi no domingo, dia 16. Participaram cerca de 1300 pessoas! Quatro ministros prestigiaram a abertura, da C&T, do Meio Ambiente e da Secretaria Especial das Mulheres. Os homenageados desta reunião anual foram prestadas para a professora emérita de Ciências Biológicas da Universidade Federal do Paraná, Glaci Zancan (Presidente da SBPC por dois mandatos, de 1999 a 2003), e o engenheiro Caspar Erich Stemmer, professor e ex-reitor (1976 a 1980) da UFSC e ex-secretário de Desenvolvimento Científico do MCT. Pela primeira vez a reunião terá, além das atividades tradicionais, uma programação voltada especialmente para tecnologia e inovação. Entre outras atividades destaco a mesa redonda tecnológica “Grandes desafios e perspectivas para a computação no Brasil na década de 2006-2016”, a Expot&c (Exposição de tecnologia e ciência) e o ciclo de 17 interessantíssimos simpósios tecnológicos. Outra área que amplia seu espaço na reunião da SBPC é a divulgação científica. Veja algumas das atividades: mini-curso de jornalismo científico com o título “Jornalismo e Ciência: especificidade e interdisciplinaridade”, encontro aberto sobre “Percepção pública da Ciência na América Latina”, mesa redonda com o tema “O poder da imprensa e seus limites” e eventos organizados pela Associação Brasileira de Centos e Museus de Ciência, como a tenda “Circo da Ciência”, onde a população poderá experimentar e entender conceitos de física. Confira toda a programação da 58a Reunião Anual, as atividades da 14a SBPC Jovem, a lista dos pôsteres Sênior e os eventos da 13a Jornada de Iniciação Científica no site www.sbpcnet.org.br/58ra.

17 July 2006

Impacto regional das universidades

Solicitei à Profa Rossana Lott Rodrigues, do Departamento de Economia da UEL, para escrever sobre a reunião de um projeto internacional que estuda o impacto das universidades no desenvolvimento econômico regional, recentemente realizada em Londrina. Meus agradecimentos à Profa. Rossana, que integra a equipe do referido projeto, pelo texto a seguir.

“Foi realizado no último dia 20 de junho, na Universidade Estadual de Londrina, o II Workshop vinculado ao projeto ‘Impacto Econômico das Universidades Estaduais do Paraná’, parte integrante do projeto da OCDE Supporting the Contribution of Higher Education Institutions to Regional Development (2004/2006). O Paraná é o único estado de um país não membro da OCDE a participar do projeto, do qual fazem parte 12 universidades de dez regiões em diversos países. Fruto de um convênio entre a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Paraná (SETI) e a Fundação da Universidade Federal do Paraná (FUNPAR), tendo como entidade parceira a UFPR (Departamento de Economia), o projeto tem objetivos de curto e longo prazo. Os primeiros se referem aos impactos sobre a demanda agregada regional, concretizados sob a forma de aumentos do emprego, da renda e dos impostos decorrentes dos gastos vinculados às Universidades, com consumo, investimento, salários, etc. Esses gastos geram o chamado de efeito multiplicador. Os impactos de longo prazo estão relacionados ao lado da oferta e se constituem da contribuição das universidades para o conhecimento, a inovação e o desenvolvimento científico e tecnológico. Partindo de metodologia consagrada para estudos de impacto econômico e usando dados brutos obtidos na SETI, os primeiros resultados relativos aos impactos de curto prazo envolvendo as IES (seis universidades estaduais e as isoladas), para o ano de 2004, apontam para: a) o multiplicador total da renda de 2,34, o multiplicador total de emprego de 2,53, e o multiplicador de impostos de 2,95. Para uma idéia do que isto significa, tomando, como exemplo, o multiplicador total de renda (2,34), para cada real gasto em decorrência da existência das IES é gerada uma renda adicional de R$ 1,34. Quando se consideram os multiplicadores para cada componente da despesa separadamente, tem-se que a fonte geradora de maior impacto sobre a renda e o emprego é o gasto decorrente da renda de professores e funcionários (salários), com cerca de 75% e 62%, respectivamente, em 2004. Também, como esperado, as universidades de Londrina e Maringá, juntas, foram responsáveis por cerca de 65% desses impactos. Dentro de mais algum tempo, e tomando como referência a Universidade Estadual de Londrina e a Universidade Estadual de Londrina Maringá, deverá estar disponível o dimensionamento do impacto no longo prazo. Este permitirá, não somente estabelecer a contribuição do aprendizado e das Universidades, como, também, delinear as potencialidades, os problemas, as oportunidades e as ameaças que as mesmas apresentam/enfrentam para a constituição de um Sistema Regional de Inovação e a contribuição para o desenvolvimento de suas regiões sócio-econômicas.”

15 July 2006

Física e desenvolvimento sustentável

No final do ano passado, de 31 de outubro a 3 de novembro, aconteceu a Conferência Mundial de Física e Desenvolvimento Sustentável (WCPSD), da qual participaram cerca de 500 físicos de todo o mundo. A conferência serviu como o primeiro fórum global focado na comunidade de físicos sobre objetivos de desenvolvimento e para criar novos mecanismos de cooperação para atingi-los. O evento criou uma plataforma intelectual para acessar a física no desenvolvimento e o papel que pode ter no desenvolvimento sustentável, particularmente nos países emergentes e em desenvolvimento. Participantes de nações desenvolvidas e em desenvolvimento examinaram as contribuições que a física realizou para a sociedade no passado, de maneira a formular planos de ação fortemente orientados para contribuições que pode e deve fazer no futuro. A conferência cobriu os seguintes temas: Educação para a Física, Energia e Meioambiente, Física e Desenvolvimento Econômico, Física e Saúde. Para ter uma idéia da importância da Física no mundo atual, 43% dos empregos nas manufaturas do Reino Unido são de indústrias baseadas na Física, isso sem falar, por exemplo, em todas as aplicações correntes na área da Saúde, como a Medicina Nuclear, Radioterapia e os métodos não-invasivos de imageamento. Veja mais detalhes sobre a conferência no site www.wcpsd.org.

13 July 2006

Guidon e a cleptocracia

A arqueóloga Niède Guidon, a quem o Brasil deve o reconhecimento da Serra da Capivara como Patrimônio Cultural da Humanidade, declarou que deixará o país até o final do ano. As pesquisas arqueológicas de Guidon nos sítios da Serra da Capivara (Piauí) revolucionaram a arqueologia das américas, demonstrando que sociedades indígenas avançadas habitaram a região próxima à cidade de Raimundo Nonato há 50.000 anos. Segundo Guidon, o nível de desenvolvimento deste povo pode ser evidenciado “não somente na cultura que se vê nas pinturas, mas também na parte tecnológica, o tratamento da pedra lascada, da pedra polida, e até a criação de cerâmicas, tudo isso aconteceu aqui no Brasil no mesmo tempo em que era criada em outros lugares do mundo. Eles tinham a mesma cultura que tinham os pré-históricos da Europa, da África”. Desde 1973 Guidon coordena a pesquisa na Serra da Capivara. Em 1978, quando iniciou a escavação no sítio da Pedra Furada (que também é o nome de uma era geológica descoberta por ela) foi uma das responsáveis pela criação da Fundação Museu do Homem Americano, que também preside. Bem, esta paulista de origem francesa, que foi indicada para o prêmio Nobel da Paz em 2005, que nestes últimos anos vinha enfrentando ameaças de grupos que estão depredando o Parque da Serra da Capivara, jogou a toalha para a burocracia federal: “(...) mas eu cansei e perdi a esperança”, declarou na semana passada. “Não existe interesse do governo, estou terminando projetos que havia começado, mas provavelmente deixo o Brasil no final do ano, não dá mais para trabalhar num país no qual recebo insultos dos políticos. Temos que nos dobrar ao estado de corrupção que eles instalaram, aquilo que eu chamo de cleptocracia”. Sem comentários. . .