No dia 12 de junho passado desencarnou o físico pernambucano José Leite Lopes, aos 87 anos. Leite Lopes foi um dos maiores nomes da ciência brasileira e respeitado no cenário internacional. Dedicou-se à física teórica das partículas elementares e trabalhou no problema da integração das forças fundamentais da natureza. Em 1958 realizou a previsão teórica de uma das partículas fundamentais, o bóson vetorial Z0, intermediador da força nuclear fraca, a qual é responsável pelos decaimentos radioativos do tipo beta (beta+, beta- e captura eletrônica). Esta partícula só seria observada experimentalmente mais de vinte anos depois. Seu artigo original, publicado na revista Nuclear Physics, foi fundamental para o desenvolvimento da teoria da unificação eletro-fraca (unificação entre as teorias das forças eletromagnética e nuclear fraca), realizada depois pelos norte-americanos Steve Weinberg e Sheldon Glashow e o paquistanês Abdus Salam, que por isto receberam o prêmio Nobel de Física em 1979. Leite Lopes realizou a primeira avaliação correta da massa dos bósons vetoriais e apresentou a hipótese da existência de um bóson neutro, com massa 40 a 60 vezes maior que o próton, intermediando as interações fracas da forma como os fótons são os intermediadores das interações eletromagnéticas. Muitos da comunidade científica internacional entendem que ele também deveria Ter sido agraciado naquele prêmio Nobel. Envolveu-se nas articulações para a criação de importantes instituições como o Centro Brasileiro de Pesquisa Física (CBPF/RJ), a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), o Conselho Nacional para o Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e a Financiadora de Estudos e Pesquisas (FINEP). Durante a ditadura militar se exilou na França. Desenvolveu extensa carreira científica nos Estados Unidos e na França, onde foi Diretor do Centro de Pesquisas Nucleares de Estrasburgo. Retornou ao país definitivamente em 1986, para dirigir o CBPF, por convite do primeiro ministro de C&T do país, Renato Archer. Terminado o mandato, dedicou-se a ministrar conferências, pintar e escrever suas memórias. Ennio Candotti, presidente da SBPC resumiu bem seu perfil: “Ele não só ensinou a muitos de nós o que é física, mas também como se deve fazer política científica. Aprendemos que não bastava sermos bons cientistas. Precisávamos estar atentos aos problemas sociais e econômicos do país”. Veja mais sobre a vida e a obra de Leite Lopes nos sites: www4.prossiga.br/Lopes/ e www.cbpf.br/LeiteLopes.
Publicado em 24 de junho de 2006 às 00:00 por appoloni