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28 June 2006

Conexão Ciência

Conexão Ciência é um jornal eletrônico de divulgação científica e faz parte do projeto de assessoria de comunicação do Departamento de Comunicação Social da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Vale a pena se inscrever para receber o jornal, que apresenta reportagens e entrevistas, sempre sobre temas atuais e também com pesquisas desenvolvidas na UEL. O site do jornal é www.jornalexpress.com.br/ e o e.mail é conexaociencia@yahoo.com.br.

24 June 2006

Leite Lopes

No dia 12 de junho passado desencarnou o físico pernambucano José Leite Lopes, aos 87 anos. Leite Lopes foi um dos maiores nomes da ciência brasileira e respeitado no cenário internacional. Dedicou-se à física teórica das partículas elementares e trabalhou no problema da integração das forças fundamentais da natureza. Em 1958 realizou a previsão teórica de uma das partículas fundamentais, o bóson vetorial Z0, intermediador da força nuclear fraca, a qual é responsável pelos decaimentos radioativos do tipo beta (beta+, beta- e captura eletrônica). Esta partícula só seria observada experimentalmente mais de vinte anos depois. Seu artigo original, publicado na revista Nuclear Physics, foi fundamental para o desenvolvimento da teoria da unificação eletro-fraca (unificação entre as teorias das forças eletromagnética e nuclear fraca), realizada depois pelos norte-americanos Steve Weinberg e Sheldon Glashow e o paquistanês Abdus Salam, que por isto receberam o prêmio Nobel de Física em 1979. Leite Lopes realizou a primeira avaliação correta da massa dos bósons vetoriais e apresentou a hipótese da existência de um bóson neutro, com massa 40 a 60 vezes maior que o próton, intermediando as interações fracas da forma como os fótons são os intermediadores das interações eletromagnéticas. Muitos da comunidade científica internacional entendem que ele também deveria Ter sido agraciado naquele prêmio Nobel. Envolveu-se nas articulações para a criação de importantes instituições como o Centro Brasileiro de Pesquisa Física (CBPF/RJ), a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), o Conselho Nacional para o Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e a Financiadora de Estudos e Pesquisas (FINEP). Durante a ditadura militar se exilou na França. Desenvolveu extensa carreira científica nos Estados Unidos e na França, onde foi Diretor do Centro de Pesquisas Nucleares de Estrasburgo. Retornou ao país definitivamente em 1986, para dirigir o CBPF, por convite do primeiro ministro de C&T do país, Renato Archer. Terminado o mandato, dedicou-se a ministrar conferências, pintar e escrever suas memórias. Ennio Candotti, presidente da SBPC resumiu bem seu perfil: “Ele não só ensinou a muitos de nós o que é física, mas também como se deve fazer política científica. Aprendemos que não bastava sermos bons cientistas. Precisávamos estar atentos aos problemas sociais e econômicos do país”. Veja mais sobre a vida e a obra de Leite Lopes nos sites: www4.prossiga.br/Lopes/ e www.cbpf.br/LeiteLopes.

22 June 2006

Coleções Biológicas do Paraná

No ano passado abordei o assunto das coleções biológicas em três colunas, de números 344 (4/10), 345 (11/10) e 348 (01/11), que podem ser acessadas no site www.fisica.uel.br/c&t. No mês passado foi lançado, em solenidade realizada na Universidade Federal do Paraná, o projeto “TaxonLine – Rede Paranaense de Coleções Biológicas”.
Veja o site do projeto: www.taxonline.ufpr.br.

17 June 2006

Ciência e Gênero

Uma nova publicação do Grupo de Estudos em Inovação Tecnológica na Agricultura (GEITA) será lançada no próximo dia 29 de junho, por ocasião da comemoração dos 34 anos do Instituto Agronômico do Paraná, no auditório da instituição. Trata-se do livro “Ciência, Tecnologia e Gênero – desvelando o feminino na construção do conhecimento”, organizado por um trio de pesquisadoras encabeçado por Lucy Woellner dos Santos. O GEITA já publicou duas edições do ótimo livro “Ciência, Tecnologia e Sociedade”, 2002 e 2004 (ampliada), comentados em edições anteriores desta coluna. O lançamento fará parte da programação da Vesperal de Palestras “Dialogando sobre a relação Ciência e Gênero”, que será realizada das 14 às 19 horas na data já referida. A primeira parte, das 14 às 18, constará de quatro palestras, com pesquisadores de várias instituições, sobre os seguintes temas: “A Ciência é masculina? É, sim senhora!”; “A produção científica feminina – uma análise de gênero sobre a base de dados SciELO”; “Frankenstein, o Médico e o Monstro: ciência, gênero e alteridade na literatura inglesa do século XIX”; “Construções de Gênero: das revistas científicas para a pauta dos jornais”. Às 18 horas será realizada uma homenagem a Lucia Tosi, pioneira nos estudos de Ciência e Gênero no Brasil, às 18h30 será realizado o lançamento do livro, com apresentação do Prof. Ennio Candotti, Presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), seguido, às 19 horas, de coquetel do lançamento do livro e abertura da exposição de arte “Felix Aramis: IAPAR em bico-de-pena”. Mais informações sobre o evento podem ser obtidas pelos telefones 43-3376-2309 e 3376-2201. Parabéns aos IAPAR pelos 34 anos de grandes serviços prestados à ciência e tecnologia agronômica do Paraná e do país.

14 June 2006

Outros papos: Chuva de excrementos em Londrina

Um sério desequilíbrio ecológico em Londrina, encoberto pela romântica visão de grandes revoadas de pássaros na cidade, tornou um inferno a vida de muita gente e já está ameaçando a saúde pública. Com a ausência de predadores naturais, o crescimento alarmante de pássaros, em especial rolinhas e pombas, criou uma verdadeira chuva diária de excrementos nas áreas centrais da cidade. A partir do entardecer, as pessoas mais cuidadosas caminham de guarda-chuva aberto em regiões nobres, para não chegarem literalmente cagadas em seus destinos. As calçadas têm camadas de merda acumuladas, que quando chove se torna escorregadia, perigosa e nojenta. Isso sem falar no enorme mau cheiro. Ironicamente, lojas finas e edifícios de luxo dos “Jardins” de Londrina têm constantemente na sua frente um mar de bosta fedida, renovado toda noite. Claro que todos estes excrementos não são estéreis, estão cheios de microorganismos nada interessantes para a saúde das pessoas e animais que circulam pelas calçadas. As senhoras e senhores que passeiam empertigados com seus (aparentemente) limpíssimos cães de estimação, além de via de regra também contribuir para o “emerdamento” geral da cidade, levam para suas casas, edifícios e apartamentos os excrementos de pássaros que estes animais trazem nas patas, nos pêlos e boca – já que também lambem o que está nas calçadas. Aliás, todo mundo que anda pela cidade deveria olhar com mais cuidado para a sola de seus sapatos, mesmo quando não se lembra de ter pisado em “presente” deixado na rua pelos elegantes proprietários de cachorros, que além da merda infernizam a cidade com a constante, irritante e crescente “sinfonia” de latidos nas ruas, casas e apartamentos. Voltando à questão dos pássaros, quem sabe se a Secretaria Municipal de Saúde não deveria comprar gaviões e soltá-los na cidade, para ver se restabelece um pouco o equilíbrio da população de pássaros. Afinal os excrementos das pombas estão já estão ameaçando até o patrimônio público em vários locais da cidade! Com relação aos cães, se o comportamento dos seus donos não passar a seguir as normas civilizadas já (teoricamente) vigentes na cidade (mas nunca fiscalizadas) e seu número parar de aumentar exponencialmente, logo logo começará a haver atentados terroristas a pet shops e comércios afins, assim como ondas de assassinatos em série de cachorros, pois claramente tem muita gente que não agüenta mais! Claro que contribui muito para azedar o clima (e servir de desculpas para alguns) a outra chuva de merda, aquela “metafórica”, produzida pelo atual governo federal e seus comparsas, que já cobriu e sufocou todo o país, mas este é outro assunto, não é?

11 June 2006

Site da Semana Nacional de C&T de 2006

Já está no ar o site Semana Nacional de C&T de 2006, que será realizada de 16 a 23 de outubro. O endereço é: semanact2006.mct.gov.br. Além de obter informações sobre os eventos que irão acontecer em todo o país, o site permite o cadastramento de atividades, assim como também oferecer e requerer palestras. Mais informações com Vera Pinheiro, da Assessoria de Comunicação do Departamento de Popularização e Difusão de C&T do Ministério da C&T, pelos telefones (21) 2555-0317 / 8181-7507 ou e-mail verario@finep.gov.br.

04 June 2006

Queda nos investimentos em C&T e P&D

Caem os investimentos em C&T

O investimento em Ciência e Tecnologia (C&T), como percentagem do Produto Interno Bruto (PIB) do país, está caindo novamente. No triênio 2000-2002 o investimento teve uma média de 1,44% do PIB, chegando ao teto de 1,46% do PIB em 2001. Já no triênio 2003-2005 a média foi de 1,37% do PIB, com teto de 1,38%. A estimativa para 2005 é de repetir 2004, com 1,37% do PIB. Vamos ver a composição destes números em função dos setores. Os investimentos públicos em C&T no período 2000-2005 atingiram o máximo de 0,8% do PIB em 2001 e o mínimo de 0,72% do PIB em 2003. Depois desse mínimo começou a se recuperar e chegou a 0,75% do PIB em 2005. Esta recuperação aconteceu pela ampliação dos investimentos públicos federais em C&T que passaram de 0,48% do PIB em 2003 para 0,52% do PIB em 2005. O dispêndio dos Estados em C&T caiu de 0,24% do PIB em 2003 para 0,23% do PIB em 2004. O investimento das empresas em C&T, que chegou a 0,69% do PIB em 2002, caiu para 0,62% do PIB – o valor mais baixo desde 2002. Em outras palavras: o quadro não é nada bom. A meta de aumentar este percentual até 2007 não será atingida, com enorme prejuízo a curto, médio e longo prazos para todo o sistema de C&T do país, além das implicações no setor produtivo e na área de formação de recursos humanos.


Caem também os investimentos em P&D

No primeiro parágrafo do capítulo “Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento Nacional”, da primeira mensagem enviada ao Congresso Nacional pelo presidente Lula, no início de 2003, estava a promessa de elevar o investimento em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) a 2% do PIB até o final de 2006. Também esta promessa não se cumprirá. Os investimentos em P&D que atingiram o máximo de 1,02% do PIB em 2001, caíram continuamente até chegar em 0,93% em 2004. Para o ano de 2005 a projeção é algo semelhante e em 2006, com o veto presidencial à lei que descontingencia o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), as projeções continuam sombrias. Vejamos os dispêndios em P&D por setor. Os Estados tiveram um máximo de 0,24% de investimentos em P&D em 2001, caindo para 0,18% em 2004! Menos acentuada foi a queda na área federal e nas empresas: 0,41% do PIB em 2001 para 0,39% em 2004. Pelo jeito ainda não houve tempo suficiente para os efeitos da Política Industrial, Tecnológica e de Comércio Exterior (PITCE) e do conjunto de instrumentos de incentivo à P&D recentemente aprovados para o setor privado surtirem efeitos nestes números. . . Os dados mostram que o investimento das empresas privadas caiu de 0,35% do PIB (em 2000, 2001 e 2002) para 0,33% em 2003 e 0,32% em 2004. Quando é que o país vai sair deste atoleiro e parar de ficar marcando passo, que neste caso significa ficar para trás? A fonte dos dados comentados nestes dois primeiros blocos é o detalhado artigo “Investimento em pesquisa e desenvolvimento não cresce no país”, do jornal Inovação Unicamp de 15/5, reproduzido no JC e-mail 3017, de 17/5/06. Recomendo a leitura.


Os cortes orçamentários de 2006

O governo federal decidiu bloquear R$ 14,2 bilhões do Orçamento de 2006, aprovado em abril pelo Congresso Nacional. Como esperado, um valor superior ao mínimo necessário (R$ 12,9 bilhões) para cumprir a meta deste ano do superávit primário (economia para pagar os juros da dívida externa) de 2,45% do PIB. Pelo menos foi menor do que os R$ 20 bilhões sinalizado inicialmente. Os maiores cortes foram nos Ministérios dos Transportes, Cidades e Integração Nacional, com diminuições de mais de R$ 1 bilhão em cada um. Os menos afetados foram a Justiça, Cultura, Comunicações, Minas e Energia, Meio Ambiente, Industria e Comércio, com cortes abaixo dos R$ 200 milhões cada um. O contingenciamento na Educação foi de R$ 561 milhões, para um total a ser disponibilizado de R$ 7,827 bilhões, ou seja, de 7,17%.