A questão do embate em andamento em São Paulo sobre o salário dos professores municipais foi tratada sob uma ângulo interessante na coluna de Gilberto Dimenstein, publicada no jornal Folha de São Paulo de 9 de abril, com o título “É certo uma doméstica ganhar mais do que um professor?” Sugiro a leitura do artigo e reproduzo aqui os trechos iniciais: “O salário médio de uma empregada doméstica na cidade de São Paulo é de R$ 800, informa a Federação Nacional das Trabalhadoras Domésticas. É mais do que os R$ 615 pagos a uma professora iniciante da rede municipal, com uma carga horária de 20 horas. Se comparássemos com uma diarista, a diferença seria maior: sua média de rendimentos é de R$ 1.600. O professor iniciante paulistano não pode, aliás, nem mesmo contar vantagem diante dos pedintes dos semáforos. Segundo estimativa da Secretaria Municipal do Desenvolvimento Social, esse trabalhador tira, em média, R$ 25 por dia. Com rendimento inferior ao de uma empregada doméstica e quase empatado com o de um pedinte, entende-se por que os professores entraram em greve em São Paulo. O problema não é só dinheiro: eles vivem sob intenso estresse, devido às salas superlotadas, alunos indisciplinados e agressivos, além de serem vítimas das mais diversas formas de violência. Nessa questão salarial se revelam, na verdade, os valores de uma nação. Na prática, essas comparações significam, por mais absurdo que pareçam, que a sociedade dá mais valor à posição social de uma empregada do que a de um professor público – é assim que se medem, e não no palavrório, as verdadeiras prioridades do país. Poderíamos medir a prioridade não só pelo salário, mas pela baixa repercussão que essa greve tem na opinião pública.” Pois é, este é o nosso país, em que toda a pirâmide social, dos seus dirigentes maiores à base da sociedade, desvalorizam a educação e tripudiam os educadores. Será que os pais de todas estas crianças não estão preocupados com o ensino que elas estão recebendo? Será que não perceberam ainda que o futuro de seus filhos (e o deles próprios) depende da qualidade da educação que estão recebendo agora?
Publicado em 21 de abril de 2006 às 00:00 por appoloni