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09 August 2005

Hiroshima e Nagasaki

Há 60 anos atrás duas bombas marcaram profundamente a história do século XX, muitos afirmam que inclusive mudaram seu curso. A bomba de fissão nuclear de 12 quilotons de urânio-235 (enriquecido a mais de 90%) lançada em Hiroshima em 6 de agosto de 1945 e a de plutônio, de potência equivalente, lançada sobre Nagazaki em 9 de agosto, determinaram a rendição incondicional do Japão em 14 de agosto daquele ano. Em Hiroshima cerca de 80 mil civis foram mortos imediatamente e outros 60 mil morreriam nos quatro meses seguintes em conseqüência dos efeitos das radiações a que foram expostos. Em Nagazaki os números foram semelhantes. A capacidade de destruição numa escala sequer imaginada anteriormente e o sofrimento das dezenas de milhares de vítimas, marcou para sempre a emergente energia nuclear. O Japão, de algoz na II Guerra Mundial, juntamente com a Alemanha e a Itália, passou ao papel de vítima. A respeito, vide, por exemplo, a matéria da pagina A24 do jornal Folha de São Paulo (FSP) de 7/8/05. A física nuclear carrega até hoje este estigma, apesar da enorme quantidade e variedade de aplicações pacíficas estarem à volta de todos, da medicina nuclear às aplicações industriais, na agricultura, nas artes e na arqueologia e em metodologias de análise não-destrutiva empregadas por quase todos os ramos da ciência e da tecnologia. A marca é tão forte que, na atual novela das sete da Globo, o personagem infantil “do mal”, capaz de rivalizar em baixarias com os vilões adultos da trama, declara que pretende estudar física nuclear, para estarrecimento do interlocutor. O badalado autor da novela se prestou ao papel de propagar o estereótipo colocado nesta área da ciência. O horror aos tipos de efeitos imediatos e posteriores das bombas, assim como à possibilidade de destruição em escala planetária, deflagrou em várias frentes, do público leigo aos cientistas, o mais consistente e forte movimento pacifista da história mundial. Infelizmente, a crescente militarização do mundo contemporâneo, o terrorismo fundamentalista e os interesses econômicos da indústria bélica são um obstáculo cada vez mais forte à possibilidade dos ideais pacifistas serem incorporados na estrutura da civilização humana.

Bomba nazista
Embora tudo indique que em 1944 os alemães haviam abandonado o seu projeto de bomba atômica, recentemente foi descoberto um diagrama (e único) de um projeto de bomba alemã, publicado no número de junho deste ano da revista “Physics World”. Dois historiadores alemães descobriram um relatório, que estimam ter sido escrito pouco depois do final da II Guerra, em 1945. Nele estava este diagrama e a estimativa de que seriam necessários cinco quilos de plutônio para que a bomba funcionasse, número bastante próximo à quantidade de fato necessária. Como sabe-se que a conhecida equipe alemã da bomba superestimava a quantidade de material físsil para a bomba, esta descoberta sinaliza que teria existido outra equipe, trabalhando independentemente e que teria chegado mais perto do sucesso . . . Só de pensar na possibilidade já dá arrepios!

1.o Relato sobre Nagazaki
Em setembro de 1945, George Weller, correspondente do jornal “Chicago Daily News”, chegou clandestinamente a Nagazaki, antes das tropas de ocupação dos EUA. Ele escreveu dezenas de reportagens detalhando os efeitos da bomba atômica. Um relato cru e em primeira pessoa sobre a destruição e a terrível realidade pela qual passavam os sobreviventes, enquanto viam seus familiares e vizinhos morrerem devido aos efeitos da radiação. Todos os artigos foram censurados na época pelo serviço de censura do comando do general Douglas A. MacArthur e nunca foram publicados - até junho deste ano, quando o jornal japonês “Mainichi Shimbun” adquiriu do filho de Weller os direitos sobre os relatos dos dias 8 e 9 de setembro de 1945. O texto integral, em inglês, está no site www.mdn.mainichi.co.jp. No Brasil o assunto foi noticiado na página A15 da edição de 21/6/05 da FSP.

A sombra da bomba
Até alguns anos atrás se pensava que a ameaça de guerra nuclear tinha passado com os anos da Guerra Fria das décadas de 60 e 70. Mas não é nada assim, infelizmente. Planos para uma nova geração de armas nucleares nos EUA, a real possibilidade do terrorismo nuclear e a questão dos programas nucleares do Irã e da Coréia do Norte são os principais aspectos desta nova configuração do problema que está se avolumando sobre nossas cabeças.

02 August 2005

Prêmio FINEP 2005 e destaques dos premiados em 2004

Prêmio FINEP 2005
As inscrições para o Prêmio FINEP de Inovação Tecnológica 2005, encerradas em 15 de julho, bateram o recorde do ano passado e chegaram à marca de 678 participantes. O número representa um aumento de 35% em relação a 2004, quando 508 instituições se inscreveram. A categoria Inovação Social, apesar de estreante, teve o segundo maior número de inscritos, 166. A mais procurada foi a categoria Produto, com 316 propostas. Além destas, são premiadas as melhores Grandes e Pequenas Empresas, Institutos de Pesquisa, Processo e Inventor Inovador. Uma tradição que se confirma desde a criação do Prêmio Nacional, em 2000, é a liderança da Região Sudeste em número de participantes. Este ano, foram 272 inscritos, contra 206 da Região Sul, a segunda colocada. Outra categoria estreante em 2005 é a de Inventor Inovador, cuja premiação será concedida exclusivamente em âmbito nacional e destina-se àqueles que tenham desenvolvido produto ou processo já presente no mercado e possuam patente registrada no Brasil. Não existem inscrições para esta categoria e o vencedor será escolhido por uma comissão especial. O objetivo do Prêmio FINEP de Inovação Tecnológica é estimular os esforços inovadores das empresas no campo tecnológico, principalmente dos projetos que gerem resultados de impacto na sociedade. Podem concorrer empresas ou instituições públicas ou privadas com sede no País. “Inovação tornou-se um item indispensável por aquelas instituições e empresas que pretendem sobreviver em um ambiente competitivo e globalizado, seja no plano interno, seja no cenário internacional”, declarou Carlos Ganem, Superintendente da Área de Articulação Institucional da FINEP.

Prêmio FINEP 2004 Região Sul
No Prêmio FINEP de Inovação Tecnológica de 2004 a Região Sul foi recordista de inscrições. Dos 160 projetos concorrentes, 15 foram indicados e disputaram a final regional. A seguir a lista dos vencedores da regional sul do prêmio, por categoria, assim como a posição daqueles também premiados na final nacional. Categoria Produto: 1o lugar – Tuttotrasporti (RS), 2o lugar – ESSS (SC) e 3o lugar – Schulz (SC). Categoria Processo: 1o lugar – Tupy Fundições (SC) (que também ganhou o prêmio de 2o lugar na fase nacional), 2o lugar – Copesul (RS) e 3o lugar – Cooperativa Agroindustrial Lar (PR). Categoria Média / Grande Empresa: 1o lugar – Bematech (PR), que também levou o primeiro prêmio nacional nesta categoria, 2o lugar – Dígitro Tecnologia (SC) e 3o lugar – Schulz (SC). Categoria Pequena empresa: 1o lugar – Identech (PR), que também ganhou o segundo lugar na premiação nacional deste grupo, 2o lugar – Automat (PR) e 3o lugar – Nexxera (SC). Categoria Instituição de Pesquisa: 1o lugar – Laboratório de Tecnologia Mineral e Ambiental da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2o lugar – Centro Tecnológico do Couro, Calçado e Afins (RS) e 3o lugar – Centro Internacional de Tecnologia de Software / CITS (PR). Mais informações sobre o prêmio e, em especial sobre os todos os premiados dos anos anteriores, veja em www.finep.gov.br/premio.

Destaques 2004 do Paraná
A Identech, que ganhou o segundo lugar nacional na categoria Pequena Empresa, está há 12 anos no ramo de equipamentos eletrônicos de identificação e gerenciamento de ligações telefônicas. A empresa, que reinveste 12% do faturamento em pesquisa e desenvolvimento, possui 18 patentes e 12 marcas registradas. A Bematech, primeiro lugar nacional na categoria Média/Grande Empresa, é líder nacional em automação bancária e comercial. Fabrica miniimpressoras, como as fiscais, de cheques e de etiqueta de código de barras. Está no mercado há 14 anos e dentre seus 283 empregados, três deles tem mestrado. A empresa nasceu na Incubadora Tecnológica de Curitiba. 5,5% de seu faturamento de 2004, que foi de R$ 87 milhões, foi aplicado em pesquisa e desenvolvimento. A empresa possui oito patentes e 19 marcas registradas. Seus produtos podem ser encontrados também no exterior, como nos Estados Unidos, Inglaterra e China. O CITS, terceiro colocado na categoria instituição de pesquisa na fase regional sul, prioriza o desenvolvimento de inovações alta tecnologia. Em 12 anos de existência, já realizou mais de 300 projetos de pesquisa, além de contar com cerca de 40 instituições associadas, entre empresas e universidades. Veja mais dados sobre o CITS em www.cits.br.