Hiroshima e Nagasaki
Há 60 anos atrás duas bombas marcaram profundamente a história do século XX, muitos afirmam que inclusive mudaram seu curso. A bomba de fissão nuclear de 12 quilotons de urânio-235 (enriquecido a mais de 90%) lançada em Hiroshima em 6 de agosto de 1945 e a de plutônio, de potência equivalente, lançada sobre Nagazaki em 9 de agosto, determinaram a rendição incondicional do Japão em 14 de agosto daquele ano. Em Hiroshima cerca de 80 mil civis foram mortos imediatamente e outros 60 mil morreriam nos quatro meses seguintes em conseqüência dos efeitos das radiações a que foram expostos. Em Nagazaki os números foram semelhantes. A capacidade de destruição numa escala sequer imaginada anteriormente e o sofrimento das dezenas de milhares de vítimas, marcou para sempre a emergente energia nuclear. O Japão, de algoz na II Guerra Mundial, juntamente com a Alemanha e a Itália, passou ao papel de vítima. A respeito, vide, por exemplo, a matéria da pagina A24 do jornal Folha de São Paulo (FSP) de 7/8/05. A física nuclear carrega até hoje este estigma, apesar da enorme quantidade e variedade de aplicações pacíficas estarem à volta de todos, da medicina nuclear às aplicações industriais, na agricultura, nas artes e na arqueologia e em metodologias de análise não-destrutiva empregadas por quase todos os ramos da ciência e da tecnologia. A marca é tão forte que, na atual novela das sete da Globo, o personagem infantil “do mal”, capaz de rivalizar em baixarias com os vilões adultos da trama, declara que pretende estudar física nuclear, para estarrecimento do interlocutor. O badalado autor da novela se prestou ao papel de propagar o estereótipo colocado nesta área da ciência. O horror aos tipos de efeitos imediatos e posteriores das bombas, assim como à possibilidade de destruição em escala planetária, deflagrou em várias frentes, do público leigo aos cientistas, o mais consistente e forte movimento pacifista da história mundial. Infelizmente, a crescente militarização do mundo contemporâneo, o terrorismo fundamentalista e os interesses econômicos da indústria bélica são um obstáculo cada vez mais forte à possibilidade dos ideais pacifistas serem incorporados na estrutura da civilização humana.
Bomba nazista
Embora tudo indique que em 1944 os alemães haviam abandonado o seu projeto de bomba atômica, recentemente foi descoberto um diagrama (e único) de um projeto de bomba alemã, publicado no número de junho deste ano da revista “Physics World”. Dois historiadores alemães descobriram um relatório, que estimam ter sido escrito pouco depois do final da II Guerra, em 1945. Nele estava este diagrama e a estimativa de que seriam necessários cinco quilos de plutônio para que a bomba funcionasse, número bastante próximo à quantidade de fato necessária. Como sabe-se que a conhecida equipe alemã da bomba superestimava a quantidade de material físsil para a bomba, esta descoberta sinaliza que teria existido outra equipe, trabalhando independentemente e que teria chegado mais perto do sucesso . . . Só de pensar na possibilidade já dá arrepios!
1.o Relato sobre Nagazaki
Em setembro de 1945, George Weller, correspondente do jornal “Chicago Daily News”, chegou clandestinamente a Nagazaki, antes das tropas de ocupação dos EUA. Ele escreveu dezenas de reportagens detalhando os efeitos da bomba atômica. Um relato cru e em primeira pessoa sobre a destruição e a terrível realidade pela qual passavam os sobreviventes, enquanto viam seus familiares e vizinhos morrerem devido aos efeitos da radiação. Todos os artigos foram censurados na época pelo serviço de censura do comando do general Douglas A. MacArthur e nunca foram publicados - até junho deste ano, quando o jornal japonês “Mainichi Shimbun” adquiriu do filho de Weller os direitos sobre os relatos dos dias 8 e 9 de setembro de 1945. O texto integral, em inglês, está no site www.mdn.mainichi.co.jp. No Brasil o assunto foi noticiado na página A15 da edição de 21/6/05 da FSP.
A sombra da bomba
Até alguns anos atrás se pensava que a ameaça de guerra nuclear tinha passado com os anos da Guerra Fria das décadas de 60 e 70. Mas não é nada assim, infelizmente. Planos para uma nova geração de armas nucleares nos EUA, a real possibilidade do terrorismo nuclear e a questão dos programas nucleares do Irã e da Coréia do Norte são os principais aspectos desta nova configuração do problema que está se avolumando sobre nossas cabeças.
Bomba nazista
Embora tudo indique que em 1944 os alemães haviam abandonado o seu projeto de bomba atômica, recentemente foi descoberto um diagrama (e único) de um projeto de bomba alemã, publicado no número de junho deste ano da revista “Physics World”. Dois historiadores alemães descobriram um relatório, que estimam ter sido escrito pouco depois do final da II Guerra, em 1945. Nele estava este diagrama e a estimativa de que seriam necessários cinco quilos de plutônio para que a bomba funcionasse, número bastante próximo à quantidade de fato necessária. Como sabe-se que a conhecida equipe alemã da bomba superestimava a quantidade de material físsil para a bomba, esta descoberta sinaliza que teria existido outra equipe, trabalhando independentemente e que teria chegado mais perto do sucesso . . . Só de pensar na possibilidade já dá arrepios!
1.o Relato sobre Nagazaki
Em setembro de 1945, George Weller, correspondente do jornal “Chicago Daily News”, chegou clandestinamente a Nagazaki, antes das tropas de ocupação dos EUA. Ele escreveu dezenas de reportagens detalhando os efeitos da bomba atômica. Um relato cru e em primeira pessoa sobre a destruição e a terrível realidade pela qual passavam os sobreviventes, enquanto viam seus familiares e vizinhos morrerem devido aos efeitos da radiação. Todos os artigos foram censurados na época pelo serviço de censura do comando do general Douglas A. MacArthur e nunca foram publicados - até junho deste ano, quando o jornal japonês “Mainichi Shimbun” adquiriu do filho de Weller os direitos sobre os relatos dos dias 8 e 9 de setembro de 1945. O texto integral, em inglês, está no site www.mdn.mainichi.co.jp. No Brasil o assunto foi noticiado na página A15 da edição de 21/6/05 da FSP.
A sombra da bomba
Até alguns anos atrás se pensava que a ameaça de guerra nuclear tinha passado com os anos da Guerra Fria das décadas de 60 e 70. Mas não é nada assim, infelizmente. Planos para uma nova geração de armas nucleares nos EUA, a real possibilidade do terrorismo nuclear e a questão dos programas nucleares do Irã e da Coréia do Norte são os principais aspectos desta nova configuração do problema que está se avolumando sobre nossas cabeças.