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O Brasil obteve um destacado desempenho na Olimpíada Internacional de Física (IPhO), realizada em Salamanca, Espanha, de 2 a 12 julho. Esta foi a 36a edição desta olimpíada, reconhecida pelo seu alto grau de dificuldade. Participaram 350 estudantes de 77 países. A equipe brasileira, de cinco estudantes, foi selecionada e preparada pela Olimpíada Brasileira de Física (OBF), um programa permanente da Sociedade Brasileira de Física (SBF). Retornaram premiados: o cearense José Mário da Silva Filho, com Medalha de Bronze e os paulistas André F. de Castro da Silva e Aron A. Heleodoro, ambos com Menção Honrosa. Esta é a segunda vez que o Brasil conquista medalhas em seis participações na IPhO. Mais informações sobre a olimpíada internacional podem ser obtidas no site www.ipho2005.com. A OBF também seleciona e prepara a equipe do Brasil para a Olimpíada Ibero-americana de Física (OIbF), da qual participam Portugal, Espanha e países da América Latina. Em 2004 o Brasil conquistou na OIbF duas Medalhas de Ouro, uma de Prata e uma de Bronze, classificando-se por equipe em primeiro lugar. A participação de jovens nesses concursos internacionais, além de divulgar a Física e estimular o interesse pelo seu estudo, propicia o contato entre estudantes de diversos países com a perspectiva que daí possa sair fortalecida a necessidade da cooperação entre nações. É importante ressaltar que a SBF já está credenciando escolas e professores de todo o Brasil para a Olimpíada Brasileira de Física de 2005. A primeira prova está marcada para 13 de agosto. Dentre os finalistas da OBF de 2005 é que serão selecionadas as equipes brasileiras que participarão da IPhO e da OIbF de 2007. Veja mais informações em: www.sbfisica.org.br/olimpiadas.
Tomou posse no dia 21 de julho o terceiro ministro da C&T do governo Lula. Saiu o deputado federal Eduardo Campos (PSB) e entrou Sérgio Machado Rezende (PSB), que presidia, desde o início da atual gestão do governo federal, a Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP), agência de fomento vinculada ao Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT). É interessante que, quando do início do governo Lula, era exatamente Sérgio Rezende o preferido pela comunidade científica para assumir o MCT. Lula, no entanto, preferiu nomear Roberto Amaral (PSB) para o MCT e Sérgio para a Finep. A gestão de Amaral foi desastrosa e este foi substituído em janeiro de 2004 por Eduardo Campos, que desde então vinha realizando uma boa gestão. No entanto, devido ao conturbado cenário político atual, na recente reforma ministerial Campos voltou para a Câmara Federal, para ampliar a base governista e, segundo informações extra-oficiais, para se preparar para sair candidato a governador nas eleições de 2006. Desta forma, assume agora quem já deveria estar no comando do MCT desde o início do governo Lula. Sérgio Rezende realizou uma gestão frente à Finep que mereceu elogios de todos os setores a ela correlacionados. Sua ação de maior destaque foi o Programa de Apoio à Pesquisa em Empresas (Pappe), lançado em 2003. Até julho deste ano dezenove Estados já haviam implementado este programa, com recursos totais de R$ 170 milhões. Entre outros programas, atuou firmemente na desburocratização do sistema. A nova metodologia de trabalho adotada pela agência diminuiu o tempo de contratação de projetos de cinco meses (dados relativos ao período de 2001 a julho de 2004) para apenas 33 dias – fato inédito na burocracia federal!
Sérgio Rezende
O novo ministro da C&T é doutor em física pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), concluído em 1967. Participou da implantação do Departamento de Física da Universidade Federal de Pernambuco em 1972. É membro titular da Academia Brasileira de Ciências desde 1977. Além de importantes envolvimentos com comitês e conselhos de sociedades científicas e agências governamentais durante as décadas de 70 e 80, Sérgio participou da criação e foi o primeiro Diretor Científico da Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia do Estado de Pernambuco, em 1989. Foi Secretário Estadual de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente de Pernambuco de 1995 a 1998. Entre janeiro de 2001 e janeiro de 2003 foi Secretário do Patrimônio, Ciência e Cultura da Prefeitura de Olinda. Em 1995 Sérgio recebeu a Comenda da Ordem do Mérito Científico, categoria Grã-Cruz, concedida pela presidência da República e, em 2001, recebeu o Prêmio Anísio Teixeira, concedido pela CAPES.
Em abril deste ano foi realizada com sucesso a I Conferência Municipal de C&T, sobre a qual tratei em vários posts escritos naquele período. Aqueles que quiserem acessar os textos das propostas aprovadas nas três pré-conferências, as 40 propostas da conferência final, as palestras que abriram as pré-conferências (“O contexto nacional e estadual de C, T& I como pano de fundo para a construção de um sistema municipal”, “Organização e Consolidação do Sistema Municipal de Ciência, Tecnologia e Inovação”, “Contribuições para um Sistema Municipal de Ciência, Tecnologia e Inovação”), assim como leis, atas das reuniões do conselho e outras informações, vejam o site: www.londrinatecnopolis.org.br/novo_portal/noticias/shownews.asp?codNoticia=2418. Já o site do Conselho Municipal de C&T de Londrina (CMC&T) na pagina oficial da Prefeitura Municipal de Londrina não está assim completo e atualizado, por que será?
Por que ?
Desde a mudança da composição do secretariado do executivo municipal em janeiro deste ano, os antigos representantes do executivo municipal no CMC&T deixaram de ir às reuniões e novos representantes até agora não foram indicados, por que será? O papel do Conselho para o desenvolvimento da cidade é inegável e reconhecido por todos os níveis da sociedade organizada (em Londrina e fora dela), tanto que o ex-Diretor da CODEL era seu Vice-Presidente. O atual Diretor da CODEL nunca foi a sequer uma reunião do CMC&T, por que será? Vários importantes documentos encaminhados pelo CMC&T para o Executivo Municipal desde outubro de 2004 estão sem resposta até hoje, por que ? Por ora, vamos parar com esta lista de perguntas locais.
Paralelo tenebroso
Impossível deixar de pensar num forte paralelo com a postura de descaso e desrespeito em relação à área de C&T por parte do Executivo Estadual do Paraná. Atitude evidenciada na questão da dramática defasagem salarial dos servidores das Universidades Estaduais, no crescimento exponencial de docentes temporários nestas instituições devido à evasão dos doutores para instituições federais e de outros estados, e pela proibição de concursos públicos, assim como questões similares que geraram a vergonhosa crise pela qual passa o Instituto Agronômico do Paraná, parando uma longa lista por aqui. No entanto, a grande maioria dos políticos e administradores de plantão, assim como a sociedade que usufrui (e depende) dos serviços prestados por estas instituições, estão se “fazendo de papel de parede”, agem como se nada estivesse acontecendo, como se não fossem co-responsáveis diretos pela deplorável situação. A tormenta que se avoluma no horizonte é muito maior do que a imaginação dos arrogantes donos do poder podem sonhar. O nível de indignação e inconformismo nunca esteve tão alto. O pano de fundo da crise da corrupção no governo federal e seus partidos aliados é um combustível perigosíssimo a alimentar esta situação. Tomara que haja discernimento e real vontade política de resolver esta situação a tempo, pois, como diz um velho ditado: a semeadura não é obrigatória, mas a colheita sim – e sempre em dobro!
Enquanto isso em Goiânia
A Comissão Mista da Câmara Municipal de Goiânia aprovou no final de maio um projeto de emenda à Lei Orgânica do Município que cria o Fundo Municipal de C&T. Segundo o projeto, o Fundo contaria com 1% da arrecadação do município, que, este ano, representaria aproximadamente R$ 13 milhões. A proposta tramita para ir a plenário da Casa. Mais informações sobre o andamento da matéria podem ser obtidas pelo e.mail sbpcgoias@ig.com.br. Assim como aqui, quando da proposta de criação do Conselho e Fundo Municipais de C&T de Londrina, lá também são os associados da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência que estão à frente da movimentação. Em Londrina, diferentemente da proposta original dos associados locais da SBPC, o Fundo Municipal de C&T foi criado sem fonte de recursos definida e assim continua até hoje. Nem as solicitações ao Executivo Municipal de recursos específicos para algumas atividades prioritárias deliberadas pelo CMC&T para 2005 foram atendidas, aliás sequer respondidas. Bem, mas isso faz parte da listinha acima dos por quês...
Finalizo a repercussão dos 12 artigos do volume 30 da Revista Ciência & Ambiente (www.ufsm.br/cienciaeambiente), que tem Einstein como tema. Estes artigos fornecem um quadro completo e muito interessante sobre o cientista, seus trabalhos e atividades extra-científicas, relações com outros pesquisadores e com questões atuais da ciência, cuja leitura recomendo. O ano de 1905, considerado o ano “miraculoso” na produção científica de Einstein, cujo centenário é homenageado este ano pela Organização das Nações Unidas como o Ano Internacional da Física, merece um destaque. Da referida revista, reproduzirei a seguir o bloco referente a este ano do artigo “Albert Einstein – uma cronologia”, de Cássio L. Vieira.
1905
“No que é conhecido hoje como o “ano miraculoso” da ciência, produz seis trabalhos: 1) “O quantum e o efeito fotoelétrico”, concluído em 17 de março, no qual apresenta o que considerou sua idéia mais revolucionária: a de que a luz é formada por partículas – mais tarde, essas partículas seriam denominadas fótons, pelo físico-químico americano Gilbert Lewis (1875-1946). Foi principalmente pelas implicações desse trabalho que Einstein ganharia o prêmio Nobel de 1921 – só recebido no ano seguinte. O trabalho é dedicado a Marcel Grossmann (1878-1936), colega de graduação e mais tarde colaborador nos trabalhos que levaram à teoria da relatividade geral; 2) ”Uma nova determinação das dimensões moleculares”, finalizado em 30 de abril. Esse se tornaria seu trabalho mais freqüentemente citado na literatura científica moderna, devido à grande aplicação de seus resultados em outras áreas. Foi também com ele que obteve, em 15 de janeiro do ano seguinte, o título de doutor pela Universidade de Zurique; 3) “O movimento browniano”, recebido para publicação em 11 de maio, é um desdobramento de sua tese de doutorado. O trabalho trata do movimento desordenado de partículas diminutas em suspensão em um líquido; “Sobre a eletrodinâmica dos corpos em movimento”, primeiro trabalho sobre a teoria da relatividade restrita, recebido para publicação em 30 de junho; 5) “A inércia de um corpo depende de sua energia?”, recebido para publicação em 27 de setembro e seu segundo trabalho sobre a teoria da relatividade restrita. Nele, aparece uma variação aproximada da expressão E=mc2, considerada a fórmula mais famosa da física e, talvez, da ciência – a fórmula, como é hoje conhecida, só seria apresentada dois anos mais tarde; 6) “Movimento browniano”, segundo trabalho sobre o tema, recebido para publicação em 27 de dezembro.”
Última frase
Trecho final da última carta de Einstein, escrita em 21 de março de 1955 ao filho de seu recém-falecido amigo Michele Besso, apenas vinte e oito dias antes de sua própria morte: “Eis que, de novo, ele (Besso) me precede um pouco, deixando este estranho mundo. Isto nada significa. Para nós, físicos crentes, esta separação entre passado, presente e futuro não tem senão o valor de uma ilusão, por tenaz que seja.” (artigo da revista acima citada, “A correspondência Einstein – Besso”, Henrique Fleming).
Einstein na ComCiência
Outra publicação, que aconselho a leitura e também guardar o arquivo como material de referência, é o número 63 da revista mensal eletrônica de jornalismo científico ComCiência, publicada pelo LABJOR e SBPC, que teve como tema Einstein. O endereço de acesso é: www.comciencia.br. São oito artigos, seis reportagens, duas entrevistas e quatro resenhas de livros, fornecendo um outro painel riquíssimo sobre a vida e os trabalhos de Einstein, assim como temas correlacionados que vão desde a Teoria Unificada até Picasso.
Mitos e Mancadas
Para que não fique a impressão de que não haja controvérsias envolvendo Einstein, além daquela famosa, sobre o hipotético papel não reconhecido que sua primeira esposa teria tido na formulação da relatividade, cito três trabalhos: “Mancadas Einsteinianas” (de Domingos S. L. Soares, JC E-mail 2717, de 2/3/05), “a reação” ao artigo na carta de Raul Abramo (JC E-mail 2718, de 3/3/05) e “Mitos e Mancadas Einsteinianas 1” (de Marcos C. D. Neves, JC E-mail 2723, de 10/3/05). JC E-mail: www.jornaldaciencia.org.br.
O 1o Encontro Brasileiro de Estudos da Complexidade acontecerá de 11 a 13 de julho em Curitiba. O tema geral do encontro é “Nova ciência, nova sociedade”. A seguir um parágrafo dos organizadores do evento a respeito do tema geral. “O estado de violência, miséria e injustiça em que vivemos denuncia o fracasso do modelo de organização sócio-econômica dominante no planeta. A esperança de mudanças reais, talvez, esteja nas chamadas novas ciências, que começam a minar as bases da ciência clássica que está nas bases dos modelos de organização da sociedade atual. O surgimento de um novo paradigma científico, ancorado na Teoria da Complexidade, traz a possibilidade de encontramos novos caminhos para o desenvolvimento da humanidade de forma mais sustentável, justa e solidária”. Os objetivos do evento são: discutir os problemas científicos, sociais e econômicos do ponto de vista da teoria da complexidade e buscar soluções inovadoras; reunir a comunidade brasileira que desenvolve estudos na área da complexidade; criar um canal de divulgação das idéias associadas à complexidade e ao pensamento complexo; e possibilitar intercâmbio entre pesquisadores da área. Durante o encontro estão previstas apresentações de trabalhos científicos, palestras e debates que abordarão os seguintes temas: meio ambiente, educação, transdisciplinaridade, vida, saúde, sociedade e novas formas de organização sócio-econômicas e empresariais. Veja mais detalhes no site do evento: www.produtronica.pucpr.br/1ebec.
O mais antigo evento descobridor e estimulador de vocações científicas no país chega à sua 48a edição! A fase final do Concurso Cientistas de Amanhã, em que os dez finalistas nacionais se apresentam para uma banca avaliadora que selecionará os três melhores, acontece durante a reunião anual da SBPC. Este ano o Paraná já pode comemorar um feito: dentre os dez finalistas, quatro são do estado e dois de Londrina! Os de Londrina são: Gabriela da Silva Machineski (15 anos, do Colégio de Aplicação da UEL), que ficou entre os 10 finalistas de 2003 e em 2004 foi um dos três premiados finais do concurso – um destaque nacional por estar pela terceira vez consecutiva entre os 10 melhores do país - e Rodrigo Franco Ferreira (14 anos, Escola Interativa), a nova revelação da cidade. Os outros dois do Paraná são: Cristiane Briatori Ferreira (12 anos, Colégio La Salle, Curitiba) e Fábio Trombini (15 anos, Colégio Vicentino Santa Cruz, Campo Mourão). Parabéns aos jovens e também aos seus orientadores, que praticamente não aparecem, mas têm um papel fundamental na premiação. Veja mais detalhes sobre o concurso no site: www.cientistasdeamanha.com .
Os recentes acontecimentos políticos no país fizeram-me lembrar de um texto que escrevi há tempos.... aqui vai.
Da condição humana ou A propósito de “Abril Despedaçado”
O filme “Abril Despedaçado”, de Walter Salles, poderia ser visto apenas como o drama do homem brasileiro em condição de miséria ou um drama sobre a miséria nordestina, realizado com poesia, beleza, sensibilidade e alta qualidade técnica. Mas, tal leitura não faria juz à real riqueza do filme, que na verdade extrapola nossa geografia, física ou econômica, para tratar da miséria humana, da condição humana universal.
A rotina dura e áspera dos bois na canga na moenda de cana só é superada pela dos homens na canga das leis de honra, das tradições, das obrigações familiares – enfim do fundamentalismo nas relações sociais e pessoais. Os bois continuam andando em círculos entorno da moenda, mesmo sem a canga e sem os gritos e o chicote do patrão. De forma ainda pior os homens continuam, na moenda da carne, repetindo os rituais de honra e de morte, de egoísmo, violência e mesquinhez, sem dar atenção ao fato da canga não existir, senão pela vontade embotada deles próprios. Todos tão cegos quanto o verdadeiro cego, patriarca de uma das famílias, que dita as regras aos seus e, como o patriarca “não cego” da outra família, determina aos filhos que se matem. Olho por olho, todos acabam por ficar cegos, não restando sequer aquele “louco com um só olho”. . .
A terrível engrenagem da moenda de carne só poderá parar pela redenção através do amor. Do amor com o encontro com o outro e do amor de doação integral. O rapaz marcado para morrer conhece o amor, o enamorar-se e a paixão da carne, na última noite da trégua. O menino sente, vislumbra, intui a amplitude do que o irmão deixaria de viver e seu amor por ele o faz doar sua própria vida, com tranquilidade. A amplitude do gesto do menino ultrapassa a repercussão da noite de amor que o rapaz teve. Na bifurcação da estrada de terra, entre a maior e mais direta, que levaria o rapaz para o seu amor e uma nova vida, ele escolhe a mais estreita e menos óbvia, que o levará ao mar, o objeto de fantasia do irmão assassinado em seu lugar. Ao invés de uma nova vida com a amada e todas as promessas nela contida, o rapaz escolhe a própria transcendência de sua vida, a passada e a possível futura, indo em direção ao mar – tão perto e ao mesmo tempo tão distante das terras de seus pais – numa cena de impactante libertação e transfiguração espiritual.
Aqueles segundos, minutos, horas . . . diante do mar brilhante que ruge são mais significativos que toda uma vida. Afinal o tempo de vida de cada um, dez anos (o seu irmão que acaba de morrer), vinte anos (ele que deveria estar morto), trinta anos (aquele a quem ele matou há poucos dias), setenta, cento e vinte, significa o quê? Será que existe o tempo? Qualquer que seja a duração de cada vida humana, é um piscar de olhos na engrenagem do Universo. A escala dos fenômenos cosmológicos é tão vasta, que somos menos que um grão de areia na praia. Qual o significado da vida senão sua própria transcendência, o entendimento do substrato real por trás daquilo que a rotina, a superficialidade, o apego e as normas de poder dos homens impedem de ver.
Frente ao mar, tão próximo dos locais onde as fortes cenas de morte e amor se desenrolaram, no horizonte totalmente aberto da praia, de uma luminosidade quase surreal, em contraste com as cores escuras da terra e dos interiores das casas dos homens onde toda a estória do filme se desenvolve, aquele rapaz se encontra de repente em outra dimensão. Não se trata mais de um rapaz nordestino, um rapaz brasileiro ou albanês, é um homem sem tempo e sem pátria, que se deu conta da miséria humana e dela acaba de sair.
Quando é que a humanidade como um todo também se libertará da canga, criada por si própria, e sairá do círculo vicioso da violência, do egoísmo, da intolerância, do preconceito e do desamor? Quando é que a humanidade sairá “para ver o mar”, ou seja, dedicar suas energias para se deslumbrar com as belezas da natureza da Terra, do microcosmo e do cosmo – tudo aí “à mão”? Quando é que a humanidade vai se dedicar de fato a amar-se, conhecer-se interiormente e, dentro do contexto da impermanência que tudo caracteriza, enxergar “além do mar” e transfigurar-se, realizar o salto necessário para a real civilização planetária baseada no contínuo crescimento estético, intelectual e moral que caracteriza a evolução espiritual, esta sim permanente e único patrimônio concreto que possuímos? Aquela estradinha e sua bifurcação (para o circo da vida ou para o mar) está sempre à nossa frente, mesmo quando não percebemos ou não queremos perceber. . .
Carlos Roberto Appoloni
Londrina, 23 de junho de 2002
A 57a edição do maior evento científico do hemisfério sul, a Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), acontecerá no campus da Universidade Estadual do Ceará, em Fortaleza, de 17 a 22 de julho. São centenas de atividades entre conferências, minicursos e simpósios, além das apresentações de trabalhos científicos, exposições, assembléias de sociedades científicas e outras modalidades, abarcando todas as áreas do conhecimento. Mesmo quem não vai à reunião da SBPC deveria olhar a programação, para saber o que está acontecendo de relevante. Fiz uma seleção das mais interessantes do ponto de vista da gestão e divulgação de C&T, mas a lista chegou a onze eventos, de forma que apresentarei apenas os que acontecerão no dia 18 de julho: “Modelos brasileiros de governança de ciência e tecnologia”, conferencia com Evando Mirra de Paula e Silva (CGEE); Simpósio “Fundos setoriais (velhos e novos) e ações transversais”, coordenador - Eduardo Moacyr Krieger (ABC), expositores - Francelino Grando (MCT), Jailson Bittencourt de Andrade (UFBA), Sérgio Machado Rezende (FINEP); Simpósio “Governança dos riscos gerados pela C&T”, coordenador - Glaci Zancan (UFPR), expositores - Raymond Seltz (Euroscience), Paulo Emílio Valadão de Miranda (UFRJ); “O papel do Conselho Nacional de C&T na política de C&T”, conferencia do Ministro da C&T, Eduardo Campos; Simpósio “Institutos nacionais de pesquisa”, coordenador - Alaor Silverio Chaves (UFMG), expositores - Sérgio Bampi (UFRGS), Evando Mirra de Paula e Silva (CGEE). Acesse a programação completa da reunião anual da SBPC no site: http://www.sbpcnet.org.br/sbpc.html.