Ontem fui ver o filme “A Queda! As últimas horas de Hitler” (Der untergang). O impacto do filme pode ser avaliado pelo comportamento do público ao sair - mais pesado e mais silencioso que um enterro. O próprio título original, que também pode ser traduzido por afundamento, ocaso e declínio, diz bem do que se trata o drama. Eu prefiro resumir por uma palavra: horror. A arrogância extrema, a loucura do poder absoluto, o fanatismo, a insensibilidade, o ódio e a total ausência de compaixão traduzido pelo Estado Nazista se revela no seu final de forma ainda mais horrível do que durante seu apogeu.
O filme contêm importantes aprendizados, deveria ser obrigatório passar em todas as escolas do segundo grau - seguido de amplas e profundas discussões sobre tudo que nele é focado, em especial o impressionante testemunho do personagem condutor da estória, a jovem secretária de Hitler, que muito mais tarde confessa que sua juventude e inexperiência não podiam ter sido desculpa para ignorar o que acontecia à sua volta e se posicionar frente aos fatos de forma independente daqueles que compunham o grupo do poder. Ela gravou esta fala com mais de 80 anos.
Outra questão abordada em vários momentos é da responsabilidade do povo alemão no destino final do governo nazista e do país. Os dirigentes máximos afirmaram não derramar nenhuma lágrima pelo povo alemão, que eles os escolheram e com eles naufragariam. Quem vê aquela Berlim destroçada, em ruínas, coalhada de cadáveres de militares e civis, e agora vê a rica e vigorosa Berlim unificada do final do início do século XXI, apenas 60 anos depois, custa a acreditar no que houve. E muita gente já está agindo como se não tivesse havido mesmo! Aqueles mesmos ódios, fanatismos e arrogância estão presentes hoje nas ações em vários lugares do mundo, inclusive na Europa. A ressaca desta II Guerra parece não terminar nunca, seus resíduos diretos e indiretos não param de crescer.
Tudo é uma questão de escolha, enquanto ela é possível. E sempre existe o momento em que ela ainda é possível. Todos temos a responsabilidade de não deixar passar este momento. Colocar no poder o grupo errado e deixar que este grupo atinja o poder absoluto e incontestável, seja qual for o argumento, é o êrro fundamental que várias sociedades já cometeram e continuam a cometer na história da humanidade. Enquanto esta lição não for aprendida, o desastre é inevitável, tão inevitável como horrível.
Publicado em 26 de junho de 2005 às 11:36 por appoloni