Pesquisa e Inovação III
O papel da pesquisa e do pesquisador é fundamental para a realização da inovação industrial, que é de longe o principal motor do desenvolvimento econômico e social contemporâneo. Os resultados da pesquisa “Espaços preferenciais e aglomerações industriais”, realizada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) motivou vários artigos publicados pela imprensa nacional. Esta é a terceira coluna sobre o assunto, em que concluo a repercussão destes artigos, adicionando outros dados e comentários. De acordo com a pesquisa, dentre as 15 aglomerações industriais do país, o Paraná tem dois pólos de inovação industrial: Curitiba e Londrina.
Pesquisa e empreendedorismo
Em 1999, vinte experientes funcionários, com em média 17 anos de casa, deixaram a Companhia Paranaense de Energia (Copel) e fundaram a Automat. O objetivo da empresa criada foi, e continua sendo, o de pesquisar e desenvolver soluções para o mercado de automação e controle. Hoje a empresa tem 40 funcionários diretos e 600 terceirizados. Detém tecnologia para automação e controle no setor elétrico, medição integrada de água, gás e energia elétrica e está se preparando para entrar na monitoração e supervisão do meio ambiente. Seu faturamento médio anual é de R$ 10 milhões e 8% dele é investido em pesquisa e desenvolvimento. O desenvolvimento de sistemas elétricos colocou a empresa entre as 100 melhores em inovação tecnológica na Feira de Hannover, na Alemanha, e também lhe rendeu o Prêmio Finep de Inovação Tecnológica em 2003 e 2004. Das 121.877 empresas de base tecnológica do país, 4.322 estão, como a Automat, no cinturão industrial Curitiba, onde foi criada toda a infra-estrutura necessária para o desenvolvimento industrial de inovação. Por que esta política não foi descentralizada? Nos últimos anos, a duras penas e com tímido apoio governamental, os pólos do interior procuram, com base em seus ativos de recursos humanos de pesquisa, consolidar parques tecnológicos e incubadoras para alavancar o crescimento industrial de base tecnológica. O pólo de Londrina aglutina seis municípios onde 36% das empresas são inovadoras e 53% delas são especializadas em produtos padronizados. O PIB industrial de Londrina é de cerca de R$ 1,4 bilhão, pouco mais de um décimo do PIB do pólo de Curitiba, que é de R$ 11 bilhões. A cidade conta com uma ativa incubadora de empresas, a INTUEL, e um amplo projeto de atividades e infra-estrutura para a inovação conduzido pela ADETEC (www.londrinatecnopolis.org.br).
Santa Rita do Sapucaí
Na coluna número 280, publicada em 08/06/04, tratei em detalhe do caso de Santa Rita do Sapucaí. Cidade no interior de Minas Gerais, com apenas 31.264 habitantes, que, com base numa história de formação de recursos humanos especializados em eletrônica que remonta ao final dos anos 50, conta hoje com 112 indústrias de eletroeletrônica, gerando 6 mil empregos e faturando US$ 150 milhões anuais. Lá, 98,5% dos domicílios tem água encanada, 100% tem energia elétrica, a coleta de lixo atinge 96,8% da cidade, a taxa de analfabetismo é de 13,5% e a renda per capita é de R$315,30. A cidade tem duas incubadoras tecnológicas em funcionamento, com um total de 10 empresas incubadas. As maiores indústrias do polo da região são a Philong do Brasil (fontes de alimentação para celulares), Linear (transmissores de tevê e rádios transmissores), Leucotron (centrais telefônicas), Sense (sensores eletrônicos) e a MCM (nobreaks e estabilizadores). Santa Rita foi objeto de uma matéria publicada na revista Valor Econômico de 25/04/05. A razão da notícia é a polêmica instalada na cidade devido à “explosão” de empregos realizada pela Philong. Desde 2003 a empresa já contratou 2.300 funcionários e pretende contratar outros 700 nos próximos meses, recrutando pessoas também em outros seis municípios vizinhos. O Presidente da Associação Comercial da cidade reclama que o Philong “desestruturou o comércio”, pois muitas pequenas empresas, acostumadas a pagar apenas o salário mínimo de R$ 260,00 para as funções mais simples, perderam funcionários para a Philong, que tem piso salarial de R$ 357,00, paga plano de saúde, seguro de vida e dá tiquete-alimentação. O temor desta contratação em massa é que resulte num aumento da média salarial na cidade e comprometa a competitividade das indústrias do pólo. O Prefeito da cidade diz que “o que eles querem é reserva de mercado e isto é coisa do passado”, e que as empresas da cidade vão ter que aumentar a própria competitividade porque os grandes investimentos são sim muito bem-vindos a Santa Rita. Oxalá mais cidades brasileiras estivessem com este tipo de “bom” problema.
Pesquisa e empreendedorismo
Em 1999, vinte experientes funcionários, com em média 17 anos de casa, deixaram a Companhia Paranaense de Energia (Copel) e fundaram a Automat. O objetivo da empresa criada foi, e continua sendo, o de pesquisar e desenvolver soluções para o mercado de automação e controle. Hoje a empresa tem 40 funcionários diretos e 600 terceirizados. Detém tecnologia para automação e controle no setor elétrico, medição integrada de água, gás e energia elétrica e está se preparando para entrar na monitoração e supervisão do meio ambiente. Seu faturamento médio anual é de R$ 10 milhões e 8% dele é investido em pesquisa e desenvolvimento. O desenvolvimento de sistemas elétricos colocou a empresa entre as 100 melhores em inovação tecnológica na Feira de Hannover, na Alemanha, e também lhe rendeu o Prêmio Finep de Inovação Tecnológica em 2003 e 2004. Das 121.877 empresas de base tecnológica do país, 4.322 estão, como a Automat, no cinturão industrial Curitiba, onde foi criada toda a infra-estrutura necessária para o desenvolvimento industrial de inovação. Por que esta política não foi descentralizada? Nos últimos anos, a duras penas e com tímido apoio governamental, os pólos do interior procuram, com base em seus ativos de recursos humanos de pesquisa, consolidar parques tecnológicos e incubadoras para alavancar o crescimento industrial de base tecnológica. O pólo de Londrina aglutina seis municípios onde 36% das empresas são inovadoras e 53% delas são especializadas em produtos padronizados. O PIB industrial de Londrina é de cerca de R$ 1,4 bilhão, pouco mais de um décimo do PIB do pólo de Curitiba, que é de R$ 11 bilhões. A cidade conta com uma ativa incubadora de empresas, a INTUEL, e um amplo projeto de atividades e infra-estrutura para a inovação conduzido pela ADETEC (www.londrinatecnopolis.org.br).
Santa Rita do Sapucaí
Na coluna número 280, publicada em 08/06/04, tratei em detalhe do caso de Santa Rita do Sapucaí. Cidade no interior de Minas Gerais, com apenas 31.264 habitantes, que, com base numa história de formação de recursos humanos especializados em eletrônica que remonta ao final dos anos 50, conta hoje com 112 indústrias de eletroeletrônica, gerando 6 mil empregos e faturando US$ 150 milhões anuais. Lá, 98,5% dos domicílios tem água encanada, 100% tem energia elétrica, a coleta de lixo atinge 96,8% da cidade, a taxa de analfabetismo é de 13,5% e a renda per capita é de R$315,30. A cidade tem duas incubadoras tecnológicas em funcionamento, com um total de 10 empresas incubadas. As maiores indústrias do polo da região são a Philong do Brasil (fontes de alimentação para celulares), Linear (transmissores de tevê e rádios transmissores), Leucotron (centrais telefônicas), Sense (sensores eletrônicos) e a MCM (nobreaks e estabilizadores). Santa Rita foi objeto de uma matéria publicada na revista Valor Econômico de 25/04/05. A razão da notícia é a polêmica instalada na cidade devido à “explosão” de empregos realizada pela Philong. Desde 2003 a empresa já contratou 2.300 funcionários e pretende contratar outros 700 nos próximos meses, recrutando pessoas também em outros seis municípios vizinhos. O Presidente da Associação Comercial da cidade reclama que o Philong “desestruturou o comércio”, pois muitas pequenas empresas, acostumadas a pagar apenas o salário mínimo de R$ 260,00 para as funções mais simples, perderam funcionários para a Philong, que tem piso salarial de R$ 357,00, paga plano de saúde, seguro de vida e dá tiquete-alimentação. O temor desta contratação em massa é que resulte num aumento da média salarial na cidade e comprometa a competitividade das indústrias do pólo. O Prefeito da cidade diz que “o que eles querem é reserva de mercado e isto é coisa do passado”, e que as empresas da cidade vão ter que aumentar a própria competitividade porque os grandes investimentos são sim muito bem-vindos a Santa Rita. Oxalá mais cidades brasileiras estivessem com este tipo de “bom” problema.