Ciência, Tecnologia e outros papos

Prefeituras e a C&T

A implantação de sistemas municipais de C&T, tanto no exterior como no país, é uma nova tendência já consolidada, que veio para ficar. O Fórum Nacional de Secretários Municipais da Área de Ciência e Tecnologia, constituído há alguns anos, congrega 65 prefeituras do país e tem assento no Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia. Embora o número seja pequeno, comparado com o total de municípios brasileiros, que é de 5.560, os resultados já são muito positivos. Os exemplos “clássicos” nesta área, dos municípios pioneiros de São Carlos (SP) e de Vitória (ES), inspiraram outras prefeituras a institucionalizar atividades de C&T para o desenvolvimento local e regional, através da criação de fundos e conselhos municipais de C&T, assim como de secretarias específicas de C&T ou destacar esta área dentro de secretarias afins. Umas das metas do Fórum Nacional é elevar para 100 o número de municípios integrantes do sistema até o final deste ano. Outras metas para 2005 são: capacitação de 300 gestores de inovação tecnológica, distribuídos entre os municípios das 12 meso-regiões brasileiras, conforme a nova divisão regional estabelecida pelo Ministério da Integração Nacional; e a realização de quatro eventos nacionais sobre atividades municipais de C&T&I. Mais informações sobre o Fórum podem ser solicitadas pelo e-mail abipti@abipti.org.br. Outro mecanismo de integração municipal nesta área é a Rede Mercocidades, que reúne 32 municípios do Mercosul, com a finalidade de promover o intercâmbio de C&T&I entre estes locais. As prefeituras com programas de C&T&I não ficam apenas no papel de passivamente ceder terreno para a formação de um parque tecnológico, mas se envolvem na sua idealização, implantação e gestão, instituem / fomentam mecanismos para a formação de mão de obra qualificada com o objetivo de atrair e manter empresas, e utilizam o conhecimento produzido na academia para resolver problemas de meio ambiente, saúde, transportes e outros, através de parcerias induzidas com as universidades e institutos de pesquisa locais. Para os interessados no assunto, sugiro a leitura do artigo “Políticas Públicas Municipais para C&T”, de Amílcar Baiardi, da Universidade Federal da Bahia, publicado no JC e-mail 2653, de 24/12/04, que pode ser acessado no site www.jornaldaciencia.org.br. Nas palavras de Amílcar: “Se convencer governadores de estado para atuarem de forma consistente e continuada na Política de Ciência e Tecnologia, não parece tarefa fácil (...), que dizer de convencer um prefeito de um pequeno município, que enfrenta questões muitas vezes dramáticas e mais imediatas, as quais não permitem pensar em outra coisa que não seja o encaminhamento de soluções curiais e redobrar esforços para garantir apoio estadual e federal ao governo local”. Vamos ver se conseguiremos que Londrina ultrapasse de vez a fase acima descrita e passe integrar o conjunto de municípios efetivamente engajados com uma política de C&T&I para o desenvolvimento.

Publicado em 27 de abril de 2005 às 00:00 por appoloni

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