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Anteprojeto de Reforma Universitária
Segundo o cientista político Edson Nunes, presidente da Câmara de Educação Superior do Conselho Nacional de Educação, “a reforma começou com a discussão de um projeto doutrinário, onde estão claras as preferências do partido eleito e das forças associadas a ele”. De forma equivocada, o PT, ao propor esta reforma, está fazendo da educação um projeto de governo e não uma política de Estado. O anteprojeto do governo federal para a reforma universitária se articula em torno de sete pontos: (1) Cresce a dotação orçamentária das universidades públicas federais; (2) Dificulta a entrada do capital estrangeiro no ensino superior; (3) Institucionaliza a política de cotas; (4) Cria conselhos com a participação da sociedade; (5) Cria pré-requisitos para a criação de novas universidades; (6) Submete as universidades ao princípio de responsabilidade social; (7) Inclui no sistema federal de educação superior as agências de fomento à pesquisa, isto é, estas agências passam a estar subordinadas à lei da reforma universitária. Notaram que em nenhum destes pontos constam itens como, por exemplo, qualidade do ensino, produção científica e valorização do professor? Alguns itens parecem interessantes, mas ao ler o texto da lei, aquilo que parece ser uma coisa, na verdade é outra. Todos sabem que o respeitado educador Cristovam Buarque foi demitido do Ministério da Educação (MEC) por conta desta reforma. Lula preferiu livrar-se dos intelectuais e entregou o ministério a um político profissional. O Conselho de Graduação da Universidade de São Paulo (USP) divulgou a seguinte posição: “o projeto do MEC desqualifica o conhecimento, esvazia a autonomia universitária a pretexto de ampliá-la, despreza a liberdade das unidades da Federação em matéria de ensino e viola a Constituição”. Veja o texto (e a propaganda oficial) do anteprojeto do governo no site http://portal.mec.gov.br/reforma.
A Indústria e a Reforma
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) também entrou na discussão da reforma universitária e entende que o governo deve cobrar metas de desempenho e qualidade das universidades. Veja no site http://universidade.valoronline.com.br/forum.php as propostas do CNI para a reforma universitária. Um caderno especial com o título “Contribuição da Indústria para a Reforma da Educação Superior” foi lançado em 11 de março. O documento de 48 páginas tem os seguintes capítulos: A Educação Superior e o Desenvolvimento Sustentável, Fundamentos do Desenvolvimento na Era do Conhecimento, Cenário da Educação Superior no Brasil, A Percepção da Sociedade Brasileira sobre a Reforma da Educação Superior, Princípios Norteadores da Reforma da Educação Superior, A Educação Superior Necessária ao Desenvolvimento : Desafios e Propostas, e Considerações Finais. O capítulo de propostas está dividido em 9 itens, em que para cada um deles é apresentado o desafio, as propostas correspondentes e seu detalhamento. Os itens são: Universalização da Educação Superior; Regionalização; Pluralidade de Modelos; Autonomia, Gestão e Avaliação; Financiamento; Certificação de Competências; Conteúdos Programáticos; Interação empresa-universidade; Pesquisa e Inovação. Este último item tem como propostas: Fomento à pesquisa aplicada, responsável pela maior inovação nas empresas, sem prejuízo para a pesquisa básica; Flexibilização e agilização do registro de patentes desenvolvidas por pesquisadores vinculados às Instituições de Ensino Superior, reduzindo prazos e os custos praticados no Brasil. Segue-se depois um ótimo texto sobre “Excelência científica e crescimento”, correlacionando dados de produção científica com registro de patentes no mundo. Ao todo, nos 9 itens, são 29 propostas. Ficaria muito longo tratar aqui de todo o documento, cuja leitura recomendo muito. Informações em: www.cni.org.br e sac@cni.org.br .
A 1a Conferência Municipal de C&T de Londrina será precedida de três pré-conferências, onde serão discutidos os documentos de propostas a serem votados na conferência final. Os temas das três pré-conferências, as datas e local de realização, todas no horário das 19:30 às 22h, são: “Linhas prioritárias de Ciência, Tecnologia e Inovação para o município de Londrina”, dia 31 de março na sala 201 do Centro de Ciências Biológicas da UEL; “Organização / consolidação do sistema municipal de C,T&I”, dia 7 de abril na UNOPAR, Campus Jd. Piza; “Políticas municipais de estímulo, apoio e financiamento para a C,T&I”, dia 14 de abril na sala 701 da UNIFIL. Ajude a divulgar e participe!
Reforma Universitária 1
Quem ainda não viu a (cara) propaganda do governo federal na televisão, louvando a sua proposta de reforma universitária, num texto que aparentemente é um chamado para a discussão nacional do referido anteprojeto? Tudo pago com o dinheiro do contribuinte, como tantas outras auto-louvações semelhantes colocadas na mídia. Deixando de lado a questão ética do uso do dinheiro público em propaganda do governo, o prazo para a entrega de sugestões ao anteprojeto da Lei da Educação Superior foi prorrogado para 30 de março (http://portal.mec.gov.br/reforma). Os debates sobre o assunto estão acontecendo em todos os níveis da sociedade e, embora a iniciativa da reforma do ensino superior seja louvável, a reação contra o anteprojeto do governo tem sido muito grande. No site da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência você poderá acessar um bloco de documentos sobre o assunto no endereço: www.sbpcnet.org.br/documentos/menu_doc.htm. Gostaria também de chamar a atenção para alguns artigos, cujos títulos são auto-explicativos e os nomes dos seus autores garantem seu nível e qualidade de análise: “Constituição e reforma universitária”, de Eros Grau (Folha de SP, 23/1/05); “O desmonte da universidade”, de Denis L. Rosenfield (O Estado de SP, 24/1/05); “A reforma que não reforma”, de Arnaldo Niskier (Folha de SP, 1/2/05); “O projeto de reforma do ensino superior”, de José Goldemberg e Eunice R. Durham (Folha de SP, 10/2/05) e “Reforma sem estratégia”, de Carlos H. de Brito Cruz (Folha de SP, 22/2/05). Voltarei a este assunto em um próximo post.
Hans Bethe
No dia 6 de março passado, aos 98 anos de idade, desencarnou um outro importante físico: Hans Bethe. De mãe era judia, Bethe fugiu para os EUA em 1933, devido à ascensão do governo nazista na Alemanha. Durante a Segunda Guerra Mundial chefiou a divisão de física teórica do Projeto Manhattan, de desenvolvimento da bomba atômica. Foi, no entanto, no campo das reações de fusão nuclear que ele mais se destacou. Bethe explicou o ciclo de fusão nuclear do hidrogênio, em que núcleos deste elemento são fundidos produzindo hélio e radiação eletromagnética, esclarecendo a origem da energia liberada pelo Sol e outras estrelas similares. Na continuidade destas pesquisas, Bethe, entre outros trabalhos, investigou as reações nucleares que ocorrem na fase final do ciclo de vida das estrelas, antes de explodirem como super-novas, assim como a síntese dos elementos químicos mais pesados que o ferro realizada nestas reações. Bethe recebeu o Prêmio Nobel em 1967 pelo trabalho de explicação da reação de fusão do hidrogênio, catalizada (acelerada) pela presença do elemento carbono. O campo da Astrofísica Nuclear, do qual Bethe foi um dos criadores, se tornou uma das ferramentas indispensáveis até hoje para o entendimento do Universo. Ele trabalhou também em outras frentes. Por exemplo: em 1947 Bethe foi o primeiro a explicar o deslocamento Lamb no espectro do átomo de Hidrogênio, lançando as bases para os modernos desenvolvimentos da eletrodinâmica quântica. Apesar de estar aposentado desde 1975, trabalhou até os anos 90 no Laboratório Newman de Estudos Nucleares da Universidade de Cornell.
Contra a proliferação nuclear
Segundo Bethe, embora os criadores da bomba atômica soubessem de seu potencial destrutivo, a realidade acabou sendo “pior do que esperávamos”. “Depois de Hiroshima, muitos de nós dissemos: vamos fazer de tudo para que não aconteça de novo”. Assim, em paralelo com sua atividade como pesquisador, Bethe passou a se dedicar à causa da não proliferação nuclear. Ele foi um dos principais fundadores e ativista do movimento pacifista Pugwash, criado em 1957. Também ajudou a criar a proibição mundial de testes nucleares atmosféricos em 1973. Em 1999 conclamou os cientistas “a interromperem e desistirem de trabalhos de criação, desenvolvimento, melhoria e fabricação de armas de destruição de massa”. Mais detalhes sobre a trajetória deste físico você pode conferir nos sites: http://bethe.cornell.edu/about.html, http://nobelprize.org/physics/laureates/1967/bethe-bio.html e http://story.news.yahoo.com/fc?cid=34&tmpl=fc&in=Science&cat=Hans_Bethe.
O texto abaixo está circulando bastante nas listas de discussão internas da UEL e creio ser interessante dar conhecimento mais amplo do mesmo. Ele foi veiculado pelo autor no dia 18 de março, mas outras pessoas estão recolocando-o em circulação todos os dias.
POR QUE MUDOU?
Acabo de ouvir o Jornal do Dia, da
Rádio Universidade FM.
Que IMENSA TRISTEZA. Também
pela Janete, é claro, que será
sempre uma grande educadora e
essa imagem dela a atual
administração superior da
Universidade não pode tirar, mas
pelo fato de ver um jornal que foi
PENSADO e TRABALHADO por uma
equipe em sintonia.
Uma equipe INSTIGADA por uma
educadora. Uma equipe que PENSA.
Uma equipe que TRABALHA. Uma
equipe que sabe ser PLURAL. Uma
equipe que sabe OUVIR. Uma
equipe que sabe LIDAR com
opiniões discordantes, sem tomar
dores, e achar que quem discorda
esta CONTRA esta equipe.
É uma pena. Um projeto (e uma
emissora) (re) construído a muito
custo. Parcerias. Colaboradores.
Vontade. Tão difícil de ser ver num
órgão público nos dias atuais.
A nossa rádio continua lá. Intacta.
Nada vai mudar, assegurou o novo
diretor Kennedy Piau. Então...
POR QUE
MUDOU?
Que tristeza. Quem tinha
esperança, deve ter o que agora?
Até onde mais nossas vidas vão ser
MUDADAS? Até onde?
Guilherme Borges
Acompanhei desde o início mais este ato de autoritarismo desta administração que, se diz democrática, mas que veio usar a universidade para fins de política partidária rasa e
autopromoção com fins de carreria política. O papel acadêmico da universidade, que é seu objetivo, sua essencia, continuou de lado, em segundo ou terceiro plano, como já
estava desde as duas gestões do Jackson. Quem não via, ou não queria ver, só continua cego se tiver um nível muito baixo de capacidade de análise, ou for conivente ou alienado
mesmo.
Colocar a Radio da UEL subordinada a uma Assessoria de Comunicação da Reitoria é transformar de vez a Radio na “Voz da Reitoria”, um propósito indefensável da Reitoria e um tremendo equívoco do Conselho Universitário, que não parou para devidamente refletir e amadurecer sua posição sobre um projeto que lhe foi apresentado de forma rápida e sem haver sido discutido nas instâncias intermediárias cabíveis, incluindo aí a própria Rádio e os Departamento mais diretamente afetos a ela.
A Reitoria, pelas manobras que fez durante todo o processo e por durante um mês ter negado contato / reunião / audiência solicitada pela Diretora da Rádio para tratar deste assunto,
quebrou a relação de confiança com a administração deste órgão, e não o contrário. Um mínimo de autocrítica e humildade por parte da Reitoria, que foi quem provocou toda a
situação, poderia ter resultado numa saída política para a questão: suspender os efeitos da referida resolução, recolocar a questão em discussão no CU, ouvindo (de verdade) todos
os setores pertinentes e mantendo a Direção da Rádio como estava. Mas, isso seria querer demais. Como na época da Ditadura dentro da UEL, autoridade não reconhece erro, quem paga é sempre a ponta mais fraca. Sei bem como é esta estória desde quando, de forma similar, eu fui demitido da Diretoria de Pesquisa da então CPG, no início dos anos 80.
O exemplo de Requião, intervindo na Rádio Educativa do Paraná e transformando-a em órgão de louvação do governo repercute muito forte. É uma grande tentação fazer o mesmo aqui na UEL, não é mesmo?
E assim caminha a UEL (como o Paraná e o Brasil): todos os setores sempre eram tão combativos, tão críticos, tão prontos para apedrejar, bater panelas, fazer passeata e ameçar com greve a qualquer soluço dentro da Reitoria, agora estão paralisados ou conformados ou submissos ou omissos ou fazem parte da administração e não fazem nada!!! Viva a paz do cemitério!!!
Sexta-feira, 18:30...A semana “comercial” terminou. Aulas, orientações de pesquisa, bons resultados de medidas e cálculos dos projetos em andamento, burocracia administrativas dos projetos e do laboratório, textos para os alunos, difícil lembrar tudo . . . mas a sensação é extenuante. Hoje ministrei uma conferência na programação de abertura do semestre letivo dos calouros da Computação da UEL. Como foi bom perceber olhares atentos e interessados sobre questões de ciência e filosofia, sobre a responsabilidade social de uma pessoa de nível superior, que a vivência universitária é muito mais do que fazer um curso. . .Está sendo muito triste terminar a semana com a demissão da Janete da direção da Rádio da UEL. Difícil de engulir toda a situação, todo o autoritarismo embutido na questão. Mais uma indignação: Niéde Guidon, a criadora da Fundação Museu do Homem Americano do Parque Nacional da Serra da Capivara, em Raimundo Nonato, Piauí , está sendo ameaçada por invasores de terra no parque. Ameçam também quebrar tudo, destruir tudo. O “tudo” a que se referem é o tesouro arqueológico e as pinturas rupestres consideradas Patrimônio da Humanidade. Estão queimando materiais na frente das pinturas para cobrí-las com fuligem e destruir estes testemunhos únicos da pré-história brasileira. Que país é este, em que até pesquisador é ameaçado por fazer o seu (muito mal pago e mal reconhecido) trabalho?
Cesar Lattes
Cesare Mansueto Giulio Lattes, o mais ilustre físico deste país, era paranaense, nascido em Curitiba em 11/07/1924. Ao desencarnar em 8 de março passado, com 80 anos de idade, completou uma trajetória de vida ímpar, que o levou de Curitiba para a então recém criada Universidade de São Paulo, para a Universidade de Bristol na Inglaterra, a Berkeley na Califórnia, depois para instituições no Rio de Janeiro e por fim estabelecendo-se em Campinas, na Unicamp. Iniciou sua carreira científica em meados dos anos 40 na USP, trabalhando sob a orientação de Gleb Wataghin, quando publicou um trabalho sobre a abundância de núcleos no universo. Em 1943 concluiu o Bacharelado em Física. Logo depois envolveu-se num projeto de detecção de raios cósmicos, numa colaboração com o físico Cecil F. Powell (da Universidade de Bristol) e com Giuseppe Occhialini, um dos membros da equipe de Powell, que estava no Brasil e foi professor de Lattes na USP. O cuidadoso trabalho de física experimental de Lattes consistia em levar filmes fotográficos, especialmente preparados para serem sensibilizados por partículas de alta energia (chamados de emulsões nucleares), para lugares de grande altitude, onde é maior a probabilidade de detectar as partículas produzidas pelo choque de raios cósmicos ultraenergéticos com os núcleos dos átomos da atmosfera. Expostas as chapas, seguia-se um meticuloso trabalho de identificar e contar os traços das partículas registradas, para depois, com base nestes dados, calcular as propriedades físicas das mesmas.
Mésons
Por que estavam os físicos tão interessados nestas partículas? O entendimento da força de coesão entre os prótons e neutrons do núcleo, dando estabilidade ao núcleo e portanto explicando a existência da matéria como a conhecemos, era um desafio posto desde os primórdios da física nuclear, no início do século XX. O físico japonês Hideki Yukawa propôs a teoria de troca de mésons entre as partículas do núcleo, prótons e neutrons, para explicar a existência da força nuclear atrativa. Para dar conta das características já conhecidas desta força, em 1935 Yukawa previu a existência e calculou as propriedades físicas deste méson, que seria a tal partícula de troca. A física de aceleradores nucleares ainda engatinhava naquela época, desta forma a única alternativa para examinar reações nucleares de alta energia, em que essas partículas poderiam estar sendo produzidas, seria estudando os chuveiros de raios cósmicos na atmosfera. Raios cósmicos são partículas de altíssima energia, em geral prótons, produzidos fora do sistema solar e que bombardeiam a Terra continuamente.
Méson pi
Neste contexto é que entra a pesquisa de Lattes, então com 23 anos de idade. Este trabalho lhe rendeu fama mundial quando, em 1947, analisou os dados de emulsões nucleares expostas no monte Chacaltaya, na Bolívia, a 5 mil metros de altitude. Os cálculos revelaram evidências do méson pi (ou píon) que a comunidade científica tanto procurava. Com a experiência adquirida neste trabalho, no ano seguinte ele também descobriu mésons pi produzidos artificialmente no recém construído acelerador de partículas sincro-ciclotron da Universidade da Califórnia. A descoberta do méson pi deu um tremendo prestígio internacional a Lattes. No entanto, quem ganhou o Prêmio Nobel foi Powell, o chefe do laboratório onde ele trabalhou em Bristol.
Uma vida produtiva
Em 1949 Lattes liderou o grupo científico que criou o Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), o qual, por sua vez, polarizou outras iniciativas de criação de instituições de pesquisa no país. Foi Diretor Científico do CBPF desde sua fundação até 1955. Também participou na catalização de esforços que levaram à criação do CNPq, em 1951. Em 1962 participou do grupo pioneiro que organizava a Universidade Estadual de Campinas, para onde se transferiu. Recebeu muitos títulos e prêmios, nacionais e internacionais. Perguntado se, caso tivesse chance, mudaria algo em sua vida, respondeu: “Não. Fiz o possível. Fui arrastado pela história”. Mais detalhes sobre a biografia de Lattes podem ser vistos em www.cbpf.br/Staff/Hist_Lat.html .
Ranking mundial das Universidades
No final do ano passado foram divulgados dois estudos sobre a qualidade das universidades em todo o mundo. Além de duas notas curtas a respeito no Jornal de Ciência (www.jornaldaciencia.org.br) em 15 e 23/12/04, até onde eu saiba, apenas um artigo mais extenso, publicado por Wanderley de Souza no jornal Gazeta Mercantil em 14 de fevereiro passado (reproduzido no Jornal da Ciência de 16/02/05), tratou de analisar os resultados de um dos estudos. Vou repercutir aqui alguns dados sobre estas pesquisas e trechos das reflexões contidas no artigo citado, cuja leitura recomendo, e outras considerações.
Cem melhores em Ciência
A “Times online” (www.timesonline.co.uk) publicou a lista das cem universidades com maior dedicação à ciência no mundo. As dez primeiras, em ordem decrescente, são: Cambridge, Oxford, Harvard, Califórnia Berkeley, MIT Boston, Stanford, Tokyo, Princeton. Califórnia Inst. Tech. e Imperial Coll London. Nenhuma universidade da América Latina consta desta lista . . .
500 melhores
O outro estudo foi realizado por um grupo de pesquisa da Universidade Jiao Tong de Xangai, China, que analisou o sistema universitário em todo o mundo, identificando as 500 melhores Universidades. Um dos objetivos deste estudo foi levantar dados que orientem para onde enviar estudantes chineses para realizar estágios de aperfeiçoamento. Para esta classificação foram utilizados quatro parâmetros básicos: qualidade dos alunos formados na graduação e na pós-graduação (medida pelos prêmios recebidos), qualidade do corpo docente (medida pelas premiações recebidas e pelo índice de citação dos trabalhos publicados), qualidade do produto acadêmico gerado pelo corpo docente (avaliado pelo número de artigos publicados em revistas indexadas de circulação internacional) e pela dimensão da instituição (em que os pontos obtidos pelos critérios anteriores são cotejados com o número de professores do quadro permanente em dedicação integral à instituição). Dentre as 10 primeiras colocadas nesta lista, oito são americanas e duas são britânicas. A ordem decrescente é: Harvard, Stanford, Cambridge, Califórnia Berkeley, MIT, CalTech, Princeton, Oxford, Columbia e Chicago. Notem a consistência entre os primeiros colocados das listas preparadas pelos dois grupos distintos de pesquisadores, um na Inglaterra e outro na China. O Brasil tem quatro universidades no grupo das 500: USP , Unicamp, UFRJ e Unesp que ocupam o 189o , 368o, 369o e 466o lugar, respectivamente. Como escreveu Wanderley, “não por acaso essas Universidades tem mais de 80 cursos de pós-graduação, que correspondem aos centros de formação de quadros de alto nível, sendo que no caso da USP existem 219 cursos de pós-graduação”. Mais dados sobre o estudo você pode ver em http://ed.sjtu.edu.cn/rank/2004/2004Main.htm .
Reforma Universitária
Estamos em plena efervescência da discussão do anteprojeto do governo federal para as Universidades. Será que este anteprojeto levou em conta os critérios de qualidade internacionalmente aceitos e usados naqueles dois estudos? Aliás, será que algum critério de qualidade norteou este anteprojeto? Não custa, portanto, lembrar, o que de verdade é importante para que as universidades brasileiras se destaquem internacionalmente, conforme colocado por Wanderley: “(a) ampliação do quadro docente, constituído por doutores trabalhando em regime de dedicação exclusiva e integrando as atividades de ensino, pesquisa e extensão; (b) forte atividade no processo de formação de quadros de elevado nível, através de programas de pós-graduação de alto nível; (c) política agressiva de atração de pesquisadores experientes e com prestígio internacional; (d) boas condições de trabalho, o que inclui estrutura física, equipamentos atualizados, recursos para custeio etc.” Eu frisaria que salários decentes também são parte fundamental deste último item.
O oitavo docente
Falando sobre salários (in)decentes, o Depto. de Engenharia Elétrica da UEL está perdendo o seu oitavo doutor em cerca de dois anos. O docente, com pós-doutorado em telecomunicações no Japão, está indo para a Unesp. Dizem que no Paraná haverá um reajuste salarial de 15 a 18% para os docentes. Uma piada, quando a diferença média entre os salários das universidades estaduais do Paraná e as universidades paulistas é de 36% e de 41% em relação às universidades federais.
Custeio das estaduais do Paraná
Um dos itens referidos por Wanderley é a verba para custeio das universidades. Há uma razão muito forte para ele ter colocado este item aparentemente óbvio nesta lista. Hoje as universidades estão sendo estranguladas na sua manutenção. Desde recursos para manutenção dos laboratórios didáticos e de pesquisa até material de limpeza, falta tudo! A verba de custeio das IES do Paraná está em queda livre há muitos anos, enquanto que os serviços prestados, cursos, etc estão sempre aumentando. O governo vem forçando as IES a procurarem outras fontes de recursos para cobrir estas necessidades, que, constitucionalmente é sua obrigação pagar. Paulatinamente, preciosos recursos da pós-graduação e de projetos de pesquisas estão sendo cada vez mais usados para a manutenção da infraestrutura dos departamentos. Uma outra indecência!