JC e-mail 3612, de 03 de Outubro de 2008.
Pesquisadores se reúnem no Brasil para discutir efeitos das radiações não-ionizantes
Impactos de estações de telecomunicação e linhas de transmissão e distribuição de energia serão discutidos por especialistas de todo o Mundo
Especialistas de todo o mundo se reúnem no Brasil para analisar os últimos dados científicos relacionados a efeitos biológicos de radiações não-ionizantes, especialmente aquelas emitidas por antenas e equipamentos de telefonia celular, estações transmissoras de rádio e TV, e linhas de transmissão e distribuição de energia elétrica. Na 6ª Edição do Workshop Internacional sobre Radiações Não-Ionizantes também serão discutidos aspectos de proteção e limites de exposição. O evento será realizado no Rio de Janeiro (RJ), entre os dias 14 e 17 deste mês.
Esta será a primeira vez que o Workshop Internacional acontece em um país da América Latina. A 6ª Edição conta com o apoio dos ministérios da Ciência e Tecnologia (MCT), Minas e Energia (MME), Saúde (MS), Meio Ambiente (MMA), das Comunicações (MC), Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e Comissão Nacional de Bioeletromagnetismo.
A cada quatro anos, a Comissão Internacional de Proteção contra as Radiações Não-Ionizantes (ICNIRP) promove o encontro internacional com o objetivo de apresentar os avanços científicos relacionados ao tema. As discussões também poderão subsidiar novas recomendações para limites de exposição.
O workshop visa a participação de pesquisadores, especialistas das áreas de energia elétrica, telecomunicações - especialmente de telefonia celular - da indústria de equipamentos, das áreas de exatas, ciências médicas, epidemiológica, biológicas, além de profissionais da mídia. O evento também é uma oportunidade para a construção de uma agenda brasileira de pesquisa e de estudos, especialmente porque tramita no Senado o PLC nº 031/2008, que trata de vários aspectos relacionados à exposição a campos eletromagnéticos.
A proposta, que já foi aprovada na Câmara dos Deputados, determina a adoção no Brasil dos limites da ICNIRP, conforme recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS). O PLC 031 também estará em discussão no workshop o que favorece a participação de profissionais do direito, das casas legislativas e de parlamentares.
Veja como participar: http://www.icnirp.org/NIR2008/NIR2008.htm
(Assessoria de Comunicação do MCT)
http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=59062
JC e-mail 3611, de 02 de Outubro de 2008.
Aids surgiu há um século, diz estudo
Análise genética das amostras mais antigas do HIV, de 1959 e 1960, sugere que vírus começou a infectar humanos já em 1900
Ricardo Bonalume Neto escreve para a “Folha de SP”:
O vírus da Aids começou a se espalhar entre seres humanos há bem mais tempo do que se imaginava até agora: em torno de um século atrás ele deixou as florestas da África central e começou a circular nas cidades que os colonizadores europeus construíam na região.
A nova estimativa foi possível graças à descoberta de exemplares do vírus preservados em uma amostra de 1960 de tecido humano preservada em um hospital de Kinshasa, capital da República Democrática do Congo. É a segunda amostra mais antiga do vírus -a outra, datada de 1959 e da mesma cidade, foi descrita em 1995.
A comparação das seqüências do material genético das duas permitiu calcular que um ancestral comum dos dois vírus já existia em torno de 1900.
As seqüências de DNA das amostras antigas, batizadas ZR59 e DRC60, diferem em 12%, o que indicaria um ancestral comum das duas meio século antes. O HIV evolui 1 milhão de vezes mais rápido que um animal, o que o torna um alvo difícil para a medicina.
O estudo foi feito por uma equipe de 12 cientistas, liderados por Michael Worobey, da Universidade do Arizona em Tucson, EUA, e publicado na edição de hoje da revista científica britânica "Nature".
"A considerável distância genética entre DRC60 e ZR59 demonstra diretamente que a diversificação do HIV-1 no centro-oeste da África ocorreu bem antes da pandemia reconhecia de Aids", escreveram Worobey e colegas.
O HIV-1 possui três linhagens básicas. Uma delas, conhecida como grupo M, é a causa de mais de 95% dos casos de Aids em todo o mundo, lembra Paul Sharp, da Universidade de Edimburgo, Reino Unido. Ele comenta a descoberta na mesma edição da revista.
"Conhecer a seqüência original, ancestral, do HIV-1 do grupo M e como ele evoluiu poderá ajudar os cientistas a desenvolver drogas e vacinas. Se você souber quais partes do genoma original do HIV-1 grupo M foram conservadas ao longo do tempo, esses genes podem codificar proteínas que são críticas à sobrevivência do HIV e improváveis de mudar muito no futuro", disse à Folha a epidemiologista Rosemary McKaig, do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos EUA, que co-patrocinou a nova pesquisa.
Já Sharp é mais cético. "Conhecer a evolução do HIV-1 provê uma útil informação de fundo, mas pode não ter um impacto direto no desenvolvimento de drogas ou vacinas."
"O estudo é muito importante porque mostra a evolução do vírus na circulação críptica [oculta] entre humanos", diz o brasileiro Paolo Zanotto, especialista em evolução de vírus do Instituto de Ciências Biomédicas das USP. Ele lembra que o agente causador da doença precisa de uma fase de adaptação para passar do chimpanzé ao homem, quando ele passa a "testar" a malha de transmissão humana -e, eventualmente, criar uma epidemia.
No caso africano não há provas de como se deu a transmissão em maior escala no ser humano, mas os autores do estudo sugerem que isso tenha acontecido graças à urbanização. O vírus tenderia a se espalhar com o adensamento da população e a intensificação de comportamentos de risco.
"O relevante para nós no Brasil hoje é que o estudo mostra que um vírus pode estar circulando, apesar de ainda não estar causando uma epidemia", diz Zanotto. O melhor exemplo, diz, é o subtipo 4 do vírus da dengue. Para ele, faz mais sentido agir antes nesses casos com medidas profiláticas do que "correr a reboque" da epidemia depois que ela começar.
(Folha de SP, 2/10)
http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=59025
JC e-mail 3609, de 30 de Setembro de 2008.
Astrônomo vê mistério em fluxo de galáxias distantes
Parte da matéria do cosmo flui em direção a ponto específico no céu, diz estudo
Igor Zolnerkevic escreve para a “Folha de SP”:
Um grupo de astrônomos anunciou nesta semana a descoberta de uma tendência sutil, quase imperceptível, de galáxias distantes a seguirem na direção de um ponto no céu. O fenômeno foi batizado de "correnteza escura", para combinar com o nome dos outros dois mistérios que mais tiram o sono dos cosmólogos: a matéria escura e a energia escura.
A matéria escura é abundante no Universo, mas invisível. Sabe-se que ela existe porque sua massa influencia o movimento das galáxias. Acredita-se que seja feita de partículas ainda não descobertas.
A energia escura, então, é ainda mais misteriosa. Postulada para explicar a aceleração da expansão do espaço cósmico, não é feita de partículas, mas de algo de natureza desconhecida.
A nova correnteza escura é um sutil movimento de centenas de galáxias em direção a um trecho no céu, entre as constelações Centauro e Vela. Segundo um dos autores da descoberta, Alexander Kashlinsky, da Nasa (agência espacial dos EUA), não há nada no Universo visível que arraste galáxias assim. "A distribuição de matéria não explica esse movimento."
Kashlinsky observou como raios X emitidos pelo gás quente de 700 aglomerados de galáxias interferem na radiação de microondas que permeia todo o Universo. Essa radiação é a principal evidência de que todo o cosmo estava concentrado em um ponto, que explodiu há 14 bilhões de anos, no Big Bang.
Analisando diferenças na temperatura da radiação de fundo ao redor de cada aglomerado de galáxias, Kashlinsky deduziu o movimento deles. Parte desse fluxo é devida à expansão acelerada do espaço. Outra parte vem da interação entre os aglomerados. Mas uma outra parte, que foi descoberta só agora por causa do grande número de galáxias estudadas, se deve à correnteza escura.
Inflação cósmica
O fenômeno é constante ao longo de pelo menos 1 bilhão de anos-luz de distância, que não se explica pelo acaso. Um movimento que privilegie uma direção única em relação à radiação cósmica de fundo vai contra leis conhecidas da cosmologia.
Kashlinsky diz que a correnteza escura pode ser explicada por uma teoria ainda em debate, chamada de inflação cósmica. Uma violenta expansão do espaço, mais rápida que a velocidade da luz, teria ocorrido frações de segundo após o Big Bang. Isso explicaria, por exemplo, por que o Universo parece igual em todas as direções. A correnteza escura, então, seria o resquício da atração gravitacional de algo que hoje está além do Universo visível, mas que interagiu com a matéria dele antes da inflação.
A explicação, porém, só funciona se for provado que a correnteza escura atua em todas as galáxias do Universo, algo que Kashlinsky especula em seu artigo, publicado na revista "Astrophysical Journal Letters". "Se a correnteza não se estender para o resto do Universo, então fica bem mais difícil de explicar", disse o físico à Folha.
"Eles toparam com uma anomalia muito séria", diz o cosmólogo Raul Abramo, da USP. Para ele, porém, não está claro se a correnteza age em todo o cosmo. "É como ver uma estrada sumir no horizonte e supor que ela dá a volta na Terra."
(Folha de SP, 27/9)
http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=58966
JC e-mail 3609, de 30 de Setembro de 2008.
Brasil conquista o primeiro lugar na Olimpíada Ibero-americana de Matemática
País obteve duas medalhas de Ouro e duas de Prata, e foi o primeiro colocado entre 21 países participantes
O Brasil conquistou duas medalhas de ouro e duas de prata na 23ªOlimpíada Ibero Americana de Matemática, que aconteceu de 20 a 28 de setembro na cidade de Salvador – Bahia. O time brasileiro obteve também a maior pontuação total da competição ficando em primeiro lugar com 155 pontos.
Os estudantes: Henrique Pondé de Oliveira Pinto, de Salvador (Bahia), que atualmente estuda na cidade de São Paulo (SP), obteve a medalha de ouro atingindo a pontuação máxima da prova com 42 pontos, enquanto Ramon Moreira Nunes, de Fortaleza (CE) também conquistou a medalha de ouro com 39 pontos. Os responsáveis pelas medalhas de prata foram Régis Prado Barbosa, de Fortaleza (CE) e Renan Henrique Finder, de Joinville (SC), que atualmente estuda na cidade de São Paulo.
A Olimpíada é realizada desde 1985 com a colaboração dos Ministérios de Educação e de Sociedades de Matemática junto a um importante grupo de professores e alunos. Os objetivos principais da competição são fortalecer e estimular o estudo da Matemática, contribuir para o desenvolvimento científico da comunidade ibero-americana, detectar jovens talentos nesta ciência e incentivar uma troca experiências entre os participantes.
Este ano participaram da competição as delegações de Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Cuba, El Salvador, Equador, Espanha, Guatemala, Honduras,México, Panamá, Paraguai, Peru, Portugal, Porto Rico, República Dominicana, Uruguai e Venezuela, representados por equipes de até quatro alunos, totalizando 81 estudantes.
O Brasil participa da competição desde 1985, já tendo conquistado um total de 81 medalhas, sendo 44 de ouro, 27 de prata e 10 de bronze.
A participação brasileira nestas competições é organizada através da Olimpíada Brasileira de Matemática, iniciativa realizada nas modalidades de ensino fundamental, médio e superior nas instituições públicas e privadas de todo o Brasil que atualmente atinge cerca de 350 mil.
A Olimpíada Brasileira é um projeto conjunto da Sociedade Brasileira de Matemática, do Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa) e conta com o apoio do CNPq, Instituto do Milênio Avanço Global e Integrado da Matemática Brasileira e da Academia Brasileira de Ciências.
(Com informações da Assessoria de Comunicação da Olimpíada Brasileira de Matemática)
http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=58948
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JC e-mail 3609, de 30 de Setembro de 2008.
Astrofísica brasileira ganha Prêmio Trieste 2008
Beatriz Barbuy foi contemplada com o prêmio, oferecido pela Academia de Ciências do Mundo em Desenvolvimento (TWAS), em parceria com o Illycafèe, na categoria Ciências do Espaço, inclusive Astrofísica, Ciências do Oceano e Atmosféricas
A astrofísica foi agraciada por sua grande contribuição ao estudo da evolução da composição química das estrelas. O outro contemplado foi o engenheiro e físico indiano Roddam Narasimha, por seu trabalho em dinâmica dos fluídos e turbulência.
O prêmio de cem mil dólares, dividido pelos dois agraciados, é administrado pela TWAS e Illycafèe, em colaboração com a cidade de Trieste e a Fondazione Internazionale per il Progresso e la Libertà delle Scienze.
A cerimônia de entrega, presidida pelo presidente da TWAS e da ABC, Jacob Palis , ocorreu em 27 de setembro, em Trieste, com a presença do prefeito da cidade.
(Informações do boletim Notícias da ABC)
http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=58949
JC e-mail 3608, de 29 de Setembro de 2008.
José Goldemberg ataca plano do clima de Lula
Para o físico, o documento oficial, que será posto em consulta pública na segunda, é tão ruim que "nem vale a pena fazer sugestões" a ele
Claudio Angelo escreve para a “Folha de SP”:
O novo Plano Nacional de Mudança Climática é um retrocesso em relação às posições que o próprio governo vinha defendendo nas negociações globais de clima. A opinião é de José Goldemberg, professor da USP, um dos principais especialistas em política climática do país.
"Não vejo como melhorar o plano", disse Goldemberg à Folha. Para ele, o documento oficial, que será posto em consulta pública na segunda, é tão ruim que "nem vale a pena fazer sugestões" a ele.
O plano proposto pelo governo não fixa metas numéricas nem prazos para a redução do desmatamento, responsável por dois terços dos gases-estufa brasileiros. Limita-se a propor, com base nos programas atuais, que o desmatamento ilegal seja um dia reduzido a zero.
Sobre energia, o plano apenas lista medidas voluntárias e já em curso que podem, direta ou indiretamente, levar a alguma redução das emissões.
Segundo Goldemberg, ao se abster de compromissos, o plano recua do acordo de Bali, fechado em 2007, que teve apoio do Brasil. Na negociação, os países em desenvolvimento se comprometeram a adotar medidas "mensuráveis, reportáveis e verificáveis" de redução de emissões.
"O mínimo que eu esperava do plano nacional é que tivesse ações voluntárias mensuráveis, verificáveis e reportáveis para a Amazônia", diz o físico.
A Folha não encontrou ontem a secretária nacional do clima, Suzana Kahn, para comentários.
(Folha de SP, 27/9)
http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=58927
JC e-mail 3607, de 26 de Setembro de 2008.
Ministros apresentam Plano Nacional de Mudança Climática
Texto ficará disponível para consulta até outubro e prevê ações como a ampliação do uso de energias renováveis
Os ministros da Ciência e Tecnologia (MCT), Sergio Rezende, e do Meio Ambiente (MMA), Carlos Minc, apresentaram nesta quinta-feira (25), em Brasília (DF), o Plano Nacional de Mudança Climática. O documento ficará disponível para consulta pública de segunda-feira (29) a 31 de outubro deste ano.
A previsão do Governo Federal é apresentar a versão definitiva do Plano no final de novembro, antes da realização da próxima Conferência do Clima da Organização das Nações Unidas (ONU), que será realizada em dezembro, na Polônia.
O Plano Nacional reúne ações que serão colocadas em prática em todo o País e tem por objetivo combater as mudanças globais do clima e enfrentar as conseqüências dessas alterações. O texto que será disponibilizado para consulta foi elaborado pelo Comitê Interministerial sobre Mudança do Clima (CIM), que é formado por representantes de 16 ministérios, entre eles o MCT, e por integrantes do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, que são coordenados pela Casa Civil.
Entre as ações previstas no Plano está o aumento da participação das fontes renováveis e de energias limpas na matriz energética do Brasil, redução no consumo de energia - incluindo um programa de troca de aparelhos de geladeiras, que também permitirá a redução na emissão de gases do efeito estufa -, redução nas emissões de gases no setor de petróleo, conservação de Biomas, aumento da sustentabilidade da agropecuária, melhoria do desempenho da indústria, gestão de resíduos e melhoria do setor de transportes.
De acordo com o Plano, apenas com a substituição do carvão mineral pelo carvão vegetal renovável é possível diminuir em 3 toneladas a emissão de CO2, por tonelada de ferro processado na siderurgia. Com essa medida, o que se pretende é estimular o uso de carvão vegetal renovável de origem legal na siderurgia nacional, explica o ministro Carlos Minc.
Ele também destacou uma série de ações de eficiência energética que integram o Plano, como o Programa Brasileiro de Etiquetagem, Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel), Programa Nacional de Racionalização do Uso dos Derivados de Petróleo e Gás Natural (Conpet), além de outros. Uma das principais medidas dentro dessa linha é a substituição de 10 milhões de geladeiras antigas, em 10 anos, por novos modelos.
"Somente com essa mudança, podemos economizar 14 terawatt-hora (TWh) - 1 tera eqüivale a 1 trilhão de watts - e reduzir em mais de sete milhões de toneladas de CO2 a emissão de gases pela não geração da energia elétrica, além da retirada de cerca de cinco milhões de toneladas de CFC, gás nocivo à camada de ozônio", disse.
Para o ministro da Ciência e Tecnologia (MCT), Sergio Rezende, a apresentação do Plano Nacional é mais uma demonstração da preocupação do Brasil com o meio ambiente e com as mudanças que vêm ocorrendo no clima. O ministro fez um resgate das discussões sobre os efeitos da ação do homem sobre o clima, lembrando a realização, no Rio de Janeiro, da Eco 92.
"Foi a partir desta conferência que foram tomadas várias decisões. Foi um momento importante e, a partir desse encontro, passou-se a discutir mais sobre o meio ambiente e os riscos causados pelas mudanças climáticas", disse.
Rezende destacou que o MCT está envolvido nesta discussão há vários anos e lembrou a criação, em 1994, da Coordenação Geral de Mudanças Globais de Clima. Segundo ele, ao longo dos anos, o MCT foi assumindo um papel importante neste debate. O ministro falou ainda que o Plano de Ação de Ciência, Tecnologia e Inovação (PAC,T&I 2007/2010), lançado em novembro do ano passado, tem entre suas quatro prioridades uma específica, que trata da Pesquisa e Desenvolvimento em Áreas Estratégicas.
"Uma dessas áreas estratégicas é justamente a de mudanças climáticas. Além desta, há no Plano outras seis áreas co,mo biocombustíveis e Amazônia, que tem relação direta com esse debate", disse. Rezende citou também o lançamento, no ano passado, da Rede-Clima de pesquisa, que vai gerar e disseminar conhecimento para que o Brasil possa responder às demandas e desafios provocados pelas mudanças climáticas globais.
Outra ação do MCT na área de mudanças climáticas destacada por Rezende é o investimento feito na compra de um supercomputador, que será instalado no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe/MCT).
O novo equipamento dará ao País a possibilidade de desenvolver um modelo climático próprio, que, ao entender melhor o impacto das mudanças climáticas em seu território, abrirá caminhos para que políticas públicas sejam elaboradas para diminuir os efeitos sociais, ambientais e econômicos do aquecimento global.
(Assessoria de Comunicação do MCT)
Plano só prevê medidas voluntárias de redução de emissões
A versão prévia do Plano Nacional de Mudança Climática, apresentada pelos ministros do Meio Ambiente, Carlos Minc, e da C&T, Sergio Rezende, não determina metas obrigatórias de redução de emissões de gases do efeito estufa. As medidas serão todas voluntárias, tanto para o governo quanto para o setor produtivo. O documento passará por consulta pública antes de ser enviado à sanção presidencial.
Segundo Minc, apesar de não definir metas, o plano “tem objetivos” setoriais. “Ter meta é fácil, difícil é convencer os setores, ter recursos. Em suma, a gente sempre pode fazer uma meta mais ousada, mas temos que compatibilizar o que a gente quer com cada setor. É como dizem 'tem que combinar com os russos', com os setores que vão ter que adotar medidas para reduzir emissões”, justificou Minc.
Entre os mecanismos listados pelo plano para redução das emissões brasileiras de gases do efeito estufa, principalmente do dióxido de carbono (CO2), estão programas de eficiência energética, estímulo à produção de energias renováveis, fortalecimento dos biocombustíveis e “ações agressivas” de reflorestamento.
Sem detalhar como, o plano estima que a Petrobras evitará a emissão de mais de 20 milhões de toneladas de CO2 até 2012. Outro avanço que o governo espera conseguir voluntariamente do setor produtivo é a substituição de carvão mineral por carvão vegetal – renovável, de madeira reflorestada – na indústria siderúrgica.
Entre as ações de eficiência energética, o plano lista programas governamentais que já existem, como o Programa Nacional de Energia Elétrica (Procel) e os incentivos para troca de geladeiras que ainda utilizam gás clorofluorcarbono (CFC).
Segundo a secretária de Mudanças Climáticas do Ministério do Meio Ambiente, Suzana Kahn, apesar de não serem novidades, as medidas deverão ganhar efetividade com o plano. “Não adiantava ter os programas, se não eram implementados. O plano vai criar a obrigação de tirar essas ações do papel”, argumentou.
Não há previsão do custo total de implantação das medidas previstas pelo plano. De acordo com o documento, os instrumentos econômicos serão detalhados na segunda versão. A previsão é que os recursos venham do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), do recém-criado Fundo Amazônia e de aportes da iniciativa privada.
(Agência Brasil)
http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=58891
JC e-mail 3606, de 25 de Setembro de 2008.
Chineses partem hoje para fazer caminhada espacial
Terceira missão tripulada visa preparar país para construir laboratório orbital
Raul Juste Lores escreve para a “Folha de SP”:
A China lança hoje sua terceira missão tripulada ao espaço. No sábado, pela primeira vez, um astronauta chinês deve fazer uma caminha espacial, saindo por 40 minutos da nave.
A Shenzhou-7 decolará por volta das 22h (11h em Brasília) da base de Jiuquan, na Província de Gansu, noroeste do país. Ficará 68 horas em órbita, a 341 quilômetros de altitude. Shenzhou quer dizer "nave divina".
Apenas ontem foi revelada a identidade dos três taikonautas (astronautas chineses) que estarão a bordo: Zhai Zhigang, Liu Boming e Jing Haipeng, os três de 42 anos de idade e que trabalham há dez anos juntos.
Zhai é quem deve sair da nave -sua caminhada será transmitida ao vivo no país (16h30 de sábado em Pequim, 5h30 em Brasília). Ele vai apanhar amostras do lado de fora do módulo orbital e trazê-las de volta. Outro taikonauta ficará dando apoio dentro do módulo, e o terceiro permanecerá no módulo de reentrada (parte da nave que trará o trio de volta).
Altas ambições
O vôo de hoje da Shenzhou é o próximo passo lógico no programa espacial tripulado chinês, que tem a pretensão de desenvolver um laboratório orbital próprio e realizar uma missão tripulada à Lua em 2017.
Em 2003, a China se tornou o terceiro país a mandar um homem ao espaço, depois de EUA e Rússia. Em outubro do ano passado, lançou uma sonda lunar -o quinto país a fazê-lo.
Uma equipe de 6.000 pessoas trabalhou na missão. Há planos para 239 cenários de emergência e cinco navios de assistência e monitoramento, quatro no oceano Pacífico e um no oceano Atlântico.
A cápsula com os taikonautas deve pousar no domingo na região da Mongólia Interior. A foto dos três está na capa de jornais e páginas da internet de toda a China. O pioneiro astronauta do país, Yang Liwei, foi o primeiro chinês selecionado a carregar a tocha olímpica em sua chegada a Pequim.
"Como astronautas, nossa maior honra é representar a Pátria e fazer essa expedição pelo espaço", disse Zhai, chefe da missão. Seu filho de 14 anos se chama Tianxiong, que quer dizer "herói do céu".
Estima-se que o país gaste cerca de US$ 3 bilhões por ano em seu programa espacial, que inclui um acordo de cooperação com o Brasil, nos satélites CBERS. Os avanços chineses estão provocando uma corrida espacial entre seus rivais asiáticos, Japão e Índia.
"A China é hoje uma potência militar e espacial", diz Gilberto Câmara, diretor do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). "Sua tecnologia mostra sofisticação e qualidade crescentes, e os EUA efetivamente têm receios. Procuram restringir o progresso chinês ao restringir o acesso deles à tecnologia americana."
Respingos desse temor se fazem sentir até no Brasil: empresas aeroespaciais brasileiras não conseguem comprar componentes americanos para os satélites Cbers devido a barreiras impostas pelos EUA à venda de tecnologia de uso dual para a China e seus parceiros.
A China começou a ter ambições espaciais nos anos 1950, com assistência soviética, mas aquela parceria terminou em 1960, com a ruptura do então ditador Mao Tsé-tung e do soviético Nikita Kruschev. Nos anos 1970, programas parecidos foram cancelados por falta de recursos. (Com Reuters)
(Folha de SP, 25/9)
http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=58877
JC e-mail 3605, de 24 de Setembro de 2008.
Ciência Hoje On-line: A evolução cósmica, coluna de Adilson de Oliveira
Colunista traça paralelo entre o desenvolvimento da vida na Terra e as transformações do universo
Os seres vivos são fruto de um processo de evolução que está em ação nos últimos milhões de anos. O universo também é objeto de um processo similar, que opera em uma escala bem diferente, da ordem de bilhões de anos.
Em sua coluna deste mês, Adilson de Oliveira traça um paralelo entre as evoluções cósmica e biológica e explica o processo de expansão do universo após o Big Bang.
Leia a coluna completa na “CH On-line”, que tem conteúdo exclusivo atualizado diariamente: http://cienciahoje.uol.com.br/128785
http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=58855
JC e-mail 3604, de 23 de Setembro de 2008.
Descoberto em Minas Uberabatitan ribeiroi, o maior dinossauro brasileiro
O estudo de detalhes de seus elementos ósseos permite afirmar que poderia atingir de 15 a 20 metros de comprimento, 3,5 metros de altura e peso estimado entre 12 e 16 toneladas
A parceria entre o Depto. de Geologia da UFRJ, o Museu dos Dinossauros de Uberaba, e a Universidad Nacional del Comahue, Argentina, com apoio da Faperj e Fapemig, apresentará nesta quarta-feira, 24/9, às 10h, na Casa da Ciência da UFRJ, réplica do maior dinossauro brasileiro Uberabatitan ribeiroi, fóssil descoberto em Uberaba, Minas Gerais.
Os dados são proporcionais ao tamanho do animal: sua descoberta é resultado da maior escavação paleontológica já realizada no país, que durou quatro anos, envolveu a maior equipe de especialistas brasileiros para sua reconstituição, representa uma das mais relevantes descobertas paleontológicas feitas no país e constitui o maior dinossauro já descrito no Brasil.
Durante a escavação foram encontrados 198 fósseis de três indivíduos, sendo um pequeno, um médio e um de grande porte. O último e o maior dos dinossauros do Brasil viveu há 65 milhões de anos e foi reconstituído usando como referência uma réplica do indivíduo de porte médio, a partir da cópia de dezenas de fósseis e de uma reconstrução digital dos elementos não encontrados.
O estudo de detalhes de seus elementos ósseos permite afirmar que poderia atingir de 15 a 20 metros de comprimento, 3,5 metros de altura e peso estimado entre 12 e 16 toneladas.
A exposição estará aberta ao público de 25 de setembro a 24 de outubro. De terça a sexta, das 9 às 20h e sábados, domingos e feriado, das 10 às 20h, na Casa da Ciência, que fica na Rua Lauro Muller, 3 – Botafogo.
(Informações da Assessoria de Comunicação da Faperj)
http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=58806
JC e-mail 3603, de 22 de Setembro de 2008.
Aquecimento pára LHC por dois meses
Falha no superacelerador de partículas recém-inaugurado atrasa cronograma e recriação do Big Bang fica para 2009
Marcelo Ninio escreve para a “Folha de SP”:
O Big Bang vai ter que esperar. Com pouco mais de uma semana de funcionamento, a maior máquina do mundo teve que parar devido a um vazamento de gás. A falha levará o superacelerador de partículas LHC (Grande Colisor de Hádrons, na sigla em inglês), inaugurado no dia 10 com a promessa de desvendar a origem do Universo, a ficar dois meses fora de operação.
Embora o problema tenha acontecido na sexta-feira, só anteontem ele foi tornado público pelo Cern, o centro de pesquisas nucleares que construiu o LHC. Com isso, as reais dimensões do acidente ficaram mais evidentes.
Segundo a instituição européia, na sexta-feira, "uma grande quantidade" de gás hélio vazou num dos setores do túnel de 27 quilômetros que forma o superacelerador de partículas.
O hélio, junto com hidrogênio líquido, é usado para resfriar o equipamento a sua temperatura operacional, que é próxima do zero absoluto, mais baixa que no espaço. Com a falha, 100 dos mais de 9 mil ímãs do LHC aqueceram e a operação teve que ser suspensa.
A brigada antiincêndio foi acionada após o vazamento de uma tonelada de hélio na "caverna", como os cientistas chamam partes do LHC, embora o gás não seja inflamável.
O Cern informou que será aberta investigação para apurar a origem da falha e que a máquina ficará pelo menos dois meses parada. "A falha poderia ser rapidamente reparada, o que leva tempo é o aquecimento e, depois, o novo resfriamento", explicou à Folha Mauro Rogério Cosentino, um dos cerca de 60 brasileiros que trabalham no Cern.
Cosentino admitiu estar "desapontado" com o problema, que atrasa a recriação do Big Bang, principal objetivo do projeto. No LHC, um túnel circular de 27 quilômetros situado cem metros abaixo da fronteira entre França e Suíça, os cientistas da Cern pretendem recriar as condições da grande explosão que, acredita-se, deu origem ao Universo.
Com a interrupção, a colisão frontal de partículas à velocidade da luz planejada para recriar as condições do Big Bang só deve começar a ocorrer na intensidade necessária no começo do próximo ano.
Velho conhecido
Segundo James Gillies, porta-voz do LHC, problemas semelhantes ao registrado na sexta-feira também ocorreram quando outros importantes aceleradores de partículas entraram em funcionamento.
Tanto o Fermilab, nos arredores de Chicago, quanto o Laboratório Nacional Brookhaven (New York) tiveram problemas com seus equipamentos supercondutores, segundo Gillies. "Porém, depois de reparados, eles ficaram bastante estáveis", disse.
No caso do LHC, os danos totais causados pela falha mecânica da sexta-feira ainda serão melhor avaliados hoje.
Segundo o porta-voz do acelerador de partículas, especialistas ainda vão descer no túnel de 27 quilômetros para fazer novas inspeções.
"Suspeito que talvez hoje nós teremos mais [informações]", disse Gillies.
Não é apenas a recriação do Big Bang que vai esperar. Com a primeira falha importante na vida do LHC, o sonho dos cientistas de começarem a fazer colisões simples de prótons no máximo até outubro também está interrompido.
Empolgados com os testes inicias feitos no acelerador de partículas ainda no dia da inauguração, alguns pesquisadores acreditavam até que os choques entre prótons já seriam observados ainda em setembro. Mas, agora, o LHC ficará em obras pelo menos até novembro.
(Folha de SP, 22/9)
http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=58788